Para A May.

Esse é um post que tá entalado tem tempo, então pode virar uma bagunça pelo meio. Bom, vamos lá.

Não me vejo como “o cara que manja de fazer social”. Todos os meus namoros, flertes e coisas começaram na internet, com pouco ou nenhum contato real até o dia do encontro de fato (e isso tem consequências aleatórias até hoje no meu dia-a-dia, mas não é o assunto em questão). Meu único relacionamento que não começou assim é também o que mais tá durando.

Minha primeira lembrança da May é, acho que na primeira semana de aulas do AV. Um dia aleatório, que a aula seria num auditório, mas tinha sido transferida pra outra sala. Fui pro lugar errado e ela, junto com mais uma galera, me viu pela janela, pegando o caminho errado. Aí ela apareceu por lá, pra me resgatar e explicar o lugar certo. Sabe amor à primeira vista? Então, não foi o caso. Ao longo dos próximos meses, a gente trabalhou em vários curtas juntos além das aulas, e era sempre uma pessoa divertida de estar por perto, conversar e fazer piada. Era também a menina que morava longe pacarai, que usava uma mochila vermelha e SEMPRE carregava um guarda-chuva, mesmo que tivesse um Sol de rachar – se alguma dessas informações não for precisa, é como minha mente recria esses primeiros meses de aproximação.

Fizemos audiovisual juntos. Eu fui pro “visual”, ela foi pro “áudio” e não foi combinado. Era a aspiração de cada um e a gente sempre se apoiou um no outro pra fazer nosso trabalho melhor. Ouvir as histórias e críticas dela me fez atentar pra muita coisa do meu trabalho de foto, de forma a melhorar o trabalho de quem estivesse fazendo som- a rixa Foto VS Som é tradicional, e é bem comum o povo da foto passar por cima do som como se fosse algo natural. Ah, não era isso que eu ia falar, esse parágrafo todo era só pra falar que somos o casal “audiovisual”.

Tem um monte de histórias dessa fase, mas acho que nenhuma delas é de extrema relevância pra esse post. O fato é que a gente começou a namorar mesmo em Agosto, segundo semestre do primeiro ano de AV. Pra ser preciso, tem quatro anos e nove dias que a gente tá junto. Queria escrever várias historinhas pra ilustrar o post, fazer vocês se identificarem com a gente, essas coisas, mas toda vez que eu começo um novo parágrafo, parece falso, então eu vou escrevendo, e foda-se. Ah, e toda vez que eu usar a palavra “estar”, nem sempre eu me refiro a literalmente estar no mesmo lugar. A gente passou um tempão longe, mas estando junto. Vamos adiante.

Não dá pra falar também das coisas que a gente faz junto. Moramos juntos praticamente desde o começo, então a gente faz tudo junto. Muitas coisas são mais de um do que de outro, mas raramente é algo EXCLUSIVO meu, ou dela. A gente vai ao mercado junto, a gente cozinha junto – eu sou assistente, lava-louça e fazedor de sucos -, a gente vê filmes, séries, curtas e ouve música juntos, arruma a casa junto, põe o lixo pra fora, arruma banheiro, faz a cama, bagunça a cama, espana os móveis, faz lista de compras, aprimora a casa, e tudo mais que vocês pensarem, a gente faz junto. Não junto de dependente, mas junto de dupla. Se tiver que fazer sozinho, a gente faz e não acha ruim. Mas quando é junto, não é só obrigação. Tudo é divertido de se fazer quando a companhia é boa, não?

Estar com a May mudou minha vida. Como viemos de lugares, famílias e situações totalmente diferentes, coisas que pra mim são óbvias, pra ela não tem nenhum sentido, ou são uma grande estupidez. O contrário também é válido, e nessas horas é que a gente discute, e cresce mais.

Descobri qual é o problema desse post. Eu tô falando por nós dois. O que eu quero mesmo é falar PARA a May, e que quem quiser possa ler, então vamos mudar de formato.

Meu bem, não vou dizer que foi o simples fato de te conhecer que mudou minha vida. O que mudou minha vida foi termos passado os últimos quatro anos juntos, podendo contar um com o outro, podendo conversar sobre qualquer coisa a qualquer hora, dos assuntos mais pitorescos aos mais cotidianos – como “que mesa a gente quer comprar pro nosso apartamento?” e nunca sentir que o outro não tava dando importância para a questão.

Os últimos dois meses e meio, longe de você, pareceram moleza, mas agora que você tá aqui é que tô vendo como os PRÓXIMOS meses é que vão ser moleza! Não, eu não tava sozinho, nem de longe. A gente conversou de tudo, e não dá pra dizer que tomei nenhuma decisão sem antes passarmos por ela juntos. Sério, a gente escolheu cada móvel da casa online, argumentando prós e contras, pra depois ir comprar. Eu montei boa parte deles conversando com você no skype, no que eu acho que foi o dia mais calorento de toda a minha vida. Eu te mandei uma mensagem quando vi um esquilo atravessando a rua. Eu te mandei mensagem quando vi o preço da Nutella no mercado, eu te mandei mensagem quando me mudei, te mandei mensagem quando cheguei, mandei mensagem na aula, quando tava indo no cinema, de manhã, de tarde, de noite e de madrugada, e nunca fiquei sem resposta.

Eu sei que esses dois meses em São Paulo tavam foda, que era greve, era TCC, eram vários sonhos de vida entrando em conflito, a distância e os fusos horários atrapalhando a comunicação, aulas, internet ruim, compromissos e mais UMA CHUVA DE COISAS PRA RESOLVER, mas você conseguiu, e agora tá aqui. É engraçado pensar nisso – que a gente conversou hoje no mercado. Se não fosse por você, eu provavelmente não estaria em Vancouver agora. Se não fosse por mim, você provavelmente também não estaria em Vancouver agora. Foi graças a uma mega retroalimentação de sonhos e planos mirabolantes em dupla que conseguimos chegar até aqui. E vai ser contando um com o outro que a gente vai conseguir continuar por aqui, e correr atrás das coisas que a gente sonha.

Nesses pouco mais de dez dias que passaram desde sua chegada meu dia-a-dia já ganhou um brilho que nunca teria sem a sua presença – passear de bike pela cidade, se atirar no trânsito, ver pôr-do-sol rosa, comprar bicicleta, andar até acabar as pernas, fazer almoço em casa, tocar violão de noite – só olhar pra você, ou fazer carinho nas suas costas já é mais que suficiente pra me fazer sorrir e ficar em paz.

E quando a gente encontrar desafios, sei que vamos enfrentá-los juntos, seja pra vencer, seja pra perder. O resultado vai ser sempre igual para os dois. Eu nunca vou perder se você ganhar, e nunca vou ganhar se você perder. Quero que você saiba (e se prepare! haha) que se eu for pedir ajuda pra alguém, vai ser pra você. O contrário também é válido e se precisar de ajuda, é só me gritar que eu mergulho de cabeça pra te apoiar.

Toda vez que eu tô sentado nessa mesa e olho pra você na minha frente, não tem como não pensar que a gente tá nesse país sozinho, por nossa conta, e que nossas decisões dizem respeito apenas a nós mesmos. Não tem “fugir pra casa”, “fugir pro pai ou pra mãe”. Nossa casa é essa, casa pra mim é onde a gente (eu e você) é responsável por tudo que acontece, que entra e que sai. A gente não tem que pedir autorização de nada pra ninguém e é uma sensação de independência tão surreal que sou muito feliz de ter você pra dividir a responsabilidade. Tomar todas as decisões é fácil. O desafio é achar alguém que a gente confie tanto a ponto de mudar de decisão e saber explicar porque mudou. Você é essa pessoa pra mim. Acho que começar uma família é por aí.

E te amo por topar começar uma família comigo quando eu perguntei, sem saber direito onde, como e quando:
“Quer casar comigo?”
Você disse que sim.

Sexta foi um dia muito louco. Na quinta a gente foi na BestBuy comprar umas caixinhas de som, e já fizemos um mega projeto de multi-conexões entre a turntable, tv, computadores e celulares, tudo com um turbo sonoro proporcionado por um treco chamado “soundbar” que eu nunca tinha visto na vida, mas que tem bluetooth e torna a vida toda uma grande praticidade. Desde então, a gente tá constantemente ouvindo música e mandando alguma coisa de som pra tal barra, só pra aproveitar a possibilidade.

Bom, isso era só um parênteses pra falar de sexta, e agora vai. Logo que a May chegou aqui, a gente foi num brasileiro, via facebook, que tava se desfazendo de sua bike, e comprou a desgramada por $150. Barato, por uma bike com freios e pneus novos, e em bom estado de funcionamento. A May não tinha se adaptado muito na primeira andada, então fiquei usando essa bicicleta ao longo da semana, pra testar. Na quarta, estourei a corrente na hora que tava começando a andar pra sair de um sinal, na rua, indo pra aula. Tive que ir o resto do caminho a pé, carregando a bike e voltar empurrando pra casa, mais tarde. Nada pior que andar por ruas lotadas empurrando uma bike, sério.

Então, na sexta, como tínhamos tempo, resolvemos ir na mesma loja onde o Nicko tinha comprado a bike dele, porque queríamos consertar a corrente, trocar o guidão por um mais alto, ver uma cesta, trocar o banco, o escambau. Um tune-up total na pobre bike. Chegando lá, o vendedor já deu uma bronca na gente, porque a bike era claramente maior que o tamanho adequado pra May. Nem arrumando tudo aquilo, a bike ficaria boa. Tinha que vender essa e comprar uma nova, numa loja de bikes, pra ser do tamanho certo, e ter garantia de que tá tudo funcionando.

Depois do pânico de ter que procurar uma nova bike, criamos coragem pra passar em casa, deixar essa problemática descansando na varanda e partir pra Ride On Again, onde comprei a minha bicicleta também, pra procurar uma menorzinha pra May. Juntamos todas as moedas da casa pra poder pegar o ônibus. Não dava o total que precisávamos. Entramos numa loja de conveniência e compramos uma água e um chocolate, pagando com $50, só pra conseguir mais moedas. O plano deu errado, e não ganhamos quase nenhuma moeda de troco, mas a mulher da loja disse que era tranquilo pagar com cédulas, que o motorista não podia recusar nem expulsar a gente do ônibus.

Fomos então pro ponto e ficamos esperando o bendito. Depois de vários minutos e muitas piadas terríveis, o ônibus apareceu e embarcamos. Falando com o motorista, tomamos uma mega bronca, de que era nossa responsabilidade ter as moedas pra pagar, que a máquina não aceitava notas, etc. No fim, ele perguntou pra onde a gente tava indo, e deixou a gente andar de graça. Aí um cara virou pro Nicko e pediu pra tirar uma selfie “com ele e sua barba”. Acho que foi a coisa mais inusitada do dia. Depois disso, a viagem seguiu sem maiores surpresas e chegamos na Ride On Again rapidinho.

Lá, a May foi muito bem atendida e acabou comprando uma bike nova bonitíssima, capacete, tranca e todos os aparatos pra poder andar pelas ruas. No caminho de volta já aprendemos como pegar ônibus carregando a bicicleta (tem uma paradinha na frente do ônibus, onde você põe a bike, pura tecnologia), que foi mais uma das lições do dia. No finzinho da tarde, resolvemos sair de bike, pra praticar um tanto – a bike do Nicko é fixa, e freia conforme ele pedala mais devagar, e ele SEMPRE tem que pedalar, inclusive nas ladeiras mais absurdas. A May também tava querendo ganhar mais confiança pra andar pelas ruas, mas não tava se sentindo muito bem e acabou ficando em casa.

Fomos eu e o Nicko, pela orla até o Stanley Park. Tentei achar o caminho pra dar a volta no parque todo, mas acabamos saindo antes do meio do trajeto, por motivos de “nos perdemos”. Na volta pra casa passamos por umas ladeiras escrotíssimas e chegamos colocando os pulmões pra fora pela boca. Combinamos de ir de novo hoje cedo, e aí sim fomos os três, e consegui achar o caminho pra dar a volta completa no parque. No fim, andamos perto de uma hora e meia, e rodamos quinze quilômetros sem muita exaustão (exceto pro Nicko, que pedala freneticamente o tempo todo). Comemos até um crepe salgado com limonada na volta pra casa, pra abastecer o estômago com comidinhas.

Voltamos pra casa e aí nos separamos de novo. A May tava com fome (não se interessou muito pelo crepe) e ia no mercado caçar alimentos. Eu e o Nicko criamos coragem pra andar mais uma hora e meia, incluindo metrô, até a Main Street para comprar componentes eletrônicos e trabalhar numa idéia de seta para as bikes, tipo uma de carro mesmo, que você aciona no guidão, e uma luz pisca atrás, indicando o lado para o qual você pretende virar. Visitamos duas lojas diferentes, na mesma quadra, uma a menos de 30m de distância da outra, e com atendimentos tão radicalmente diferentes, que mal pareciam vender a mesma coisa. Entre nossos itens da lista, tinha uma bateria USB. O cara da primeira loja nem entendeu o que diabos era uma bateria USB e tentou vender carregadores de celular para carro pro Nicko, entre outras tralhas. O da segunda loja tinha a bateria, mas como era recém chegada, ele se recusou a vender até terminar sua bateria de testes, garantindo a qualidade do produto. Fiquei impressionado e admirado com essa atitude.

Quando já estávamos voltando pro metrô, lembramos que uma peça tava faltando e tivemos que voltar pra loja, que agora tava lotada, e levou vários minutos até sermos atendidos de novo… No fim, saímos abastecidos e nos arrastamos no caminho de volta pra casa. Por aqui, a May tinha feito um almoço delicioso de carne de panela e batatas que a gente se afundou. Depois, ficamos duas horas e meia ouvindo Dave Van Ronk e soldando pecinhas uma na outra, até o circuito todo funcionar perfeitamente de primeira tentativa.



Agora só falta fazer o resto todo das setas, e tá pronto (até parece que é moleza assim). Vai dar um trabalho do caralho, mas se conseguirmos concluir tudo, vai ser incrivelmente bonitinho, prático, seguro e resistente. Quantas qualidades, hein?

Bom, chega disso, vou colocar aqui um vídeo do treco funcionando, só pra não ficar um post desimagético.

Medidas de (in)Segurança.

Ontem a gente resolveu fazer o tradicional Salmão do Nicko de um jeito diferente, sem o papel alumínio que normalmente envolve os componentes da receita. O peixe tava grudando muito no papel e rolava um mega desperdício. O resultado da experiência não foi lá muito positivo, e tivemos algumas rajadas discretas de fumaça saindo do forno, que levaram a um surto por parte do alarme de incêndio. O surto do dito cujo nos levou às tais medidas do título, adequadamente ilustradas na imagem abaixo.

Quero deixar registrado que NÃO vamos manter o alarme tampado, porque sabemos do perigo que isso constitui, mas também é importante ressaltar que o tupperware + fita crepe funcionaram perfeitamente em sua função de isolamento, e já sabemos como fazer frituras e outras coisas fumacentas sem chamar os bombeiros!

Nicko, Jeni e May!

Agosto foi o mês das chegadas. Bom, na prática começou em Julho, mas quando o Nicko chegou já era dia 28, então vamos arredondar pra cima. O Nicko veio pra fazer o mesmo curso que eu, só que começando dois meses depois. Salvo engano, dia 28 era Domingo, e o Paul tinha vindo pra cá no Sábado. Peguei um colchão inflável gigante emprestado com o Fernão, e quando já estávamos capengas de sono depois de ver House of Cards, cada um foi pra seu colchão dormir. Aí a gente começou a conversar os assuntos mais aleatórios, e de repente já eram 5 da manhã e tava ficando claro.

O vôo do Nicko ia chegar às 8h e estávamos deprimidos pelas poucas horas de sono que teríamos. Comemoramos ao receber uma mensagem dizendo que ele tinha se confundido com os horários, e que na verdade chegava às 11h. Na ausência absoluta de sono, resolvemos então que era melhor parar de conversar e tentar ver algo mais psicodélico no Netflix, pra apagar. Resultado: Twin Peaks derrubou nós dois em menos de vinte minutos.

Poucas horas depois, acordamos e saímos às pressas pro aeroporto, explorando pela primeira vez o caminho via transporte público. Achei que ia ser demoradíssimo. Da hora que a gente fechou a porta do apartamento até o saguão do aeroporto foram exatamente 50 minutos. Nada mau para uma caminhada de 8 quadras e mais umas dez estações de metrô. Ficamos lá esperando, não muito tempo, até o Nicko aparecer. Aí já sabíamos o caminho de volta pra casa, e fomos contando histórias de coisas drasticamente diferentes entre o dia a dia no Brasil e no Canadá. Em casa, o drama: sair pra almoçar, ou esquentar uma pizza? Óbvio que a pizza ganhou, por três votos a zero.

Como a gente tava completamente sem noção depois de dormir umas poucas horas, achamos que seria uma boa idéia fazer um passeio de boas vindas que envolvesse tudo que há de radical no cotidiano de Vancouver: andar, comprar computador, pegar metrô, pegar seabus, ir no walmart, fazer compras pra semana, comer na praça, voltar pra casa de noite e morrer. No fim da jornada, tava todo mundo quebrado. O Paul ficou em casa, lá pras bandas de North Van mesmo, e nós voltamos o pedaço restante do caminho, quase arrastando os pés de cansaço. Pelo lado positivo, agora o Nicko já tava preparado pra todos os tipos de deslocamento necessários na cidade.

No dia seguinte eu só tinha aula às 4pm, então saímos pra resolver rolês de banco, telefone e tudo mais. Rapidinho, tranquilo. Saindo do banco, achamos que seria uma boa ir até a Ride On Again pra ver se achávamos uma boa bike pro Nicko, afinal, uma bike é sempre uma boa. Andamos mais um bilhão de quilômetros, sob um Sol escaldante, fomos pro lado errado, voltamos, achamos a loja, andamos mais, não tinha bikes interessantes, voltamos às pressas, cheguei em casa em cima da hora, subi na bike e fui pra VFS. Tive minha única aula do dia lutando contra o cansaço e desenhando um monte de frames de animação 2D. Nesse mesmo dia eu perdi meu caderninho de anotações e minha lapiseira. Uma tristeza. Ainda não fui nos Achados e Perdidos investigar se tá lá, ou se perdi na rua mesmo. Preciso lembrar de fazer isso. Era uma ótima lapiseira, e anotações em caderninhos são sempre uma boa de se ter por perto (tava na PENÚLTIMA página).

Ah, claro, esqueci de falar, o Nicko tava ficando aqui em casa, no bendito colchão inflável que eu tinha pego emprestado. Ia ficar por aqui até dia 14, com a chegada da May e da Jeni. Nessas duas semanas, tivemos muitas noites de modelagem, com diversos desafios, explicações e debates ao redor do Maya vs Lightwave, programação para iPads, livros infantis e coisas do gênero. Nos finais de semana o Paul veio pra cá, e a gente (leia-se: o Nicko) fazia coisinhas (leia-se: salmão assado) pra almoço, trabalhava em assignments, projetos e idéias por um tempo, depois começava a jogar computador em rede. Na primeira noite, fomos de 8pm às 3am numa única fase de Left4Dead 2, trabalhando nosso espírito de teamwork e xingando as burradas feitas pelo único personagem controlado pelo computador. Na semana seguinte, não fomos madrugada adentro, mas ainda jogamos um monte, e passamos de bem mais missões. Nosso lanche/sobremesa era o quitute do sorvete com Nutella, numa técnica exclusiva e patenteada que ainda não posso postar por aqui pois posso ser processado por furto de propriedade intelectual.

Não sei se foram as aulas, se o tempo é assim mesmo, ou qualquer coisa, mas essas duas semanas passaram voando.

Dia 14, por milagre ou coincidência, foi o ÚNICO dia no Term inteiro que não tivemos nenhuma aula na VFS, apesar de ser um dia de semana. Então lá estava eu no aeroporto de novo, pra resgatar a May e a Jeni. Elas tinham vindo a primeira parte da viagem – até Toronto – no mesmo vôo, mas depois se separavam – a Jeni pegava um vôo mais cedo, e a May vinha no seguinte. Cheguei no horário exato do desembarque do vôo da Jeni (Air Canada 103), e vi todo mundo sair, MENOS a Jeni. Achei que ela podia estar lá dentro, esperando a May, e fiquei ali por perto, sempre visível e atento, mas não a encontrei. Alguns minutos depois, chega o vôo da May, vinte minutos antes do horário previsto, e assim que ela percebe que a Jeni ainda não apareceu, começa a surtar de preocupação. Pior ainda foi quando encontramos a mala dela girando na esteira de bagagem, sozinha. A última mala do vôo anterior, que ninguém tinha pegado. Bom, pelo menos a mala tava lá, né?

Pra completar a cena, lembrei que tinha perdido uma ligação de madrugada, de um número de Ontário. Fomos questionar um funcionário da Air Canada, que falou que era super comum essa conexão São Paulo > Toronto > Vancouver dar merda, porque o tempo é muito apertado, mas que colocariam ela no vôo seguinte sem falta, e que logo mais ela estaria chegando. Fomos olhar então o horário do próximo vôo, e vimos que tava adiantado também. Nem saímos de perto da esteira de bagagem. Botamos as malas da May num carrinho, sentamos no chão perto dele, e ficamos comendo bolachinhas, bebendo água e suando de preocupação, sem notícias da menina desaparecida.

Tentamos ligar de volta pro número que tinha me ligado de madrugada, e nada. O telefone dizia que esse número não podia receber chamadas. Estranho. Deveras estranho. Depois de mais uns minutos, ó o diabo do mesmo número ligando de novo! Atendi, já pensando que a Jeni estaria em Toronto, embarcando àquela hora, mas felizmente ela já tava em Vancouver, e aquele número era de um cartão telefônico (?!) que uma funcionária da Air Canada tinha dado pra ela usar.

No caminho pra casa ela contou dos tormentos vividos no aeroporto de Toronto, e sobre como ela conseguiu ser premiada e encontrar todos os canadenses grosseiros do país em uma única madrugada. O caminho do metrô até em casa também foi um sofrimento, porque as malas eram enormes e pesadas, e tava todo mundo cansado e com fome – ansioso pela chegada das meninas, não tinha conseguido nem comer nada de café da manhã e a fome só foi voltando lentamente ao longo do dia. O plano era sair de tarde para resolver banco, telefone, essas coisas básicas. Não rolou, todo mundo dormiu a tarde inteira – inclusive eu -, depois do nosso almoço de macarrão ao molho branco. Por conta disso, contratei o Nicko pra acompanhá-las e ajudar nessas empreitadas no dia seguinte, quando eu estivesse na aula.

Ao longo dessa semana que a Jeni ficou aqui – agora era a vez dela de habitar o colchão inflável da sala -, só consegui sair com elas em um dia, quando fomos ao Stanley Park, a pé. Aí foi um passeio daqueles que eu adoro aprontar sem saber. Andamos 10km até chegar de volta em casa. Resultado: o Nicko deitou no chão da varanda pra descansar, a May desligou em cima da cama, a Jeni capotou assistindo A Nova Onda do Imperador, e eu fiquei sentado, meio tentando fazer assignments, meio dando risada do filme, meio pensando nos meus pés e pernas exaustos. A gente chegou até o Aquarium, alegres e serelepes, e ficamos absolutamente arrasados ao ver que o preço de entrada era $34 por pessoa. Desistimos na hora, e foi aí que começou nossa jornada de volta.

Acho que o ponto alto do passeio foi quando encontramos um guaxinim perto do Beaver Lake, e ficamos discutindo a fofura da criatura por vários dias que estavam por vir. Sério, guaxinins são muito fofinhos e tem uma cara muito expressiva!

Depois desse dia, só encontrava as meninas em casa depois da aula, quando elas geralmente já tinham voltado de seus passeios diários, e tinha trocentas histórias pra contar. No fim das contas, só consegui sair com elas de novo no último dia da Jeni aqui, quando fomos ao Denny’s, comer frango e peixe, pra conhecer o lugar.


No Denny’s, comendo frango e peixe

Ainda assim, essa semana foi muito engraçada porque as duas ficavam fazendo piada o tempo todo em casa, e a gente fez um bocado de coisas legais por aqui – como cozinhar, ouvir música, conversar da vida e ver Parks and Recreation, pra não me alongar em exemplos. Ah, teve um dia de noite também que a May tava falando que sentia falta do violão, e que tocaria violão agora, e que ia ser muito triste viver sem violão, e a Jeni disse que ia dar um violão pra ela, de até $100. Fomos então todos à Craigslist (célebre!) e caçamos um aqui perto, por $80. Mandamos mensagem e o carinha respondeu na hora. Eram umas quatro quadras de distância. Fomos lá imediatamente, e já voltamos com o violão nas mãos, comprado de um mexicano que tinha vindo pra Vancouver passar o verão, e levava a viola pra tocar na praia. Que tal? Coincidentemente, passamos pelo mesmo sujeito na quinta feira, quando fomos levar a Jeni no aeroporto.

UPDATE, CORREÇÃO, ATUALIZAÇÃO!

Não sei como, mas consegui esquecer de uma puta aventura que a gente fez nessa semana, aquele tal passeio introdutório a Vancouver, de ir no Walmart! Era o meio da tarde, eu só tive aula de manhã e eestávamos os três em casa, listando coisas que precisávamos providenciar para a casa (mais roupas de cama, panelas, panos de chão, panos de prato, travesseiro, etc). Aí partimos para o metrô, cada um com sua mochilinha nas costas, pra transportar as coisas de volta pra casa. Mandei mensagens pro Paul, e ele foi encontrar a gente na saída do Seabus. De lá, fomos percorrendo os vários quilômetros até o walmart a pé, conversando. Chegando lá, no centro de delírios consumistas (duas vezes eu já comprei pretzels de chocolate, só porque pareciam ok e tava barato), fomos investigando os corredores à procura dos itens da lista. Vários deles foram muito complexos, como um forro pra cama, a cor dos lençóis novos, que travessa seria ideal para o bolo de batata (considerando tamanho vs preço vs confiabilidade da marca), chaleiras super caras, e por aí vai. No fim, conseguimos achar praticamente tudo que precisávamos e partimos pra fila, não sem antes comprar umas guloseimas pra reforçar a tradição do lanche pós-walmart. Na fila, ficamos vários minutos praticando tetris até conseguir dividir todas as nossas compras de forma adequada entre as três mochilas.


Na pracinha tradicional do Walmart

Entre os quitutes, tínhamos morangos, donuts, muffins com gotas de chocolate e acho que só. Tava todo mundo meio de barriga cheia pra lanchar dessa vez. Os morangos foram sucesso. Donuts: só o primeiro era bom. Se você começasse a comer o segundo, ia mudar de idéia no meio de uma mordida e desistir. Muito manteigoso, sei lá, estranho mesmo. Na volta pro Seabus, o povo veio cantando músicas clássicas do passado, discutindo versos e coisas assim. Nos separamos na descida para o barco, onde o Paul seguiu pra casa com suas compras, e nós seguimos para atravessar os trilhos do trem.

Esperando o sinal pra atravessar a rua, a Jeni viu uma sorveteria (Marble Slabs?) que elas tinham planejado visitar, e desistido porque era muito longe. Realmente, se era em North Vancouver, era muito longe mesmo! Mas como já estávamos ali do lado, entramos pra tomar um sorvete ao por do sol. Mentira, já tava quase escuro nessa hora. O lugar era MUITO colorido e saturado e tinha enormes fotos de sorvetes e doces na parede. Sério, tive a sensação que a luz era rosa, e as paredes laranjas. Enfim, o sorvete era uma coisa muito louca: você pode podia pedir uma bola só e escolher quantas coberturas quisesse (caldas, m&m’s, farofa de amendoim, minhoquinhas de gelatina, e mais uma porrada de coisa. Acho que o pote tinha mais coberturas do que sorvete em si, mas tava delicioso!


Abraçando os painéis coloridos da sorveteria

FIM DO UPDATE! AGORA SÓ TEM MAIS UMA FOTO MESMO!

Na quinta – também o último dia do Term – fomos levar a Jeni no aeroporto (DE NOVO ESSE AEROPORTO, MEU DEUS, QUE COISA POPULAR NESSE POST!) e, depois que a May quase cancelou a viagem da prima numa daquelas maquininhas de auto-atendimento, clicando numa opção que não faz nenhum sentido de sequer existir numa máquina de auto-atendimento, descobrimos que o vôo dela pra São Paulo tinha sido adiado em UM DIA INTEIRO, e ela ficaria ociosa por mais de 24h no aeroporto de Toronto. Em desespero, apelamos para a atendente da Air Canada responsável pelo check in, e depois de uns quinze minutos batendo no teclado e apertando coisas no telefone, a moça conseguiu trocar toda a viagem da Jeni (que ia primeiro pra Calgary, depois pra Toronto, e depois pra São Paulo), pra ir direto pra Toronto, dali a algumas horas, e em seguida para São Paulo, sem o tempo de espera ridículo que fora introduzido sem aviso prévio.


Despedida, nos corredores do YVR Airport

Felizes com essa solução, e tristes com a partida, nos despedimos nos corredores e nem ficamos esperando a Jeni entrar no portão de embarque porque nossos tickets de metrô só tinham mais alguns minutos de validade, e não estávamos com dinheiro para comprar novos – no aeroporto eles são MUITO mais caros que o normal. Voltamos pra casa e passamos muitas e muitas horas trabalhando numa limpeza geral de todos os ambientes, depois que eu fui voando de bike na VFS entregar meus trabalhinhos finais e voltar. Sério, a gente varreu, lavou, espanou, limpou, esfregou, enxaguou, e todos os outros verbos de limpeza que vocês conseguirem pensar nessa casa.

Finalmente esvaziamos o colchão inflável, liberamos um puta espaço na sala, e a casinha que antes era pequena agora parece uma mansão. Ok, menos. Parece um apartamento não tão atolado de coisas. E assim se encerra o calendário previsto de visitas pra nossa casa. Agora somos só eu e a May por aqui, e o Nicko por perto, sempre dispostos a aprontar alguma coisa pela cidade. Hoje foi uma aventura de caça às bikes, mas conto melhor essa história amanhã. Tô com sono, e não tenho mais trabalhos pra entregar até o começo do próximo term, então vou aproveitar pra dormir e descansar.

Férias, Por Uma Semana.

Pronto, agora sim acabou. Pelo menos deu pra fazer tudo do assignment de lighting com calma, e experimentando um bocado ao longo do processo. Postei no facebook ontem, e hoje vou detalhar melhor aqui. O objetivo era criar uma composição usando os objetos que a gente fez nas aulas de modelagem (aqueles no post de baixo). Logo que comecei a pensar nesse assignment, pensei em fazer referência a algo com um estilo visual forte, reconhecível num primeiro olhar. Considerando a “época” dos objetos e sua variedade, uma boa opção era um escritório de detetive, com uma pegada noir. O noir me levou a Bioshock Infinite, que me levou às profundezas de Rapture, a cidade submersa de Bioshock (os dois primeiros e DLCs de Infinite). Rapture poderia acomodar aquele estilo de objetos sem muito esforço, tem uma luz totalmente não-realista – iluminada por imensas janelas que dão para o fundo do mar.

Aí começou a mistura. Fui atrás de referências de dentro dos jogos, com print-screens, concept art e até algumas horas de replay do primeiro jogo. Cacei muitos vídeos no youtube e compilações de ambientes, ao longo das últimas três semanas, muito antes de começar a mexer no ambiente de fato. Nem tinha terminado de modelar as coisas, mas já tinha uma boa coleção de imagens pra me inspirar. Tipo essas aqui.





Daí, fui extrapolando conceitos e anotando idéias pra criar uma “história” contida nesse único frame estático de imagem. Isso me levou a pesquisar mais coisinhas que não estavam inclusas no programa de aulas, como mapas de transparência pra fazer a marca de batom no copo, fumaça pra dar volume à luz da janela, e até um render pass pra jogar a imagem no Nuke e ser capaz de forjar a profundidade de campo e desfoque do fundo. Ao longo desse processo, de sair de uma imagem com só alguns objetos até o resultado final, eu ia dando render e salvando de vez em quando, para facilitar comparações e alterações, e ver o que cada luz fazia, onde cada objeto ficava melhor, etc etc.

No fim, vi que tinha uma quantidade razoável de imagens e montei esse gif daqui de baixo, mostrando a evolução, de uma das primeiras versões, até o final, onde a cada versão algo mudava de lugar, entrava uma luz, coisas eram alteradas, e renders se acumulavam. Como a resolução de entrega era MUITO pequena, fiz tudo dobrado, pra poder postar aqui mais bonitinho, e isso pesou no tempo de processamento. Na véspera da entrega, deixei o computador processando a fumaça, reflexos e o diabo, até de manhã. Ele parou em algum momento da madrugada, mas já tinha feito quase tudo. Com esse render pela metade, vi alguns erros, salvei a imagem e fui produzindo apenas os pedaços que precisavam de ajustes – o chapéu, por exemplo, ganhou uma cara de aço, em uma das versões, que era pavorosa. Aí renderizei só ele de novo, e assim vai. Fiz versões sem cortina, e com a gaveta fechada, pra ver se era muita diferença, e acabei ficando com a versão mais cheia de todas.

As imagens em preto e branco no final são os passes de profundidade de campo, onde cada objeto tem um “tom” de branco a preto, baseado em sua distância da câmera. Isso é interpretado pelo Nuke, e você define onde o foco tá. Com base na diferença entre a luminância do que tá selecionado e do que tá na frente e atrás, ele projeta um desfoque que funciona mais ou menos como uma câmera fotográfica, e dá resultados bem legais mesmo.

Nesse processo, fiquei muito feliz de ter me sobrecarregado investindo fins de semana e noites em antecipar os trabalhos que estavam por vir, pra poder deixar tudo de um jeito que eu não achasse muito fuleiro, especialmente levando em conta a trabalheira absurda que eu tenho com modelagem. Sério, pra fazer a arma, foram MUITAS noites, quase uma semana inteira, fazendo um pedacinho de cada vez, dias inteiros só resolvendo pepinos e sem dar um passo pra frente sequer. No fim, até que ficou bem bonitinha, e quase não dá pra ver em lugar nenhum, aí fiz mais esses renders laterais pra mostrar texturas, ranhuras, reflexos e detalhes (o Taurus no cano tá meio forte, e foi suavizado na versão final, mas tô com preguiça de abrir o Maya agora pra atualizar essa foto).


Isso nos leva à versão final da composição, da qual ainda estou muito orgulhoso porque é meu primeiro filho desse curso! Nada nela foi muito fácil de fazer, e o tanto de coisa que aprendi, pra fazer um único frame, é algo totalmente sem noção. O rolê na VFS é intenso, e não tem como não aprender. Não sei se já falei isso por aqui, mas não custa repetir. Ou aprende, ou aprende. Pra encerrar essa parte “nova” do post, vou agradecer aqui também ao Paul e ao Nicko por diversas opiniões, horas em explicações, dicas, pepino-solving, companhia e piadas ao longo desse processo todo. Se não fosse por eles, a coisa seria bem diferente. Vou agradecer também à paciência da May e da Jeni, que já estavam por aqui nessa última semana, e me aturaram com o computador ligado de madrugada, acordando cedo e carregando bike por cima da cama, quase não fazendo companhia pra elas enquanto exploravam a cidade. Pronto, chega. Tomem aí o frame.

Agora, pra aumentar o post, pros curiosos, vão de novo meus renders de assets, agora nos ângulos certinhos. Depois que eu já tinha passado infinitas horas fazendo cada um desses manualmente, o François fala que tem um projeto pronto, que é só importar os objetos e mandar um batch render, pra fazer tudo junto de uma vez só. Perdi mais algumas horas refazendo tudo (ok, foi só meia hora pras coisas cinza e wireframe). O render dos objetos texturizados demorou um bocadinho a mais. A garrafa em particular consumiu quase quarenta minutos pra exportar as cinco rotações.

Enfim, como é mais coisas quase repetida, vou deixar escondido com um link, e quem quiser ver, clica.

Read the rest of this entry »

Trabalhos Finais.

Mais um post com um monte de imagens sem sentido. Tá aqui o resultado final de todos os assets que fizemos nas aulas de modelagem. Mais pra baixo tem versões texturizadas. Esse revolver foi o inferno de fazer, levei muitos e muitos dias, fiz um monte de coisa errada, e tive que refazer trocentas vezes. No fim, até que ficou bonitinho, mas não ficou funcional, como queria ter feito no começo. Enfim, já to muito feliz de ter conseguido terminar tudo com alguns dias de vantagem em relação ao calendário!







Depois dessa chuva de modelos, vamos agora às mesmas coisas, mas agora com texturas, ranhuras, sujeiras e defeitos. Gostei bastante de como todas elas ficaram, à exceção do chapéu, mas como refiz quatro vezes, aceitei o jeito que ficou, e é isso aí.






Vamos engrossar essa lista com os trabalhos finais de animação, que levaram um tempinho pra fazer, mas é tudo sempre tão mirabolante, que eu não sei se fico triste porque não sei desenhar e aí meus desenhos são simples, ou feliz porque me falta a autocrítica e consigo fazê-los muito rápido! hahahaha. Nesse aí embaixo, foram quase duzentas folhas de papel, em cinco camadas diferentes, fotografadas em ordens variadas e ordenadas de forma a fazer sentido. Bom, não exatamente completo sentido, mas algum sentido! Ao longo do Term, a gente desenhou bolinhas pulando, bolinhas com caudas, bolinhas de pesos diferentes e sacos de farinha. Nesse último, o objetivo era juntar o saco de farinha com a bolinha pulante, e incluir alguma interação entre eles. Inspirado pela camisa de um colega, e com muita vontade de fazer algo completamente louco, incorporei à minha animação mudanças de gravidade e portais dentro da página.

Segunda de manhã era pra ter uma reposição de aula, mas ao chegar lá, descobrimos que não ia rolar. Aproveitei o ensejo pra já terminar meus desenhos – tinha feito um monte de elementos na última aula, e ia usar essa pra terminar. Infelizmente o programinha de captura é bem limitado, e essa animação “maravilhosa” está limitada a essa resolução porca que aparece aqui. Algum dia eu capturo ela em HD, ou não, né, é só um exercício mesmo, e assim já dá pra ver 95% dos meus detalhes e traços!

Por último, o trabalho final de animação 3D, que é a animação de uma lâmpada, tipo aquela da Pixar, interagindo também com uma bouncing ball. Bem mais tranquilo de fazer do que o 2D, mas bem menos divertido também! Não tem aquela sensação de liberdade oferecida pelo papel em branco e lápis!

E aqui acaba o Term. Na verdade, é amanhã, mas só falto entregar um trabalho, que já tá bem adiantado e termino hoje à noite. Hoje foram as últimas aulas e estou quase liberado de tudo por uma semaninha de folga antes do começo do próximo Term!

No próximo post vou contar direito das aventuras da May e da Jeni por aqui, e falar do resgate no aeroporto e mais um monte de coisas épicas que estão faltando. Por enquanto, só o obrigatório, do curso mesmo!

Rumo ao Fim do Term 1.

A última semana foi uma grande insanidade. Segunda feira foi um feriado nacional, que não tem nenhum significado especial. É o “Civil Day”, que é simplesmente um feriado que acontece em toda primeira segunda feira de Agosto. Não é comemoração de nenhuma batalha, não é dia santo, não é nada, só um dia de folga pra todo mundo, porque o país merece. De bônus em cima disso, Vancouver promove o Free Transit Day, onde todo o transporte público é gratuito, pra qualquer lugar, a qualquer hora. E, claro, rolam mega festas de rua e praia aqui perto. Acho que foi um dos dias mais movimentados que já passamos por aqui, uma loucura!

No Domingo o Paul veio pra cá, e nós três (o Nicko também tá aqui em casa, eu nem falei isso, né?) praticamente viramos a noite jogando Left4Dead em rede, trucidando zumbis e correndo pra cima e pra baixo atrás de tanques de gasolina. Nada mais eficiente pra esquecer todos os problemas de modelagem, surfacing e similares.

Bom, depois do feriado, nos quatro dias úteis restantes, tive 10 aulas de três horas cada, com assignments pelo meio e acumulando coisas pra semana final do Term. Quando acabou, o fim de semana passado parecia ter sido meses atrás. Uma sensação bizarra. Aulas até 4 ou 7pm, e mais algumas horas de trabalho em casa, pra adiantar o serviço de modelagem (tinha uma cadeira infernal pra entregar na quarta feira), e levei muitas e muitas noites trabalhando nela.

Por fim, sexta chegou, e pude voltar pra casa e trabalhar em outras coisas até altas horas da madrugada sem me preocupar em acordar para a aula no dia seguinte. O modelo da vez é um revolver, que tá meio emperrado, mas vai andar nos próximos dias. Além disso, investi um tempão em texturas e mapas pra os objetos que já tinha modelado aqui e tô gostando bastante de pra onde elas estão caminhando. Tá pela metade, mas já dá pra ter um preview por aqui.


De novo o Paul veio pra cá, e ficamos muitas horas jogando Left4Dead, pra esvaziar a cabeça. Paz de espírito através do extermínio de zumbis à base de balas e machadadas. Quando não estávamos jogando, estávamos trabalhando em assignments variados ou comendo alguma coisa feita pelo Nicko, ou sorvete com nutella, que é só saúde, nesses fins de semana calorentos.

Somado a essa lista de atividades e trabalhos, amanhã é a entrega final de Design, e como já tinha terminado o Darkroom, fiquei responsável pelo Stablishing Shot, que fechamos a partir do modelo mais pobre da nossa casinha. Aí o Pan me passou uma versão turbinada do cenário, com muito mais detalhes, e parti pra traçar tudo, pintar e forçar uma luz meio 3D, meio na mão. Tem a evolução aí embaixo, e a versão final com, e sem, blur. Prefiro a versão com blur, porque parece mais “real”, mais foto, onde você tem um foco, e o mundo é mais um pano de fundo, mas no trabalho final acabamos colocando a versão sem blur, justamente por mostrar mais detalhes.





Fiz uns rascunhos – também na semana passada – pro nosso Moment Shot, que é quando as crianças vêem uma foto reveladora naquele darkroom (trocadilhos propositais). Depois a Luisa passou muitas horas trabalhando na versão final da imagem, que ficou deveras foda e é meio que um mix da primeira e segunda opções abaixo..



Caso alguém tenha curiosidade, o link pra download do PDF em baixa qualidade tá aqui, e tem mais ou menos 9MB. Hoje também tivemos a última aula de Team Building, com direito a prova e tudo, e foi beeem interessante. No geral, todas as aulas foram bem interessantes, e olha que é foda competir com o Maya e o Nuke!

Nessa semana também tá rolando o SIGGRAPH por aqui, que é uma master blaster conferência de tecnologia e computação gráfica de ponta, e devo passar por lá na quarta feira à tarde, com o Nicko e o Paul, pra conferir o tradeshow. Tá tendo um monte de palestras e apresentações em vários horários, mas as entradas eram ridiculamente caras, e o tempo tá muito escasso pra poder aproveitar mais dessa onda.

Quinta feira a May chega, afinaaaaaal, com a Jeni, que vai ficar aqui em casa por uma semaninha, aproveitando o fim do verão canadense! Tava (ainda tô) morrendo de saudade! Por milagre ou coincidência, quinta é o único dia útil do Term que não temos NENHUMA aula, então vou poder ir no aeroporto buscá-las!

Chega, esse post tá muito confuso, mas o objetivo principal era postar as fotos, e falar que a May tá chegando, então tá completo. Quando tiver mais coisas e histórias que façam sentido vou postando.

Proxies, Luz e Maya.

Depois da semana retrasada, os professores de Design mandaram fazer exatamente o que eu já tinha feito, de modelar e desenhar por cima. Aparentemente eu tinha entendido uma coisa que não tinha sido dito de forma declarada, e fiz daquele jeito. A entrega dessa semana é informal, e só precisamos de rascunhos. Dividimos as tarefas melhor entre a equipe, e continuei traçando os desenhos. Por enquanto tenho a casa de Andi, mas fiz uma brincadeirinha com luz também – apesar de quê, na próxima versão, vai ser dia, e não noite.

Também dei um up no darkroom, com o ampliador, a privada numa escala mais normal, e uma tábua em cima da pia. As caixas foram deslocadas pra dentro do box, e a iluminação agora tá bem mais power que o preview da última versão. O quarto agora virou responsabilidade de um colega de equipe, o que foi algo muito bem-vindo, senão estaria levemente sobrecarregado!


Além disso, tivemos novas tarefinhas de Lighting, e a idéia agora era iluminar o mesmo quarto – em outro ângulo – usando apenas fontes de luz artificiais. A primeira coisa que o Craig falou foi “não usem a chinesa no teto, porque ela é muito complexa”, e imediatamente me senti obrigado a fazê-lo. Passei umas 6h mexendo nessa cena, e deve ter umas trinta luzes aí dentro, a maioria delas fazendo só alguns detalhezinhos discretos, mas que significam uma boa diferença no geral do quarto. Tá aqui o resultado.

Hoje pretendo ficar por aqui, matando assignments e adiantando o máximo de tarefas do final do term enquanto ainda é tempo. Gastei TRÊS HORAS, pra modelar uma porra de um cinzeiro do inferno, e o Nicko ainda deu vários palpites e me ajudou a melhorar a parada. Pelo menos agora tá bonitinho. Falta um charuto, pra hoje, mas esse não tem como ser complicado.

Ah, como boa parte das coisas que estão aparecendo por aqui são relativas à VFS, é bem provável que comecem a aparecer posts em inglês também. Quando for algo relativo a reflexões, e passado, vou em português. Fica o aviso!

UP17 – Flares

Retomando a coluna do mês passado, dessa vez teremos mais detalhes sobre as coberturas que são aplicadas aos elementos ópticos das lentes visando melhorar sua qualidade e, ainda mais importante, seu rendimento luminoso.

Ao final do século XIX, a fotografia se desenvolvia a passos largos, tanto na forma de arte como na forma de ciência. Projetos de novas lentes surgiam a lentamente, resultados de muita matemática, física e cuidado artesanal na hora de cortar e polir cada elemento de vidro que seria utilizado em sua construção. Um verdadeiro tesouro, mas longe da perfeição.

Um problema ainda sem solução era o fato de que entrava muito mais luz pela abertura da lente do que a luz que era projetada na forma de imagem sobre o filme. Essa dispersão decorria, principalmente, da diferença entre o índice de refração do ar, e do vidro, os dois meios que compõem uma lente. A cada elemento óptico atravessado pela luz, parte dos raios luminosos se dispersava devido à curvatura do vidro e ia parar longe de seu foco, mas ainda incidindo sobre o filme. O resultado dessa dispersão: raios desordenados, ricocheteando de um lado para o outro nas superfícies internas entre cada elemento óptico e chegando ao filme, onde provocavam grande perda de contraste e cor nas fotografias – aquele flare esbranquiçado que, de vez em quando, aparece numa foto.

Como o vidro não tinha qualquer tipo de proteção ou cobertura, conforme envelhecia, era comum que surgissem manchas em sua superfície. Em 1886, Lord Raileigh pesquisava uma forma de combater essas manchas quando descobriu que o vidro manchado transmitia mais luz do que o vidro limpo, novo, e que as manchas melhoravam a transição entre os meios físicos ar – vidro. A partir daí, a química tomou conta e foram-se descobrindo que camadas finíssimas, de materiais específicos (metais raros, em sua maioria), aprimorava essa transmissão de luz, além de eliminar reflexos indesejados e filtrar cores específicas. Para visualizar isso com clareza é só olhar o reflexo de uma fonte de luz sobre o elemento dianteiro ou traseiro de uma lente: esse reflexo nunca é “da cor da luz”. A tendência atual é que ele seja verde, ou lilás, devido ao fluoreto de magnésio empregado nas camadas superiores.

O nome “multi-coating” vem do fato de serem diversas dessas camadas, com espessura de alguns poucos nanômetros, fazendo os degraus entre o índice de refração do ar (1.0) e o do vidro (1.6) e garantindo menos dispersão de luz, proteção contra flares e até mesmo contra pequenos riscos. Essas camadas são presas ao vidro através de um processo físico de metalização em alto vácuo que garante que elas não vão se soltar sozinhas, cair ou se desfazer com o tempo.

Mesmo com toda essa proteção, existem fontes de luz tão intensas que, quando expostas numa fotografia, provocam flares, mas agora de forma muito mais controlada do que aqueles encontrados no começo do século. É comum que esses flares sejam pequenas manchas coloridas, bem definidas, no formato da abertura da lente (pentágonos e hexágonos são as formas mais comuns). A variação de cor de cada manchinha é dada justamente pelos diferentes elementos utilizados em seu coating, em combinação com a qualidade e cor da fonte de luz. O número de manchas também varia bastante, de acordo com a lente utilizada.

O ponto agora é saber lidar com essa característica. Não é necessariamente um defeito, quando trabalhada de forma criativa. Mas, se for um defeito, também já temos as ferramentas de como combatê-lo, especialmente se a fonte de luz não estiver aparecendo na fotografia, estiver acima, abaixo ou nas laterais do quadro: é só colocar a mão para cobrí-la!


Coluna Ultrapassagem, Publicada originalmente na Revista OLD #31, em Março/2014

Perca Peso.

Hoje foi dia de tarefas mais domésticas. Dei uma geral na casa, fui no mercado porque tava praticamente sem comida – sem PÃO! -, e fiquei muito feliz quando cheguei lá e o pacote tava por $2, ao invés dos tradicionais $4. Comprei logo três, e brinquei de quebra-cabeça pra fazer caber tudo na mochila. A volta do mercado pra casa tem uma ladeira escrotíssima pra vencer de bike, e juro que nos próximos meses vou me dedicar a conquistá-la sem tanto esforço. Tem que colocar na marcha mais leve de TODAS, e ir subindo devagarinho, senão não tem condições. A desgraçada mede umas quatro quadras seguidas! O bom é que quando ela acaba, eu já to do lado de casa, e parece que o resto do caminho passa num piscar de olhos. Depois, fui correndo – de bike de novo – buscar uma panela de pressão que a May achou pelo Craigslist – peguei uma descida IMENSA, que achei que ia sair voando antes de chegar no fim. Foi divertido, saí de casa atrasado e cheguei adiantado pra encontrar o camarada.

O título do post é referência a uma música dos Móveis Coloniais de Acaju, que embaralha a letra pelo meio, e tem uns versos muito divertidos, em particular “Deixe seus sonhos de lado/Use as facas para o jogo”, que na verdade é um remix de outros versos, que aparecem algumas estrofes antes.

Falando em remix, se você tá com quarenta minutinhos livres, recomendo assistir esse documentário grátis, feito ao longo de dois anos, dividido em quatro capítulos, que fala sobre a cultura moderna, e como nossas criações artísitcas são baseadas em copiar, combinar e transformar. É MUITO interessante, cada episódio passa rapidinho, e vai provavelmente vai mudar seu jeito de ver filmes, ouvir músicas, ou pensar nos grandes inventores da história da humanidade.




Agora chega de videozinhos, tenho que desenhar mais cenários por aqui. Mais tarde posto novidades.

« Older entries