UP16 – Streak Flare

Com a melhor câmera que existe, e uma lente maravilhosa, você está lá, fazendo sua foto, quando repara algo estranho no quadro. Uma parte onde as cores estão mais lavadas, o contraste mais baixo, uma névoa esbranquiçada aparece. Num susto, já vamos olhando dentro da lente à procura de poeira ou fungos, mas não há nada. Com uma análise menos desesperada, nota-se o reflexo de uma luz intensa no elemento frontal. “Ah, é um flare”, um defeito ‘genético’ das lentes, uma vez que em seu interior existem diversos elementos de vidro, separados por ar. O flare surge quando uma luz intensa entra, e acaba se refletindo de diferentes formas em cada um dos elementos internos da lente, podendo chegar ao sensor de formas muito diferentes.

Às vezes são manchas brancas, que tiram o contraste e a nitidez de determinada parte da imagem, oras são muitos desenhos coloridinhos, oras são padrões de arco-íris, semi-círculos e traços. O que nos é ensinado no primeiro momento é que flares são ruins, e que devemos sempre utilizar os parassóis das lentes para mantê-los fora das fotografias. O objetivo dessa coluna é subverter essa idéia. Flares não são sempre ruins, especialmente quando usados na criação de um estilo próprio de imagem.

Muitos meses atrás, na primeira Ultrapassagem aqui da OLD, apresentamos as lentes anamórficas, lentes raras e especiais, com muitas características únicas. De lá pra cá, encontramos diferentes alternativas para atingir resultados similares, com muito menos esforço e mais facilidade para se trabalhar. Entre essas características únicas que acabaram não-tão-únicas-assim, temos os flares anamórficos, que atualmente são moda não apenas nos mercados de baixo orçamento, mas também em grandes produções hollywoodianas.

Flares anamórficos sao compridos, e (geralmente) azuis. São bem diferentes dos flares convencionais e têm muito mais personalidade. Tomando como referência os filmes do diretor J.J. Abrams, flares anamórficos são uma constante, e e possível identificar sua autoria em poucos segundos de tela.

Para produzir esses famigerados flares, pode-se usar um filtro Streak Flare. Seu efeito é justamente a combinação dos dois nomes: ele cria flares que se esticam numa linha reta a partir da fonte de luz. Tradicionalmente é um quadrado de vidro com muitas linhas bem finas, todas num mesmo sentido. Existem diversas variações desse filtro, determinadas por dois fatores.

O primeiro desses fatores é a cor. Num filtro neutro, os flares terão a mesma cor da fonte de luz. Se a fonte for azul, os flares são azuis, e assim por diante. Existem versões onde o flare é colorido, que podem enganar melhor, afinal a grande maioria das anamórficas não muda a cor de seu flare, independente da cor da fonte luminosa.

O segundo fator é o espaçamento entre as linhas, dado em milímetros. Quanto mais próximas, mais intensos ficam os flares. Dá pra ver a diferença no efeito criado por essas distâncias no site da Optefex, fabricante dos filtros. É um equipamento caro e difícil de ser encontrado. Estão esgotados há bastante tempo nos fabricantes e só locadoras de equipamento estrangeiras têm esses aparatos. Com muita sorte, aparecem no eBay.

Atentando pras luzes desfocadas na imagem produzida, é possível perceber muitos pequenos traços verticais. São as linhas do filtro, por onde não passou luz suficiente para “preencher” o desfoque igualmente. Outra situação em que ele falha é para grandes fontes de luz, onde grande parte do quadro ganha uma mancha horizontal, com várias linhazinhas finas. Para fontes pequenas como lanternas, LEDs, faróis, ou lâmpadas sem difusão, o efeito é bem convincente!

Na próxima coluna, vamos falar um pouco melhor sobre coatings e propriedades do vidro que geram flares e outros defeitos ópticos que estamos constantemente combatendo!


Coluna Ultrapassagem, Publicada originalmente na Revista OLD #30, em Fevereiro/2014

Andi’s Room.

Nesse primeiro Term, na VFS, a gente tem muitas matérias técnicas. Ferramentas pra atingir resultados. Acho que a única matéria que não é técnica, é mais criativa, é Design 1. Nela, desde a primeira aula, estamos, divididos em cinco grupos de cinco ou seis integrantes, trabalhando na criação do estilo visual para uma animação cartunesca, que é resultado de uma mistura de Cloudy With a Chance of Meatballs e Super 8. É uma história com crianças e alienígenas, ambientada numa cidadezinha montanhosa do Canadá, Ladner (que na verdade tem o visual da cidade real de Revelstoke, e não da verdadeira Ladner), enfim. Recebemos um briefing, e cada equipe é responsável por criar os cinco personagens e um ambiente onde acontecem cenas importantes.

Nossa equipe, de número 2, ficou responsável pela casa e quarto de Andi. Andi é uma menina que vive com o pai, nos subúrbios da cidade, num loteamento barato, e mora no porão, onde fez seu quarto improvisado, dividindo espaço com o aquecedor e outras utilidades da casa. Andi não é muito sociável, gosta de fotografia e explora a cidade e seus arredores pegando carona. Ela não liga para seu visual, e poderia ser confundida com um garoto.

Na divisão de tarefas, cada integrante do grupo ficou responsável por desenvolver um dos personagens e, como temos seis pessoas, um seria responsável pelo desenvolvimento dos ambientes (o exterior da casa da garota, seu quarto no porão, e o banheiro, onde ela improvisou um estúdio de revelação fotográfica). Na primeira entrega, só precisávamos apresentar referências, então fiquei num papel meio de coordenar a equipe pra não faltar nada, e responsável pelo visual de um dos personagens. O resultado não foi muito legal. Na verdade, no geral, a gente ouviu muitas críticas e ganhamos sugestões de mudanças drásticas. As referências para o ambiente eram essas aqui embaixo. Os professores apontaram que a casa tava muito curta, o quarto não parecia um porão, ou improvisado, e não tínhamos nada representando o darkroom.

Para a segunda entrega, essa de forma não-oficial, eles só precisavam ver nossos esboços pós-críticas, e dar dicas do que desenvolver mais, ou o que mudar, para a segunda entrega oficial, que é nessa terça feira. Dessa vez, troquei de papel com o bróder que fez o ambiente, e agora ele ficou responsável por Eli, enquanto eu era o encarregado pelos ambientes.

Lembram quando eu tava declarando meu ódio pela pintura do escorpião robô? Então, com desenho eu tenho mais ou menos a mesma birra. Eu sei que não tá ficando bom, e isso dá uma desanimada enorme pra seguir adiante. Semana passada peguei várias horas durante o Sábado e Domingo, e fiquei rabiscando os três lugares. No fim, achei que eles tinham problemas, mas o visual estava consistente, sem estar demasiado pobre. Perspective is a bitch, então tava tudo torto mesmo, e assumi isso. Eram só esboços, então foda-se. O mais relevante, nesse tempo, é que eu realmente me diverti desenhando, e me sinto muito mais à vontade desenhando retas e coisas inorgânicas do que pessoas, ou poses. Ó aí o que saiu, se liga em como essa casa tá torta!

Como a casa tava ridiculamente torta, e a entrada do quarto da menina tava difícil de ver, adotei esse ponto de vista meio em primeira pessoa, com distorção de lente. Nessa hora, a experiência de fotografia ajudou um bocado, e segui a mesma linha para as internas.



No feedback dos professores, eles gostaram do nível de detalhe, apontaram umas questões estruturais na casa, várias alterações no quarto – tava tudo muito amontoado, e difícil de separar. Na realidade, Andi tinha mais ou menos metade do porão, e o resto do espaço é onde ficavam as tranqueiras da casa. Eles também sugeriram modelar os lugares no Maya, pra pegar os traços, perspectiva e dimensões, e depois desenhar com base nos modelos.

Quando chegou Quintafeira, resolvi tentar essa brincadeira, e fiz os modelos mais porcos do mundo, pra ter o que seguir. Não respeitei nada que diz respeito à um modelo organizado, ou limpo, e tenho muitos choques de linha, coisas tortas, faces faltando, enfim, mas conseguia ver o que queria, pra traçar em cima. Comecei com a casa. Depois de mais de uma hora apanhando do Maya, consegui renderizar com linhas e jogar o treco no Photoshop. O modelo e a primeira versão do traçado estão a seguir.


Isso foi na Quinta. Na Sexta, conversei com o resto da equipe, e pedi opiniões de pessoas que manjam de desenho, pra ver o que podia melhorar. Aí fiz uns ajustes e a versão final é essa aqui:

Aí, ontem o Paul – que foi uma das pessoas que pedi opinião, e que deu uma puta ajuda – precisava tirar umas fotos de textura pra um exercício dele, e combinamos de fazer isso juntos, aqui em downtown. Quando ele chegou eu tava terminando de modelar o quarto. Mostrei a casa finalizada, e ele ficou um tempão me explicando coisas de perspectiva, desenhanho, apontando, e provando que faz sentido, além de não ser impossível de dominar. Saímos, passamos horas na rua tirando fotos de becos, prédios, ruas, carros e tudo mais. Conversamos mais uma pá sobre desenho, perspectiva, e ele me passou várias técnicas pra melhorar o traço, e dominar melhor essa arte, afinal, uma pessoa que trabalha com imagem e sabe rabiscar coisas sensatas é mais apta a se expressar, do que outra que só consegue usar as palavras.

Voltei pra casa de noite, e terminei de modelar a parada.

Aí comecei a desenhar. Tinha um pedaço tosco, voltei pro modelo, redesenhei, terminei. Depois fui ajustando umas linhas, pra ficar mais bonito.

Depois de mais bonito, e tudo certinho onde deveria estar, fui brincando e colocando detalhes, coisas que caracterizassem o espaço como o quarto de Andi, e não um lugar aleatório, num porão. Quando já eram 2:40 da manhã, cheguei na versão final – enquanto conversava um monte com o Paul, mandando screenshots, e ele mandando screenshots do que tava fazendo lá, trocando opiniões em tudo.

O darkroom era o desenho que eu mais gostava. Achava que não dava pra melhorar a atmosfera que tava ali, e fiquei enrolando vários minutos até começar a modelar. Por fim, resolvi seguir um enquadramento bem parecido, e colocar mais detalhes, e de forma mais civilizada que no desenho original. Quando fui dormir, umas 3:30am, já tinha terminado, e esse tinha sido bem mais fácil – e mais limpo, em termos de modelo – que os dois anteriores.

De noite, sonhei com esse diabo de desenho, e ficava acordando o tempo todo, pensando que tinha esquecido de algo, que tinha perdido o prazo, etc, essas coisas normais de aflição com o trabalho. Depois de acordar às 6h30, 7h20, 8h40 e 9h30, resolvi levantar. Mal tomei café, e já tava desenhando. Esse foi mais demorado pra traçar. Tinha linhas mais longas, uma perspectiva mais louca. Depois de um tempo, já tava achando que o traço tava ficando limpo demais, e comecei a sujar. Não tive uma etapa intermediária, e depois de traçar as linhas principais, fui entupindo de detalhe. E ESSE TEM MUITA COISINHA.

Por fim, pra dar um clima de darkroom, fiz uma versão pintada de vermelho, com vinheta pro escuro. Na outra semana a gente deve colorir as coisas, e fazer as alterações sugeridas, então isso já é meio que um preview do que vem por aí, mas que vai contar com sombras muito mais trabalhadas – afinal, esse não tem nenhuma sombra mesmo!

Agora chega de desenhar por hoje – ou, pelo menos, pelas próximas horas. Tenho que almoçar e modelar uma garrafa de whiskey.

“Mas você já escreveu um post pra sua mãe, Tito!”

Eu sei, mas o blog é meu, e eu faço o que eu quiser. Então lê aí.

Resolvi escrever esse texto porque acabei de ler um texto dela, falando de algo tão comum, e tão triste, de forma tão bonita, mas tão bonita, que to chorando há vários minutos. Nesse processo, muitas coisas me ocorreram, e senti que era importante pra ela saber tudo isso, e colocando aqui, conto com a ajuda de vocês pra incentivá-la também.

Minha mãe sempre foi uma contadora de histórias. De minhas memórias mais antigas, bem pequeno, tenho várias dela lendo histórias de livros pra Lila e pra mim. Contando histórias de cabeça quando a gente viajava, inventando jogos com histórias, inventando histórias, fazendo companhia nas situações mais bizarras (lembro de estar sentado no banheiro, passando mal e vomitando pra cacete, e desesperado com isso, enquanto minha mãe tava ali do lado, pra ajudar no que fosse possível, e contando histórias novas pra me acalmar e distrair – e isso não foi só uma vez. Foram algumas).

Depois de uns anos, juntou com amigas e formaram um grupo, de contação de histórias. Lembro muito disso também, de ver as apresentações mil vezes, ver os ensaios, ouvir minha mãe preparando as histórias enquanto a gente ia pra escola, pedir opinião em alguns pedaços, perguntar o que a gente tinha achado, o que a gente achava que o público tinha achado, o que podia melhorar, que histórias eram mais legais que outras, e por aí vai.

Vira e mexe, quando ela lia algo muito incrível, ou nossas discussões muito loucas chegavam num ponto aleatório, ela lembrava de algo de psicologia (sempre Jung), e pegava o livro, e lia um trecho, que a princípio parecia imcompreensível para mim – um menino entre 13 e 25 anos – mas que depois de mais alguns minutos começava a fazer sentido.

E minha mãe sempre gostava de escrever. No começo tinha um blog. Quarto com Baú, um design rosa, e alguns posts, cada vez mais espaçados. Acho que durou menos de um ano. Parou. Começava a escrever histórias, via coincidências na vida e na história, amarrava as duas coisas, lia pra gente, pedia opinião. Com minha mãe não tem texto “mais ou menos”. E nessa onda de escrever, gostava de alugar os ouvidos de quem estivesse em casa. Às vezes era meu pai, às vezes era Lila, às vezes era eu. De vez em quando, ninguém queria muito ouvir, e só falava que tava bom, ou ótimo, nunca muitas sugestões. Eu sempre considerava isso uma daquelas “obrigações de família”, tipo almoço de domingo, que tem que ter todo mundo em casa, ou “ir todo mundo junto para o aniversário de fulano, e ficar pelo menos X horas na festa”, mesmo sem ninguém conhecido por perto. Enfim, essas coisas que a gente faz porque não tem opção.

Aí o tempo foi passando e não sei quando o quadro mudou. O ponto é que agora eu já morava em São Paulo, e tava muito menos tempo perto de minha mãe pra ter ouvidos alugados. Mas mesmo assim, ela não desistiu. Alugava os olhos agora, mandava por email, e pedia opiniões. Eu nunca tinha muito o que falar, pra mim, se um texto cumpre o que ele promete no começo, a chance de eu achar bom é grande. Mas dona Fátima não é assim (e devo muito a ela por isso). A coisa era mais interessante quando eu não entendia absolutamente nada do que tava escrito. As idéias não encaixavam, ou eu não entendia o que ela queria dizer. Aí eu escrevia de volta, falando que não entendi, e chutava um monte de coisa, se tava interpretando pelo caminho certo. Falava o que tinha gostado, o que não tinha.

A coisa ficou louca mesmo acho que no último ano de faculdade, quando ela também já tava fazendo um curso de pós-graduação, e tendo que entregar trabalhinhos escritos. Nesse mesmo ano eu tava escrevendo minhas colunas pra OLD (essas Ultrapassagens que aparecem aqui de vez em quando). E assim como ela sempre me alugou pra revisar textos, sempre que pedi a opinião dela em qualquer coisa escrita, o resultado ficava anos luz à frente do que tinha sido o ponto de partida. O NOME Ultrapassagem foi resultado de uma discussão nossa por email!

Enfim, sempre que eu mandava uma versão de coluna pra ela, rolava um grande vai-e-volta com alterações de um lado e de outro, até chegarmos num resultado que os dois achassem que estava bom. E aqui estamos falando de revisões que duravam HORAS pelo skype, com muitos emails e google docs compartilhados. Quando eu escrevia uma coluna muito em cima da hora e não dava tempo de passar por revisão, tenho CERTEZA que minha mãe lia na revista, mas nunca comentou nada que poderia ser diferente em nenhuma delas. Nunca agradeci por isso. Sempre soube que elas poderiam ser melhores, assim como me sentia mal de ter escrito em cima da hora. E, óbvio, não ia ajudar em nada se ela virasse pra mim e falasse “poxa, meu filho, esse texto tá pobrinho hein?” ou “podia ser melhor!”.

Ah, importante mencionar, as colunas sempre tratavam de temas técnicos muito loucos de fotografia. Loucos mesmo. Ao ponto de serem coisas desconhecidas para muitos fotógrafos. Então porque diabos eu escolhi minha mãe pra me ajudar nesse processo? Motivo principal: porque se estivesse escrito de um jeito que ela conseguisse entender, qualquer pessoa conseguiria. Motivos secundários: porque minha mãe escreve muito bem, e do mesmo jeito que eu brinco e faço coisas que muita gente chama de arte com uma câmera e computadores, minha mãe faz isso com palavras.

Estando longe de casa, ler os textos de minha mãe era uma forma de me sentir mais perto dela, mais perto de casa (e ao mesmo tempo, aprender umas coisas psicológisticas e entrar em viagens muito loucas de lembranças reinterpretadas em forma de texto), então aquilo que antes era uma obrigação de família, virava um passatempo e daqueles mais interessantes, que você não faz de qualquer jeito, pra acabar logo, que nem palavras cruzadas. Era um daqueles jogos onde você quer achar todas as respostas e segredos. E aí, todos os anos de convivência me ensinaram uma coisa: minha mãe não tem apego pela FORMA que as coisas estão escritas. O importante é passar a mensagem, é ser entendido. O texto não é pra ela, é pro leitor. Então, sei que ela não vai ficar magoada se eu disser que não gostei de um texto, ou sugerir trocentas alterações, e até dar uma podada no estilo “Fátima” de escrever. Ela não simplesmente “escreve”, ela brinca com as palavras, vai colocando uma junto da outra, brinca com os significados, brinca com as grafias, com a ordem das letras, com o som, é uma coisa diferente, que nunca vi escrito em nenhum outro lugar. E é FODA.

Agora que todo mundo viajou (Lila tá em São Paulo, eu to em Vancouver, meu pai tá em Natal) e infelizmente os gatos não tem muita opinião sobre os textos. Na vontade de continuar tendo feedback e opiniões, e continuar escrevendo, ela criou um blog e tava escrevendo direto. Não sei se é porque a coisa tava meio em baixa, mas já tem duas semanas que ela não publica nada. Cada um dos posts lá é muito foda, e fala de temas assustadores como cabelos brancos, envelhecer, essas coisas que a gente é socialmente ensinado a temer. É como ver um pedacinho do mundo pelos olhos dela – e é um olhar tão mágico que dá vontade de ficar lendo mais e mais. Por isso, meu apelo: Mãe, não pare de escrever, não pare de contar histórias!

Muito do que vejo, leio, penso e interpreto, devo a você, que me ensinou que o óbvio e o normal devem ser evitados sempre que possível, mas não pra ser do contra, e sim porque existe um jeito mais bonito e humano de se fazer as coisas e ver a vida. Me ensinou também que o caminho mais simples pode ser o mais rápido, mas quase nunca rende boas histórias – e haja histórias contadas nesse blog porque, sempre que posso, evito o jeito comum de se fazer as coisas. E eu ainda lembro das histórias que você contava quando eu era pequeno, claro, e mais: aposto que quase todo mundo que já as ouviu ainda lembra.

Ah, vou ficar devendo pra vocês a história de quando a gente achou um passarinho machucado e levou prum centro do IBAMA, de madrugada. Quem sabe ela mesma não resolve contar essa história, do jeito dela, e eu conto depois como era minha perspectiva?

Histórias (in)comuns.

Ao longo do fim de semana testemunhei duas situações incríveis, uma delas me fez bater a cara na parede, com meu preconceito, e a outra é só uma curiosidade mesmo. Vou começar com a menos relevante.

Ontem, voltando pra casa depois do almoço, pingando de suor – suei mais ontem do que na escalada da montanha toda – passei por uma galera na rua que tava pegando água numa fonte, dessas de frente de prédio mesmo, e jogando no rosto, e nos amigos, pra se refrescar, tamanho o calor. E eram canadenses mesmo, não eram turistas, nem mendigos! Acho que eu nunca teria coragem de fazer isso em São Paulo. Primeiro, porque a água estaria podre, segundo porque na hora que eu encostasse na fonte, ia aparecer um guardinha ou segurança pra me enxotar, com certeza.

Agora, a segunda história, mais relevante. Sábado, tava voltando do Walmart, descendo do Seabus, abraçado com meu balde e lixo, e saí logo atrás de um grupo de três jovens (dois rapazes e uma moça), meio mal vestidos, meio com cara de mochileiros, e que riam de tudo, apontando pras pessoas ao redor. Logo pensei que estavam dando uma de malandros, tirando sarro da galera, e fechei a cara.

Como o barco tava lotado, o ritmo de caminhada era lento, e não tive opção senão continuar perto deles. A saída vai direto por um corredor. Nesse corredor, tem uma portinha que você pode passar pra pegar o caminho pra entrar no barco de novo, ou sair pelo lado oposto – vazio. Lá foram os três pela portinha, se achando os espertões, driblando a massa que seguia pelo corredor lotado.

Uma coisa importante de lembrar: sempre que tem gente saindo do Seabus, tem alguém disparado pelos corredores, tentando chegar no barco antes de ele partir. Estava o grupinho atravessando o corredor pelo qual as pessoas vêm, e passa uma mulher a toda velocidade. No que ela passa, o celular dela cai. Pronto, pensei que aí ia confirmar todas as minhas suspeitas, eles iam pegar o celular e partir.

Acabei quebrando a cara. O celular mal encostou no chão, a menina já tava abaixando pra pegar e correndo atrás da mulher, enquanto os dois camaradas tentavam chamar a atenção da moça e dos seguranças, com gritos, pra ela não embarcar sem celular.

Tenho certeza que, do jeito que aconteceu, nada mais passou pela cabeça da menina além de “EITA PORRA, PRECISO ALCANÇAR AQUELA MULHER PRA DEVOLVER O CELULAR DELA!”. E isso me impressionou muito. É claro que eles conseguiram devolver, e apesar de estar redondamente enganado sobre o grupo, fiquei muito feliz em estar errado. De lá pra cá, já tenho olhado tudo ao meu redor de outro jeito, sem o padrão de “não pode vacilar, porque vai ter alguém pra te sacanear”, e isso é muito tranquilizador.

Ah, mais uma pra essa lista, que lembrei agora: a bike de um colega nosso – uma bike novinha, caríssima – tinha sido roubada, na primeira semana de aula, de uma vaga NA FRENTE da escola. Ele tinha ficado só com um das rodas. Prestou queixa na polícia e ficou torcendo pra encontrarem mas, ao mesmo tempo, já se preparando pra comprar uma bike usada, e mais barata. Ontem a polícia ligou pra ele, dizendo que tinham encontrado a bicicleta dele e prendido o ladrão. Nos próximos dias ele vai receber bike de volta. Dá pra acreditar nessas coisas?

IKEA e a Mobília.

Fim de semana agitado rende mais de um post! Era pra ter escrito ontem, mas acabei de arrumar tudo muito tarde e precisava dormir pra ir pra aula hoje.

Bom, o domingo começou de madrugada. Apaguei às 22h de sábado, derrotado pela montanha. Resultado, acordei antes das 4h da manhã de Domingo. Tinha combinado com o Fernão de ir na Ikea umas 10h30, então tirei umas horinhas pra resolver os benditos desenhos da aula de Design (que ainda tenho que terminar hoje), e umas paradinhas de Team Building. No fim das contas, todo mundo atrasou, e partimos (Fernão, Maísa e eu) para a Ikea perto de meio dia, com direito a gato-e-rato no metrô, onde eles desceram por uma escada e eu subi pela outra, e depois o contrário, tudo isso enquanto mandávamos mensagens pelo celular.

A viagem de Skytrain e ônibus levou uma hora, e no meio do caminho a gente ficou vários minutos perdidos procurando o ponto de ônibus certo. Ah, e tava fazendo UM CALOR que não é desse país, e a gente na rua, debaixo de um Sol de rachar. Aquelas camisas de $3 foram uma benção, porque já tava estreando uma delas.

A Ikea é tipo a Tok Stok, com algumas diferenças básicas. Tudo é de boa qualidade, e você consegue mobiliar uma casa inteira em poucos minutos. Ao invés de tudo ser ridiculamente caro, como é na Tok Stok, é ridiculamente barato.

Eu e a May já tínhamos escolhido nossos móveis a dedo pela internet, e fui lá porque tava indicando que a loja tinha todos os itens que queríamos. O delivery tava salgado a $99,e podia ser que melhorasse indo pegar na loja. A idéia original era dividir a entrega entre nós, pra ficar mais em conta pra todo mundo.

Depois de três horas passeando pra cima e pra baixo, anotando código e discutindo possíveis alterações por whatsapp com a May, resolvemos começar nossa jornada de saída do showroom. Nesse processo, encontramos com o Luka, um colega de curso, que tava lá pra comprar uma mesa, e resolveu entrar na festa do delivery.

Depois do showroom, quando achei que a loja tava acabando, começavam os setores de acessórios. Pratos, copos, toalhas, almofadas, tapete, vasos, plantas falsas, coisas de cozinha, decoração, o caralho a quatro. Muitos e muitos espaços disso.

Depooois disso tudo – eu passei quase correndo, porque não tinha nada que me interessava lá. Aí chegava a parte do self-service de verdade, onde você pega todos os códigos de produtos (com corredores e prateleiras indicados no showroom), e vai colocando as caixas no carrinho. Tudo bem se você for comprar pouca coisa, mas quase me quebrei todo nessa parte, levantando caixas pesadíssimas, apelando pra todo o meu senso de equilíbrio e colocando as paradas no carrinho.

Essa parte é um galpão. GIGANTE. Sério, acho que é o maior espaço que já estive dentro. Surreal, com prateleiras, caixas, corredores e estantes do chão ao teto, abarrotadas de móveis de todos os tipos.

Saí feito barata tonta procurando os lugares certos e carregando as caixas. No fim das contas, tinha achado tudo, menos a mesa, que o computador dizia “request personal assistance”. Fiquei quase meia hora até conseguir achar um diabo de um funcionário. Por fim, o carinha imprimiu uma folha de papel com um código de barras e disse pra apresentar no caixa.

Depois disso, consegui a mesa – que pesava mais 30kg. Todo mundo já tava com suas mobílias e fomos investigar jeitos de transportar tudo pra nossas casas em downtown. O transporte da Ikea só ia chegar no dia seguinte, e custava $79. Resolvemos pegar dois táxis, e rachar os custos. Vim com o Luka, e cada um de nós gastou $25.


Carrinho de compras, com uns 80kg de madeira.

O taxista despejou a gente aqui no prédio – ele literalmente disse que não podia continuar a corrida, que precisava voltar pra Richmond. Tiramos tudo do carro, inclusive as coisas do Luka, que ia ficar em oooutro lugar. Ele me ajudou a carregar minhas coisas pra cima, e como eu precisava entregar o robô escorpião, peguei uma carona no táxi dele até perto da VFS.

De lá, AFINAL, fui almoçar – já eram 6pm e o calor continuava ridículo. Combinei com a Luísa de pegar as ferramentas dela pra montar os móveis, e fui encontrá-la na praia. Desci de bike e, literalmente, pedalei uma única vez, ao longo de oito quadras, porque era tudo descida.

A praia tava LOTADA. Nunca vi uma praia tão cheia antes – e olha que vi muita gente em Salvador. E era um clima muito festivo, uma coisa louca. Peguei as ferramentas com a Luísa, que tava lá aproveitando o Sol e desenhando (as coisas de Design também).

Cheguei em casa umas 7pm, e queria terminar de montar toda a mobília (duas cadeiras, dois pufes, um móvel de TV, uma estante e uma mesa expandível) até 22h, pra dormir cedo. Até parece que eu consegui, né?

Fui acabar quase meia noite, suando feito um condenado, porque o calor não deu trégua, e mesmo com a varanda aberta, o ar não tá circulando nos últimos dias. No processo de montar os móveis, prendi bem uns cem parafusos, coloquei suportes, apertei tábuas, levantei e me perdi no manual, foi um Lego, versão doméstica, com instruções tão complexas quanto qualquer cenário elaborado.

Meus dedos já estavam todos no bagaço, e eu já tava morrendo de cansaço. Só tive força pra tomar um banho, pra voltar a ser gente, cair na cama e dormir.

Hoje de manhã dei uma olhada na sala, e apesar de ter móveis, o apartamento agora parece maior do que vazio. Que tal? Agora já tenho mesa e cadeiras, que tornam o processo de trabalhar e escrever algo muito mais agradável!


A casa, mobiliada.

UP15 – Lightfield

Com todos os benefícios oferecidos pelo formato raw, não é difícil afirmar que, depois de feita a foto, praticamente tudo pode ser ajustado e modificado. Exceto o foco. Uma foto desfocada, ou com o foco no lugar errado está irremediavelmente perdida.

E como funciona o foco, numa câmera fotográfica? Resgatando alguns princípios de física, quando os raios luminosos entram pela lente em suas diversas direções, a curvatura do vidro faz com que eles se reencontrem do lado de dentro, sobre o sensor. A parte mais importante desse funcionamento é que assuntos posicionados a diferentes distâncias da câmera, resultam em imagens diferentemente afastadas uma da outra. Por isso que existe o mecanismo de foco. Uma vez que a imagem formada é menor que o objeto real, o ajuste na posição do foco – dos elementos internos da lente – é pequena, e consegue alterar a distância de formação da imagem sobre o sensor. Por esse motivo que temos partes em foco, e partes fora de foco. Existem diversos fatores que influenciam essa percepção, como a abertura da lente, distância focal e tamanho do sensor, mas eles não serão levados em conta dessa vez.

E porque o foco é inalterável? Porque há apenas uma lente, e um sensor quando a imagem é registrada. Existe uma técnica chamada focus-stacking, que combina múltiplas fotos, com diferentes posições focais e produz imagens de foco inicialmente impossível. O tema da coluna desse mês contorna essas limitações. Light field é uma tecnologia ainda pouco comum, onde o sensor da câmera é revestido de pequeníssimas lentes, resultando numa imagem que armazena informação suficiente para permitir drásticas alterações de foco sem qualquer perda de qualidade na imagem. Claro, essas microlentes trazem consequências e aumentam muito o custo de produção do equipamento.

Há uma lente principal, que define o quão aberto ou fechado será o enquadramento, mas essa lente já não possui anel de foco. A empresa Lytro é a pioneira em trazer esse tipo de câmera para o mercado digital popular, mas o equipamento ainda tem sérias limitações, como um design estranho, uma lente fixa, usos limitados e baixíssima resolução. Os arquivos resultantes devem ser processados por um programa especial, capaz de interpretar os dados relativos às diferentes posições focais registradas, e exibir apenas uma delas para o usuário. O foco da imagem é alterado com um simples clique sobre a área onde se deseja ter foco.

Apesar de seus primeiros conceitos terem surgido em 1902, é só agora que essa tecnologia começa de fato a se expandir e ser pesquisada mais a fundo, em termos práticos. Ao longo dos próximos anos devemos ver mais produtos e técnicas capazes de resultados similares ou superiores, criando um novo mercado – a princípio amador, devido à baixa resolução.

Ainda vai passar algum tempo até que surjam câmeras, a nível profissional, que apresentem soluções similares e permitam que nós, fotógrafos, tenhamos mais liberdade e agilidade na hora de produzir uma imagem. Uma câmera plenóptica (nome mais charmoso para light field) seria excelente opção para fotógrafos em situações onde grande velocidade e precisão são exigidas, ou atenção aos arredores – como zonas de conflito, grandes festas populares, entre outros exemplos –, pois permite que o fotógrafo se concentre em outros pontos além da recorrente neurose de “conseguir uma imagem em foco”, e muitas vezes ter que descartar o que seria a melhor imagem de uma série, se não fosse o foco, levemente fora de lugar.


Coluna Ultrapassagem, Publicada originalmente na Revista OLD #29, em Janeiro/2014

Grouse Grind.

Fiquei em dúvida entre tantas opções de títulos para esse post, que vou até colocar mais dois aqui, eliminados por serem muito longos: “Outros 7 Dias, que pareceram durar um mês”, “O Dia Que Voltei Pra Casa Abraçado com uma Lata de Lixo”.

Bom, exatamente mais uma semana passou, dessa vez sem feriados e sem aulas canceladas, então o ritmo foi pesado. Tivemos 13 aulas de 3h cada, entre Segunda e Sexta, o que dá uma média de quase 8h por dia na VFS, socando coisas pra dentro da cabeça. Modelamos um chapéu, animamos uma bolinha e um pêndulo em 3D, pintamos um INFERNO de um robô escorpião (que vai aparecer mais pra baixo nesse post), fizemos várias atividades em equipe, para as aulas de Team Building e vimos trocentos cartoons nas aulas de História da Animação e VFX. Ah, afinal, começamos a brincar com o Nuke! Em casa mesmo, acho que só parei pra dormir.

Quarta feira, não tínhamos a última aula – que foi passada pra Quinta – então combinei de encontrar o Rob. Rob é um camarada que conheci no fórum EOSHD, o das lentes anamórficas, e que, descobri no meio do caminho, curiosamente morava em Vancouver. Melhor ainda, ele trabalha num estúdio de pós-produção pequeno, chamado Lux. Nos encontramos por lá, ele me apresentou um povo, conheci um sul-africano que também fez VFS e que me deu uns conselhos de atitudes úteis ao longo do curso. Depois, partimos para North Vancouver, onde o Rob mora. No caminho, fomos conversando um bocado sobre câmeras e lentes, e sobre adaptação a Vancouver. Paramos brevemente na casa dele para comer algo – pizza! – e conheci o resto da família – ou quase, porque a menininha mais nova, de seis meses, tava dormindo – mas Hailey (de dois anos e meio) ficou interagindo com a gente enquanto conversávamos, e depois foi brincar com a mãe, interessada pelos esmaltes muito coloridos. Conheci também os dois gatos que ele tem lá (ambos muito amigáveis e fofinhos). Depois, saímos no sentido oeste, e ele foi me contando umas idéias de curta que ele tá trabalhando em cima, além de histórias do estúdio, e de como era o mercado de efeitos visuais até alguns anos atrás, e como tudo mudou há relativamente pouco tempo.

Paramos em Whytecliff para apreciar a vista – o Sol tinha acabado de se esconder atrás das montanhas – e tirar umas fotos. Sentamos num banquinho perto de uma parede de pedra que acabava no mar lá embaixo. Ficamos mais um tempão conversando, tirei várias dúvidas que estavam a me atormentar, sobre mercado, sobre o que é bom de colocar no demoreel, como não se comportar, onde procurar material além do oferecido pela escola, onde procurar emprego, assim que me formar, e UM MONTE de coisas técnicas. Felizmente meu conhecimento de câmera vai valer ouro na área que pretendo trabalhar. Infelizmente, ainda vai levar uns meses até ele começar a ser útil no curso.


Praia de Whytecliff

De lá, já tava ficando de noitinha, começamos a voltar mas subimos metade da Cypress mountain, para apreciar a vista lá de cima. Tava escuro demais e não consegui tirar fotos com o celular, mas dava pra ver até bem longe, tudo com as luzinhas de prédios e casas acesas de noite. A lua cheia no céu tava fazendo um mega reflexo prateado na baía lá embaixo, uma coisa linda. O Rob comentou que em Vancouver todo mundo tem câmera, qualquer lugar que você vai, tem uma pá de gente tirando foto, e que isso acabou fazendo com que ele fosse fotografando cada vez menos e procurando lugares menos conhecidos, para ter fotos mais autênticas.

Enfim, ele me deixou no Seabus, e peguei o caminho de casa, já quase às 11pm. Combinamos de nos encontrarmos mais vezes, pra testar câmeras e lentes com mais tempo – e mais luz também.

Quinta feira fiquei 13h na VFS, por conta de aulas, intervalos e reuniões para trabalhos variados. Acho que isso vai acontecer mais vezes nessa semana, e tende a se intensificar, conforme os assignments forem se complicando. Voltar pra casa de noite foi uma alegria, e a bike torna tudo melhor na vida.

Anteontem – Sexta -, já tava começando a surtar com o assignment de pintura – o tal do escorpião – porque tinha investido MUITAS horas nele, e ainda não tava feliz com o resultado. Resolvi arrematar o desgraçado. Concluí que não gosto de pintar coisas, mas fui fazendo tudo com cuidado, pra ficar pelo menos passável. Ó aí o resultado. Queria que tivesse ficado melhor, mas tô em paz com o jeito que está.


12+ horas pintando esse inferno

Ontem de manhã dei uma varrida em tudo, coloquei o lixo pra fora e depois saí pra encontrar o povo no Canada Place, pois estávamos determinados a subir a Grouse mountain (são três montanhas bem próximas da cidade: Grouse, Cypress e Seymour). Partindo do Canada Place, o plano era pegar o ônibus direto das 10h, mas o diabo do ônibus lotou. A opção era esperar até o das 10h30, ou ir de transporte público (Seabus seguido por um ônibus normal). Achamos que o das 10h30 ainda estaria lotado e resolvemos tomar o caminho do Seabus. Ah, sim, eramos cinco, todos da VFS: Rachel, Isaac e Aldo, de Sound Design, Ben, de programação (e quem tirou todas as fotos decentes desse post), e eu, do curso de VFX. Como pegamos o Seabus (chegamos lá faltando UM minuto para a partida, e corremos loucamente pra alcançar o barco), mandei mensagem pro Paul, dizendo pra ele correr e encontrar a gente no ponto de ônibus, que íamos subir a montanha.

O coitado chegou lá todo esbaforido, correndo, por causa da minha pressa, e ainda tivemos que esperar uns cinco minutos pelo ônibus. Esse foi lotado, quase no nível São Paulo, até o sopé da montanha, onde todo mundo desceu. Eu já tava meio preocupado porque tava SOL PRA CARALHO, e eu tava com uma roupa muito quente – por falta de opção, as outras estavam lavando – mas fomos adiante. A subida tava lotada. Vou resumir um pouco a experiência: subir a Grouse Grind é como subir uma escada. Com degraus altos, feitos de pedra e madeira. Em zigue zague. POR UMA HORA E MEIA, incluindo algumas pausas no caminho.


Só caras de alegria no caminho

Uma coisa é fato: quando você chega na marca de 1/4 do caminho concluído, já tá praticamente no topo. Não sei como é essa matemática canadense, mas até 1/4 foi foda. Depois daí… continuou foda mesmo, mas a gente tinha uma noção de tempo e espaço. Em vários momentos, todos achamos que não íamos chegar ao topo. Tem uns trechos que são DO MAL, sério. Sabe a subida da cachoeira da Fumaça? É um passeio no parque, quando comparado com isso aqui. É uma trilha mais longa, sim, mas em termos de inclinação, é um morrinho. A trilha aqui tem só 3km (uma distância que, no plano, é fácil cobrir em pouco mais de meia hora), mas com 850m de variação vertical. Ou seja, pra é quase 2:1, a cada dois metros na horizontal, você tá subindo um na vertical. Esse inferno tem mais de 2800 degraus, e é engraçado ver a cara de exaustão do povo subindo – isso quando você mesmo não tá preocupado em continuar vivo, e continuar subindo. Mas, sério, o que mais esperar de uma trilha que se chama “Moedor”?

Na 1h30 de jornada, não vi ninguém de calça – como eu – ou de manga comprida – como eu, ainda que enroladas. Mas chegamos todos ao topo, sem nenhum morto ou ferido. Ó aqui as nossas caras de comemoração:

Lá no topo dá pra ver até o infinito. Ok, acho que nem tanto, mas dá pra ver até depois do aeroporto. Bate a vista da Cypress, com o Rob, na Quarta feira. Sentamos no restaurante lá no alto, e acho que nunca tinha comido tanto, desde que saí de São Paulo. Tava todo mundo morrendo de fome e de sede. Depois do almoço tardio, o Ben foi caçar mais fotos, Rachel foi com ele, e nós tomamos o caminho pra baixo, pela gôndola. Em cinco minutos estávamos na base da montanha.


Indicações e localizações

Pegamos o ônibus de volta para o Seabus junto com nossos colegas mexicanos (agora não eram só Isaac e Aldo, um terceiro se juntou a nós no topo da montanha). Por motivos desconhecidos, o motorista não deixou ninguém pagar. Depois dessa lição de calor aprendida, descemos – eu e Paul – no Walmart, e fui comprar umas camisas sem manga, de pano mais fino, além de coisas que tavam faltando em casa (do tipo lata de lixo, pendurador de toalha, fita crepe, trena). Quando vi os preços das camisas, comprei logo 6. Depois ficamos um tempão rodando até achar todas as tranqueiras que precisava em casa.


$3 por uma camiseta

Por fim, na saída, compramos dois copos, oito colheres, um potão de sorvete e um potinho de nutella, pra matar a vontade de comer algo gelado, nesse que foi um dos dias mais quentes de nossa estada. Saímos do mercado, sentamos numa sombra de árvore no estacionamento mesmo, e nos empanturramos com nossos doces quitutescos. Essa gula toda custou $5.50 pra cada um.


Sobremesa dos campeões

Daí, fomos voltando para o Seabus conversando sobre a vida. O Paul ficou em casa, e fiquei OITO MINUTOS esperando um trem terminar de cruzar a pista pra poder chegar no Seabus. Claro, perdi o barco e tive que esperar mais quinze minutos. Esse tempo todo abraçado com minha nova lata de lixo, carregada com as compras! Aqui minhas pernas já tavam morrendo, e ainda tinha a viagem de barco, mais metrô e por fim, oito quadras a pé até chegar em casa. Saí largando tudo assim que entrei, e fui direto pro chuveiro, tomar banho, porque tava impossível. Depois, ainda fui tentar ver filme, mas dormi antes das 22h, e acordei hoje de madrugada.

Os planos agora são de ir na IKEA daqui a algumas horas com o Fernão, e possivelmente comprar o resto da mobília da casa por lá, pra gente rachar o frete e depois carregar uns pacotes pesados pela rua até aqui em casa. Durante a semana devo tirar algumas horas pra montá-los. Ou então só no fim de semana que vem. Mas já to dando graças aos céus porque vou ter uma mesa e cadeiras!

Classical Animation.

Hoje ficamos desenhando bolinhas indo de um lado para o outro. Como não tem nada mais hipnótico que um loop, cheguei em casa e fiz esse no Photoshop, porque tava muito inspirado!

UP14 – HFR

O ano vai chegando ao fim, e temos mais uma parte de “O Hobbit” entrando em cartaz nos cinemas. Assim como no ano passado, o filme chega com uma grande variedade de versões, mas a discussão aqui vai focar-se na mais diferente de todas: a tal da HFR (high-frame-rate). Alardeada pela produção do filme como uma grande revolução no cinema, a versão HFR tem o dobro de quadros por segundo que um filme normal.

O padrão cinematográfico, estabelecido ao longo de mais de cem anos de história, é de 24 quadros por segundo. Na TV são 30 quadros por segundo. Alguém muito importante na equipe de “O Hobbit” afirmou que 48 quadros por segundo seriam uma coisa fantástica pelos seguintes motivos: há mais foco, menos borrão de movimento, mais sensação de realidade e mais imersão no filme. Desses quatro motivos, três são plausíveis, mas o último é extremamente falso.

Durante a primeira metade do filme, a sensação é de assistir a um making of onde os equipamentos estavam escondidos e tudo se move de forma acelerada. Todas as ações parecem acontecer mais rápidas do que de fato ocorrem. Realmente, os detalhes aparecem muito mais em foco, e são tantos detalhes perceptíveis que até prejudicam o filme. É possível desconfiar dos objetos de cena, que parecem falsos (feitos de isopor e compensado), os mesmos objetos que são perfeitamente convincentes na versão tradicional (a 24 quadros por segundo) do mesmo filme!

Depois da primeira metade da projeção, consegui convencer minha mente que aquilo não era um making of. O próximo cenário escolhido pra processar as imagens foi na frente de uma loja de eletrodomésticos, com uma tela particularmente grande. Não sei se vocês já pararam pra observar como, de relance, as imagens dessas TVs de loja parecem incrivelmente mais detalhadas e bonitas que as do cinema, ou das nossas TVs de casa. De fato, as imagens daquelas TVs são bastante diferentes das originais, por conta de uma série de configurações especiais, aplicadas pelos fabricantes, para passar justamente essa sensação de “realidade”. Basicamente, o que se faz é aumentar o contraste, jogar uma tonalidade azulada na imagem como um todo, aplicar um filtro de nitidez e sintetizar novos frames (inexistentes no filme original), para dar mais “realidade” aos movimentos, a uma taxa de quadros mais elevada que os 24 ou 30 quadros originais.

O resultado é extremamente exagerado e tem uma textura de vídeo, como o jornal que vemos na hora do almoço, ou jantar. Não é mais ficção, é realidade. Fica com cara de algo que pode ser visto acontecendo na rua. Mas (infelizmente) não temos hobbits, magos, anões e orcs perambulando pelas ruas. Então aquela imagem projetada ali só pode ser falsa, e é aí que a imersão vai para o brejo, porque quando a coisa é visivelmente artificial, mas tenta convencer como real, tudo fica tosco. Numa analogia estranha, quando o sujeito é feio, mas age como se fosse bonito, não dá pra não achar engraçado ou ter pena. E nessa hora que a coisa fica tosca, nós, espectadores, somos jogados para fora do filme mais rápido que uma flecha de Legolas (a 24 quadros por segundo, por favor).

Em 2009, o filme “Quem Quer Ser Um Milionário” ganhava o Oscar de Melhor Direção De Fotografia. A parte curiosa é que todos os trechos do filme que evocam sentimentos e emoções intensas foram filmados a menos que 24 quadros por segundo (para ser exato, foram filmados a 12 quadros por segundo). É um visual ainda menos fluído que o tradicional, mas funciona justamente porque caminha em uma direção onírica, oposta à realidade. Quanto mais quadros por segundo mais nos aproximamos da realidade em que vivemos. Só que ninguém vai ao cinema para ver a realidade. A gente vai no cinema justamente pra ter uma folga da realidade, e acompanhar uma história bem contada, com personagens fantásticos.


Coluna Ultrapassagem, Publicada originalmente na Revista OLD #28, em Dezembro/2013

Sete Dias.

Uma semana de aula, com um feriado no meio (dia primeiro foi Canada Day), e só agora tive tempo pra contar historinhas, começando pela mudança, do apartamento do Wyll para o meu próprio!

Era pra ter sido no domingo (passado), mas não tinha ninguém da administração do prédio por aqui, então ficou pra segunda feira. Por sorte não tive a última aula, e deu pra voltar pra casa perto de 2:30pm. No domingo eu rodei o mundo inteiro pra providenciar as coisas que faltavam (roupa de cama, toalhas, pano de prato, papel higiênico, produtos de limpeza, uma poltrona, e TUDO mais que vocês imaginarem). Foi só aí que percebi que montar uma casa é FODA! E toda hora você descobre que tá faltando alguma coisa fundamental!

Eu e May queríamos uma poltrona colorida pra dar vida na casa, e então fomos procurar no site mais útil quando novo em Vancouver: craigslist. Tem TUDO. Coisas de segunda mão, coisas novas, muita coisa de graça – é só passar e pegar! E foi lá que achamos uma poltrona bonita. Nova, custava $180. Essa tava por $50. Falei com o pessoal que tava se desfazendo dela (estavam se mudando para Alberta), e combinei um horário (no mesmo domingo!) para resgatá-la. Precisava providenciar uma bike também, então saí com duas horas de antecedência, para passar em várias lojas de bicicletas novas, usadas, caras e baratas.

Assim que saí do metrô, tava começando a chover. A cadeira e UMA loja eram na direção oeste, e SEIS lojas de bike eram pra leste. Pensei em começar primeiro rumo leste, achar uma bike boa no processo e acelerar a volta me deslocando sobre duas rodas. ÓBVIO que não achei uma bike decente nessa lojas, né? Andei de loja em loja, e nenhuma tinha nada interessante. Algumas tinham bikes boas, mas caras, outras tinham bons preços, mas bikes muito pequenas pra mim. Resultado, tive que andar quase cinco quilômetros da loja mais extrema a leste até o loja do lado oeste. Se quando eu saí do metrô tava choviscando, agora já tava um toró desgraçado, e como eu tava com horário marcado com o povo da poltrona, não dava pra esperar a chuva passar. Depois de cinquenta minutos empenhado nessa volta, caminhei tanto que cheguei no fim da nuvem de chuva. E aí era Sol. Muito Sol.

Cheguei na última loja de bicicletas – que era a mais perto de casa, e por isso deixei por último, e também perto de onde eu ia pegar a poltrona – e lá estava ela, me esperando. Paguei menos da metade do preço de uma nova ($150, quando as novas custam quase sempre muito mais de $300). Fui de bike da loja até o pessoal da poltrona, e de lá peguei um táxi pra deixar tudo em casa. Na portaria do prédio encontrei coleguinhas de sound design, que estavam indo comprar tupperwares. Vancouver é uma cidade é pequena! Desde que comprei a bike, estou andando muito com ela pela cidade. Estar no trânsito é que me fez perceber como as ruas são vazias de carros. É muito tranquilo, e seguro, andar de bicicleta em Vancouver. Fiz o trajeto casa-escola em 10 minutos. A pé, levo meia hora. Durante a semana, só andei com ela. Ontem saí pra almoçar aqui perto e só então percebi que não passava pelo Lobby há sete dias.

No Sábado (passado) eu já tinha ido aqui na esquina de casa, pegar um colchão de casal, DE GRAÇA, de um casal de irlandeses que estava voltando pra sua terra natal, depois de 2 anos e meio no Canadá. COLCHÃO DE GRAÇA! E excelente, em termos de qualidade, conforto e conservação! O Wyll tem um box pra colocar embaixo dele, e deixar com cara de cama, mas, por enquanto, é só um colchão no canto da casa mesmo.

Nessa jornada de compras e missões de Domingo eu andei 17.5km a pé (como referido no post anterior!). Imagina como minhas pernas não tavam adorando isso no fim do dia. Deitei e morri, pra acordar quarenta minutos antes do despertador, na segunda, para o primeiro dia de aula.

Continuando de segunda feira, depois da aula. Cheguei no apartamento e a reforma tinha trocado o piso, de carpete pra madeira (YEEEAAH!!), repintado tudo, turbinado uns armários, trocado tudo no banheiro, cortinas da sala/quarto, e tudo mais. Claro, tava tudo cheio de sobras de obra, poeira pra todo lado, uns armários ainda tinham sujeira do dono anterior, a louça toda eu tinha pego de graça com um casal de brasileiros que tava voltando pro Brasil, então também precisava lavar.

Peguei uma vassoura emprestada com o Wyll e comecei a brincadeira. Fui de três da tarde a dez da noite até terminar de arrumar tudo, colocar as coisas nos armários, esvaziar a mala, guardar comidas, limpar o banheiro, tirar umas coisas perdidas do fundo dos armários, comer três vezes durante o processo, sair pra comprar detergente (de bike, claro!), porque não tinha ainda, carregar móveis prum lado, carregar móveis pro outro, varrer a casa toda de novo, levar o lixo pra garagem, levar mais lixo pra garagem, levar MAIS lixo pra garagem – numa dessas idas, achei duas almofadas da cor do piso, que já carreguei pra casa -, devolver as coisas do Wyll e, afinal, dormir, totalmente exausto, mas muito feliz por estar na minha casinha, em ordem, e ainda sem internet.

Vivi sem internet em casa de segunda até sexta, quando o técnico da Shaw veio aqui e instalou tudo. Eu tava na escola, então deixei uma chave com o Wyll e ele me fez a gentileza de acompanhar o técnico durante a instalação. Agora já estou internetado, e tudo é muito mais fácil, especialmente escrever nesse blog!


Apartamento, uma sala vazia sem mesa, mas com bike!

Agora, a parte interessante: a VFS é sensacional. É tipo a estrutura do CTR, com mais bom gosto e MUITO mais dinheiro. O prédio onde tenho aulas é um grande corredor circular, com salas de aula concentradas no centro e nas laterais. Tem mais uns quatro ou cinco prédios pra outros cursos, mas não tive a chance de conhecê-los ainda. A turma tem 28 pessoas, só dois canadenses, e só UM de Vancouver. Graças à última semana eu já conhecia muitos dos meus coleguinhas, porque fizemos várias coisas pela cidade, então a integração já tá meio caminho andado. Eles recomendam muito que a gente se una e forme um time, porque isso afeta bastante a performance geral da turma.

O ritmo é bem puxado. Conhecemos os supervisors do curso, e de cada área de especialização (Animation, Modeling e VFX). Todos muito gente boa, e com muita experiência de mercado. Conhecemos também a administradora geral do curso, e vimos muitos demo-reels (que são vídeos mostrando coisas feitas pelos alunos). Num dia normal, a gente tem três aulas de três horas. Começando às 9am, intervalo de uma hora para almoço ao meio dia, e retorno de aulas à 1pm. A última aula começa às 4pm. Nessa primeira semana tivemos aulas teóricas e práticas, mas tudo muito interessante e bem planejado. A escola é bem séria, não pode faltar mais do que 3 aulas a cada term (2 meses), e a média tem que ficar sempre acima de 65% pra passar, senão eles consideram que você não tá absorvendo o conteúdo, e tem que repetir a matéria, como dependência (enquanto cursa o term seguinte ao mesmo tempo). Por enquanto tô tranquilo, mas sei que logo mais vão começar a chover tarefas.

Temos duas aulas de História dos Efeitos Visuais e Animação por semana, e essas têm forte semelhança com as aulas de História do Audiovisual, na USP. Só que o professor é um brincalhão, que fica mostrando as coisas mais pitorescas antes e depois da aula, tanto que a galera fica assistindo, mesmo depois que acaba. Semana passada a gente viu um reel (em um projetor 16mm) daquelas homenagens feitas na cerimônia do Oscar, de 1986. Como a aula acabou bem depois do horário, deixamos um curta de Chaplin para uma futura ocasião. A segunda aula ele abriu com várias aberturas de cinemas da década de 1950 (sabe aquelas coisinhas de “seguro allianz” e similares? Era beeeem diferente, e hilário. Fechou então com “Dumb Ways to Die”, e ainda cantou junto com o vídeo, encorajando uma galera a cantar também. Surreal e maravilhosamente upbeat.

Durante as aulas, vimos MUITA coisa foda sobre a Disney, as inovações que eles trouxeram, assim como os irmãos Fleischer (criadores de Popeye, Betty Boop e outros), inventores que nas décadas de 1920 e 1930 projetaram e aplicaram conceitos que continuam sendo usados até hoje, em todas as produções e softwares. Essas aulas, combinadas com o que vemos nas outras matérias, realmente fortalecem nosso background, porque a gente passa a entender COMO aquela função específica foi criada, como funcionaria (no mundo real, fora do computador) e REALMENTE abre os olhos para como as animações do passado eram incrivelmente absurdas de se desenhar (um ser humano ficava assistindo água cair nas folhas, por horas, tomando notas e rabiscando coisas, pra poder replicar a realidade nas animações, por exemplo! O mesmo vale pra fogo, vento, lava, coisas quebrando, anatomia e o escambau).

Tivemos uma introdução muito hardcore ao Maya (programa de modelagem, animação e o caralho, em 3D), e tô estudando um bocado por conta própria, pra não ficar pra trás. Depois que você começa a entender o que tá acontecendo na tela, até que tudo parece fazer sentido. Ele só não é muito amigável com desconhecidos. Tivemos também uma aula envolvendo os controles de animação do programa, durante a qual tivemos que fazer um exercício ao mesmo tempo que rolava o jogo do Brasil vs Colômbia. Mais da metade da sala tava assistindo a partida em seus monitores secundários, e o clima tava tenso porque temos três colombianas e dois brasileiros na turma. Felizmente, levamos a melhor.

Bom, chega de escrever. Vou voltar aqui pro Maya, que há muito a estudar!

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