Ai a Carol apareceu aqui com uma idéia muito louca, que mais parecia uma brincadeira, para a gente fazer pro concurso da Johnnie Walker, o The Walkers, com histórias inspiradoras, e um tema muito confuso que diz “Não existe futuro incerto. O caminho é construído ao percorrê-lo”. Resultado, numa tarde de Sábado, começando com duas horas de atraso, a Carol, Bia e Verônica vieram aqui, a May, eu e a Carol atuamos interpretando nós mesmos (o que não foi nada complexo), filmamos umas coisas loucas pela rua antes do Sol sumir, correndo pra lá e pra cá com a câmera, explicitando como foi confuso tentar desenvolver um argumento em cima desse tema (que até agora não consigo lembrar de cabeça). Aí a Carol editou no dia seguinte, e pronto!

Tudo ia na tranquilidade, até que anteontem, quando a May e eu voltávamos de Salvador, a Carol manda um email super animado dizendo que nosso filminho faz parte dos dez selecionados! Aí corremos pra providenciar os documentos e autorizações necessários, para não sermos desclassificados, e hoje vamos ao MIS ver os dez selecionados e, quem sabe, pegar uns comes e bebes mais refinados no processo. O regulamento diz que rola um super-prêmio já pra esses dez selecionados, mas estamos incrédulos. Vamos esperar pra ver. Com alguma sorte, não esperaremos muito!

Pega, Mata e Come.

Pra começar o ano, uns bichinhos fotografados no quintal de casa, em Salvador. Depois de dois meses longe de São Paulo, admito que tava ficando com saudade.



Zona SSP é uma websérie de ficção científica ambientada no Brasil e feita por brasileiros.

Numa realidade distópica, a partir da intensificação dos conflitos originados durante as manifestações e protestos de Junho de 2013, a região metropolitana de São Paulo foi evacuada às pressas e grandes muros foram erguidos, prendendo do lado de dentro manifestantes, policiais, e cidadãos alheios.

Quem conseguiu fugir, fez a coisa certa. Os que ficaram, foram abandonados à sua própria sorte.

Depois de anos em guerra e milhões de vidas perdidas, a sociedade começa a se restaurar. Sem água, energia, gás ou suprimentos, é preciso sorte e cautela para continuar vivo.

Essa é a nossa proposta audaciosa. Os dois primeiros episódios foram desenvolvidos ao longo da matéria mais aleatória que peguei em quatro anos de USP, e não recomendo para ninguém: Produção Audiovisual e Periféricos. É roubada na certa, mas com muita disposição e coragem, conseguimos tocar o projeto adiante graças à empolgação da turma. Tivemos diversos reshoots, correções e improvisos, sem contar alterações em relação ao roteiro original, mas tenho bastante orgulho do resultado.

Dei uma de peão e cobri muito mais funções do que seria saudável, justamente por ter vontade excessiva de que desse certo. Fiz o argumento, escrevi o roteiro, arrumei a ordem do dia, dirigi (mal), fotografei (bem), sincronizei o som (sem claquete), montei e fiz toda a pós (efeitos, cor, raw, créditos, abertura e vinheta). O tempo entre o set e o produto final foi de exatamente seis semanas, competindo com TCC, porque pretendia apresentar tudo junto – os dois episódios feitos serviram imensamente para ilustrar tudo que tá escrito no trabalho.

À equipe, já agradeci infinitamente, e agradeço novamente, assim como registro minha gratidão aos nossos atores, Lucas Durão e Larissa Orlow, que toparam todas essas roubadas, de ir no Paço abandonado diversas vezes, pra fazer um ou dois planos que ficaram faltando ou falharam na montagem. Obrigado, meus queridos. Isso não teria sido possível sem a coragem e disposição de vocês.


Victoria, Alexandre, Lari e Luciana


Eu, Chou e Luciana

Depois do lançamento público do primeiro episódio, conversei com um bocaaaado de gente animada e interessada em participar, e fico muito feliz de dizer que estamos trabalhando numa primeira temporada completa para o ano que vem. Os detalhes ainda são secretos, mas assim que tudo for se confirmando e encaixando, vou colocando por aqui pra vocês! A aposta é tanta que até mudei a temporada no blog! Chega de lenga-lenga, e vejam aí o referido episódio.

Como o treco foi feito em anamórfico e raw, a resolução máxima é um pouco brutal. Marquem 1440p na caixinha do Youtube, para melhores resultados!

O segundo episódio já tá quase pronto, só falta arrumar a trilha musical, e será publicado!

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Modern Noir.

Fotos de uma série para o trabalho final da matéria do Luli Radfahrer – Fotografia Digital -, no CRP. De longe a melhor matéria do semestre. Essa aí é a May, minha detetive e femme fatale noir!





Título alternativo: “A compilação definitiva sobre Lentes Anamórficas”.

No passado escrevi um pouco sobre meu TCC, e até coloquei um link pra um google doc, onde qualquer um poderia acompanhar o progresso da coisa, e mandar sugestões em tempo real. Algum tempo depois dessa idéia, o Google Drive resolveu me sacanear e bagunçar minha formatação. A solução foi migrar pra um Word normal, e terminar o texto sem essa participação colaborativa. Essa finalização se arrastou bastante, e levei mais tempo para escrever a Conclusão do que levei pra escrever as primeiras cinquenta páginas.

Por conta da greve, os dois curtas que eu ia fotografar, Rascunhos e Sinistro, foram respectivamente cancelado e adiado, tive que improvisar uma solução. Solução essa que se revelou muito mais elaborada do que eu jamais imaginava, com a realização dos episódios iniciais da websérie Zona SSP, utilizando anamórficas e raw no processo. Foi intenso, e cobri mais funções do que deveria, mas foi suficiente pra dar um pontapé inicial na idéia.

Depois da apresentação do TCC, na Quinta (12/12), o Scavone me passou algumas sugestões de coisas a corrigir, e já retrabalhei esses pontos. Abaixo estão, então, a compilação mais completa e organizada sobre lentes anamórficas para o mercado independente. Acho que afinal vou parar com os posts técnicos sobre lentes e coisas ópticas/numéricas bizarras, passando pra outros tipos de estranheza. Isso não é uma promessa, é uma possibilidade. Não garanto que vou me controlar se algo muito incrível aparecer!

Chega de papo, tá aí o link pro PDF, recheado de ilustrações, adjetivos e maluquices, mas ainda assim, uma pesquisa. Futuramente pretendo traduzí-lo para inglês, mas preciso pesquisar qual será o inve$timento necessário! Pra quem acompanhou o blog ao longo do último ano e meio, é provável reconhecer bastante coisa aí no meio, mas agora muito revisada e aperfeiçoada. O objetivo inicial, proposto pelo Scavone, era fazer um manual prático para utilizá-las. Acho que o objetivo tá cumprido.

DOWNLOAD!
Lentes Anamórficas no mercado de baixo orçamento

Obrigado a Todos.

Um pequeno review: Quinta passada foi minha banca de TCC, na qual fui aprovado e, combinado com as trocentas matérias eletivas livres que eu fiz nesse semestre, completei todos os créditos necessários para me formar. Zerei o Curso Superior do Audiovisual.

“Ok, Tito. Por que você não vai à merda então? Eu ainda tenho um monte de matéria pra fazer!”

O post, na verdade, é para agradecer a todo mundo que participou e ajudou nessa jornada de quatro anos “oficiais”, e mais um e meio de bonus tracks, de cursinho e sofrimento. A todos vocês, obrigado!

Mais em detalhe, sinto a necessidade de agradecer um grupo especial de pessoas dentro do CTR. Pessoas com as quais convivi regularmente ao longo dos quatro anos de curso, sem relação direta com nenhuma disciplina, mas figuras mais do que presentes no dia-a-dia do departamento (e que garantem seu funcionamento, muito mais do que inúmeros professores).

Sim, senhores, são vocês, Douglas, Marcutti, Sandro, Guido, Chico, Bill e João que, durante minha passagem pelo CTR, me salvaram de inúmeras enrascadas, garantiram longas risadas pelos corredores e sempre mostraram toda a clareza e paciência imaginável pra explicar os pontos mais confusos do CTR, da USP, e dar dicas sobre a melhor forma de lidar com o corpo docente. E digo mais: até as broncas que levei de vocês me ensinaram mais do que as que levei em aula! Quando voltar pra São Paulo, levo um presentinho aí pra vocês!

Ruas do Cinema

Esse documentário começou a ser feito em 2011 e tá se arrastando na finalização há muito tempo, mas enfim, está pronto! Fizemos como parte das disciplinas de Documentário e Montagem, e fomos atrás de investigar a extinção das salas de cinema de rua, mais especificamente no centro de São Paulo – mas não restrito a essa área ou cidade.

Num processo de mais de seis meses, fizemos pesquisas e entrevistamos pessoas com boas experiências e argumentos sobre o tema. Além disso, passamos várias noites filmando os arredores do nosso cinema-caso, que era o Unibanco da Augusta (e que agora é Itaú, mas enfim, é o mesmo em todos os aspectos). Demoramos tanto no final, que o cinema até mudou de nome!

Foi uma das experiências onde mais aprendi sobre fazer filmes, sobre fotografia, sobre cinemas de rua (hahaha), e uma pá de outras coisas. Tenho bastante orgulho desse projeto. Recentemente, no aniversário de 20 anos do cinema na Augusta, fomos convidados a exibir o filme numa sessão especial que aconteceu por lá, e finalmente vimos algo verdadeiramente nosso numa telona. A sensação é incrível – incluindo toda a preocupação de “e se as pessoas não gostarem?”. É pra isso que a gente faz cinema, no fim das contas, né?

Enfia a marreta no…

Tô puto, e pensei muito antes de escrever esse post, mas achei que seria menos agressivo colocar isso aqui do que comprar uma marreta e começar a bater no chão. Então vamos lá.

Aqui onde a gente mora, por ser apartamento, existe um vizinho de baixo.

Logo que a gente se mudou, o sujeito interfonava DIRETO, pra reclamar que a gente tava andando de salto pela casa, de manhã cedo. Só pra começar, ninguém aqui usa salto. Depois, era pra reclamar que a gente tava arrastando os móveis na segunda de manhã, pra limpar a casa, enquanto ele trabalhava no domingão à noite. Fizemos VÁRIOS testes de barulho, inclusive fomos à casa dele, enquanto um de nós literalmente pulava e jogava coisas no chão pra ver se dava pra ouvir lá de baixo. Nada.

Depois de muito tempo, descobriu-se que o barulho magicamente vinha do andar acima do nosso, atravessava um portal mágico, a gente não ouvia, e o de baixo ouvia tudo. Estranho, mas enfim, paramos de ser importunados. Aí um dia, começou uma obra no andar de baixo. Bom, levamos numa boa. Era começo de Julho, ou Agosto, já não lembro mais.

O bate-bate começava pontualmente às nove, e parava às cinco da tarde. Passou-se uma semana, duas, três, um mês. Aí tivemos um acontecimento relevante: com a força das pancadas no andar de baixo, um de nossos pratos rolou e caiu da prateleira onde ficava guardado. Interfonei, falei com o bróder que tava batendo, e ele disse que ia tentar bater mais baixo. “Tentar bater mais baixo”, balela pura. O sujeito continuou marretando que só o inferno, e pra não se desgraçar mais, tiramos TODOS os quadros de todas as paredes e pratos do armário, colocando tudo em superfícies planas e seguras.

Outro ponto relevante: a maioria do tempo, a gente trabalha em casa, até altas horas da noite. Editando, finalizando, correção de cor, gravando som, lendo, escrevendo, etc. E fazer qualquer uma dessas coisas com um barulho do cão ao redor é incrivelmente mais desafiador. Sem falar que dormir além das nove também é absolutamente impossível.

Nas semanas seguintes, mais DOIS pratos se suicidaram. A gente interfonou, pra pedir pra maneirarem, e a resposta não foi a mesma. Agora foi “infelizmente não dá pra bater mais fraco”. Aí a porra da obra já tinha dois meses, e chamei a síndica, pra entender qual era a parada. Ela chamou um dos pedreiros, e o sujeito chegou aqui morrendo de medo. Combinamos que eles pagariam um conjunto de pratos novo pra gente, e ficamos sabendo que a parte barulhenta acabaria naquela semana mesmo.

Adivinha só? Mais balela. Isso foi há dois meses. A variedade de ferramentas é incrível. Martelos, marretas, furadeira, makita, britadeira e o cacete. Acho que o apartamento não tem mais nenhuma parede, porque o tanto de coisa que esses caras já derrubaram não CABE no espaço do prédio.

Hoje tô escrevendo isso com música tocando em um volume absurdo, só pra ver se alguma coisa chega lá embaixo. É impossível ver filme, tv, ler ou qualquer outra coisa que exija algum nível de silêncio. Então, pra não entrar na vibe da vingança sem graça, estou aqui abrindo sugestões de coisas maravilhosamente barulhentas e divertidas para se fazer TODOS OS DIAS DA SEMANA, A PARTIR DAS 9h01 da manhã. Especialmente às segundas feiras.

Já temos na lista jogar Just Dance, para Nintendo Wii, e organizar um concurso de sapateado entre amigos. Alguém tem mais? Afinal, a gente tem direito de fazer barulho a partir das 9. Se é por uma boa causa ou não, já não é da conta de ninguém.

No Meio da Noite

Como apresentado em meados de Fevereiro ou Março, nesse post, foi mais um extra que a gente fez lá pela USP, por nossa conta mesmo, equipe mínima, tudo em uma diária, e por aí vai, procedimento padrão de quem não tem dinheiro.

Admito que ficou pronto até “rápido”, só seis meses, bem menos do que o tradicional “um ano” que tem aparecido por aqui!

Em um resumo breve, é um roteiro da Carol, no mesmo esquema do 20h20, dois atores, uma locação – ok, foram duas – alguns diálogos, e pronto.

A parte mais complicada desse filme todo foi fazer o caixão caber dentro do carro – um Nissan March – para transportar ele de um teatro no centro da cidade até a USP, e depois de volta. Nesse filme, o pobre do March revelou seu valor, transportando gente, caixão, mesa, o diabo todo que eu nunca imaginei que coubesse lá dentro e muito mais.

Mas sim, voltando ao assunto do filme, fotografei esse também com lentes anamórficas, majoritariamente o Century, close ups diversos (para conseguir foco em situações não usuais) e as lentes russas (37mm, 58mm e 85mm). O Pedro Fernandes me deu uma grande força nesse processo, correndo pra lá e pra cá com filtros e lentes, e nossos únicos refletores – emprestados – de 100w e 300w. Tem até um flare fetichista no finzinho, coisa fina!

Foi um filme muito divertido de fazer – inclusive porque todo mundo era um pouco “produção”, além de sua função original, pra dar uma mão pro Victor, que tava sozinho responsável pelo circo todo!

Zona SSP.

Ontem teve set. Set daqueles que não tinha há muito tempo. Ficção. Nada de empresários, depoimentos, vinhetas, etc. Ficção pura, com atores e equipe pequena. Foi tanta coisa nova em teste no filme, que não sei nem por onde começar. A parada começou pra uma das optativas livres que tô fazendo nesse semestre, e que tem a turma mais aleatória de todas – cada um veio de um canto da USP, procurando coisas bem diferentes. A maioria sem nenhuma experiência em set.

Peguei toda minha vontade recente de fazer qualquer coisa e concentrei nesse projeto. É pós-apocalíptico, inspirado por acontecimentos recentes em São Paulo, anamórfico, raw, e com um bocado de pós-produção. Ah, é uma série, e não um curta. Se vai ficar bom, já são outros quinhentos, mas até agora foi bem bacana de fazer. O roteiro é de minha autoria – depois de duzentos anos só escrevendo nesse blog e na OLD – assim como a direção de fotografia e a direção geral – essa contava com opiniões de todos os envolvidos.

Enfim, ontem chegamos cedo ao Paço, nossa locação favorita, e começamos a rodar de fato perto das 9h. A câmera deu pau trocentas vezes ao longo do dia, mas nada definitivo. Era só reiniciar, tirar bateria e cartão, e continuar a brincadeira. Na sexta-feira eu saí correndo atrás de cartões e baterias extras – os meus não eram nem perto de suficientes – e pude contar com a ajuda do Nicko e do Plínio nesses itens.

Usamos a LOMO Foton-A, num rig de ombro que passava fácil de 8kg, que carreguei o dia inteiro, subindo e descendo escada, entrando e saindo da água, fazendo tudo que uma câmera tem direito. Foi um ambiente hostil, nesse aspecto. Com medo de lotar os cartões antes da hora, acabei que só tirei três (!) fotos durante o dia todo, e elas já estão logo aqui embaixo.



Na equipe, a Victoria Segovia comandava nossos horários, continuidade, todas as anotações possíveis e imagináveis, e dava uma mão com os atores e a arte. Paulo Chou foi o camarada do som, e que vai montar a parada – e sofrer horrores pra sincronizar o que é útil. André Rosa, expert em fogueiras e montador da abertura do primeiro episódio. André Akel, que tava controlando as baterias e cartões, e passando um olho no processo de logar o material, Alexandre Amêndola, que deu uma grande força com a parte de foto, passando foco em vários planos e ajudando em tudo que aparecia. Luciana Parelho, comandando a Arte, com figurinos e maquiagem sensacionais. A Lucia Marques foi nossa produtora, trazendo a comida, resgatando figurinos e vigiando a base – a gente quase se mudou pro Paço, de tanta tralha que tinha lá! Sr. Antônio tava com sua câmera por lá também, fazendo making of das nossas maluquices, e até a Ana Catarina apareceu de manhã pra passar o olho no que tava rolando.

Domingo que vem a gente roda a segunda parte – o trecho noturno do segundo episódio – e tô animado pro que vem. Já tá fazendo o semestre valer a pena, além das outras aulas divertidas, que me obrigam a sair de casa e pensar no que fotografar.

Em termos técnicos, sem a parte de luz, tô pondo em prática tudo aquilo que tá escrito no meu TCC, e que pretendo levar a cabo nos outros projetos, em Dezembro, mas que dependem bastante da duração dessa greve. Já passamos o workflow todo, testemunhei os pepinos de set, entendi como contorná-los, e por aí vai.

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