February 2010 at 6:22 pm

You are currently browsing the monthly archive for February 2010 at 6:22 pm.

L.A. Vou Eu!

Everybody comes to Hollywood
They wanna make it in the neighbourhood
They like the smell of it in
Hollywood
How could it hurt you when it looks
so good?

Shine your light now
This time it’s got to be good
You get it right now
Cause you’re in Hollywood

There’s something in the air in Hollywood
The sun is shining like you knew it would
You’re riding in your car in
Hollywood
You got the top down and it feels so good

Composições sem Regência.

Como já foi mencionado anteriormente, Diego esteve aqui, e estivemos envolvidos em produções artísticas (se é que dá pra chamar assim). Forcei o moleque e consegui espremer umas gravações musicais. São poucas, mas já é bem mais do que tínhamos registrado. O áudio tá relativamente fuleiro porque foi feito com uma câmera de vídeo num quarto nem um pouco saudável, em termos de acústica, para as canções. Alguns clássicos, outras totalmente novas. Para fazer download do áudio, cliquem com o botão direito sobre o título da música e selecionem a opção “Salvar Destino Como”.

Check it out. Download it. It’s free, for now!

Another Beach Song
Música parada no tempo desde Julho/2008, quando, numa tarde ensolarada em Salvador, escrevemos sua primeira estrofe e criamos a base para uma segunda. Na letra, participaram Fábio, Lila, Diego e eu. Por aqui, na iluminada varanda noturna, eu e Diego trabalhamos numa pontezinha e um refrão. O resultado ficou bem catchy, correndo o risco de grudar na sua cabeça. Só uma observação: fazer música de praia, numa cidade sem praia, é FODA.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Eu Só Quero Ficar Junto
Essa podia levar o “Prêmio Polêmica” das músicas aqui expostas. Começou como uma bela canção de amor, escrita quase inteiramente por Diego. Entrei na letra pra montar o refrão, e Vick entrou em seguida, pra apresentar a iluminação divina. Algum dia, como já disse no outro post, iremos desconvertê-la. Acreditem em nossa palavra, e na do Senhor.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

O Chão Que Você Pisa
Essa aqui é puramente da autoria de Diego (eu e Vick estávamos ocupados, entretidos com o cheiro de queimado da pizza e pendurando os pés para fora da janela), gravada somente a título de recordação – tanto que a gravação é externa e podemos ouvir vários sons bizarros da rua, como carros ou gargalhadas -, mas que acabou grudando na cabeça do povo (leia-se: na minha).

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Why Is It So Bright Today
Dispensando apresentações sobre a letra, a primeira versão (parcial) de WIISBT foi gravada em Dezembro/2007. Desde então, já foi traduzida, ampliada, enrolada e até apostada (Diego falou que ia gravar, eu disse que pagava 20 contos se ele fizesse isso, ele perdeu). Por fim, depois de três longos anos, consegui prender o infeliz na sala e gravar essa versão relativamente caprichada. Voltou pra Salvador prometendo uma versão melhor, de estúdio, com o pianinho característico da canção.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Terceira Temporada.

Novos caminhos e tempos, novo visual. É isso aí. Bannerzinho, já no estilo do rumo que as coisas devem tomar. Planejamentos, roteiros, edições, e a imagem já representa a palavra clássica: Ação!

Foto por Felipe Sampaio.


Terceira Temporada: Luz, Camera, Ação!

Momento Gospel.

Há bastante tempo que não aparecíamos com uma novidade musical, mas até isso conseguimos desenvolver durante a estada paulista de Diego. A letra estava quase pronta, dedicada a um ser humano, quando Vick percebeu a mensagem oculta, que nem mesmo nós havíamos notado nos versos, e iluminou-nos com sua compaixão e sabedoria.

Amém, irmãos.

Pela segunda vez na história desse blog, temos um post DUAL! É isso mesmo, amiguinhos, boa parte desse post foi escrita por mim, assim como boa parte também foi escrita por Diego. Caso sejam pessoas repetitivas, Cliquem no link para ler o mesmíssimo texto no blog do rapaz!

Pensamundo – Aventuras em São Paulo 2 – Misturas Vocabulares.

Essa lenga-lenga é semi-repetida, mas ainda assim, cria uma dinâmica única, quase interativa. Só para informar, Diego chegou aqui na Segunda-Feira, então já tivemos bastante tempo para fazer bastantes coisas (Diego diz: Estou sempre tentando usar “bastantes” da forma correta, com plurais).

1 – Resgate no Metrô

“Aqui cheguei, uma hora da tarde, no aeroporto de Guarulhos, malandramente arrumei um buzu gratuito para Congonhas. Ao fim da jornada, liguei para meu correspondente local”

“Aqui cheguei, no metrô, duas e meia da tarde. O celular estava sem sinal, ligava para meu contato desesperadamente, torcendo para que ele não se perdesse na grande metrópole paulistana. Ouço gritos. Um grito só, na verdade. ‘Ô viado!’ – várias pessoas olharam na direção do grito (majoritariamente homens…), era ele que gritava. Entramos no trem e tomamos o caminho de casa.”

“Até que foi rápido. Imaginava São Paulo mais lenta e mais cinza. Botamos as conversas em dia enquanto o dia passava. No caminho de casa, passamos no mercado e compramos algumas pizzas para o almoço tardio. Já passava das 16h quando chegamos ao apartamento na célebre esquina. Maldito horário de verão.”

2 – Charutos de R$1,80

Para representar esse trecho do texto, podem considerar a foto do post abaixo (Smoking Area). No espírito de filmagens, aproveitamos o poente (aparentemente mais duradouro que na zona intertropical, de acordo com Diego), com reforço de 1000W de luz para dar ênfase às imagens. Vick ficou como fotógrafa, e que fotógrafa!

“Charuto é um troço ruim da desgraça. Gosto ruim, cheiro RÚim e faz mal! Mas fica bem em cena. Aproveitei meu ‘estojo de fumante’ – coisa que não sou, nem pretendo me tornar -, contendo isqueiro, cortador de charutos, e claro, charutos achocolatados, comprados no shopping Barra, por apeeeeenas, R$1,80. Eles se desmancham LITERALMENTE na boca. Não, isso não é bom.”

“Não segura o charuto com dois dedos, porra! Sopra a fumaça! Não, isso ficou feio, sopra mais não. Deixa pra lá. Sorry!”

No fim das contas, deixamos os charutos desintegrados queimando no cinzeiro e partimos da cena para só retornar no dia seguinte.

3 – Livros, livros!

Depois de um breve lanche, fomos apresentar a livraria (Quanta!) Cultura ao Senhor Diego. “Quanta Cultura!”. Folheamos inúmeros volumes, olhamos preços de mais volumes ainda.

“Estava eu a procurar algo sobre Direção de Atores quando me deparei com um livro que parecia interessante a ao mesmo tempo pertinente. Aproximei-me do leitor de códigos para me informar sobre o preço. O QUÊ?! É, no fim das contas, eu nem achei esse livro tão interessante assim…” (R$215, é complicado…)

4 – Caminhada na Paulista

Vick partiu para jantar num restaurante indiano e nosotros fuímos a caminar por la Avenida Paulista. Caminhamos MUITO, quase uma hora e meia. Chegamos em casa perto das 22h30, pouco antes de Vick. No caminho, passamos pela Fnac, pelo Starbucks e por algumas alamedas obscuras, ou simplesmente escuras.

Antes de sairmos, vimos luzes no céu, piscando com a intensidade de relâmpagos e clareando toda a cidade. Mas não havia som! Nossa caminhada foi com o principal objetivo de encontrar a fonte de tais emissões, mas não chegamos a nada com sucesso. Nenhuma conclusãozinha sequer. Scary.

5 – Acordar cedo nas férias?

Essa só entra no post porque é recorrente. Três vezes seguidas tentamos acordar cedo para filmar coisas nas ruas desertas do carnaval paulistano. No primeiro dia, Tito acordou e Diego não. No segundo, nenhum dos despertadores tocou, por fim, hoje, no terceiro, Diego acordou e Tito acordou. Mas a chuva também acordou. Aí fudeu tudo e a gente continuou preso em casa.

6 – A Varanda

Resolvemos, em conjunto de três, limpar a varanda. Em um ano morando aqui nunca limpamos essa varanda. NUNCA. Resolvemos limpar. Água, vassouras, desinfetante, rodo e sangue.

Sangue? É… A cena se desenrolou mais ou menos assim:
- Cuidado com seu pé porque uma dessas portas já quebrou uma vez, e tem uns cacos de vidro espa…
- AI!
- Que foi?
- Furei meu dedo.
- Tá de brincadeira, né?
- Não – squiiiiiiiiiish, e a poça de sangue vai se formando no chão.
- Merda…

No fim das contas, ficou tudo limpinho! E ainda serviu de palco para novas atividades, a serem narradas daqui a instantes.

Diego diz: Sua varanda parece com a de Fallout!
Tito diz: Como é?

Fizemos uma foto comparativa com uma cena do jogo. Parece mesmo!

7 – Parque Tenente Siqueira Campos (vulgo Trianon)

“Até aqui eu sou famoso! Depois de mais de uma hora tocando violão insistententemente, passando por Lenine, Oasis, Caetano, Jason Mraz, Titãs, Pink Floyd, Legião Urbana, Beatles, clássicos da Disney, Djavan e composições próprias, duas garotinhas acompanhadas de sua mãe se aproximaram para pedir autógrafos. A mãe disse ‘quando a gente passou aqui na frente, Raíza disse que sua voz era muito boa, então ela voltou para pedir seu autógrafo’. Assinei dois papéis – de formas diferentes! -, um pra cada garota.”

Os bancos ao nosso redor foram todos ocupados, por casais de todos os gêneros e pessoas sem melhores programações, para ouvir as músicas discretamente, como quem não tá prestando atenção. Entre nossos “convidados”, um casal que aprendeu a não respirar, depois de se empenhar num beijo de (no mínimo) trinta minutos, alguns vários casais homossexuais, estudantes desconcentradas, transeuntes, aranhas e cachorros (poodles alucinados).

8 – Starbucks

Depois do parque, fomos ao Center 3, comer/beber quitutes no Starbucks. Dois Frapuccinos de chocolate, um pão de queijo e um brownie.

Diego diz: Esse é o melhor broooownie que eu já comi na VIDA!

9 – Cronos (Tic-Tac)

Chegamos de volta perto das 19h, quando fomos acometidos pela obrigação moral de escrever um roteiro, do começo ao fim. Foi demorado, mas por volta das 23h30 o troço estava pronto até os últimos detalhes. A chuva tá dificultando as filmagens, mas ainda temos esperanças. “São tantas emoções…”

Aguardem novidades.

10 – Maná – En El Muelle de San Blas

Vício descontrolado. Quase saturado.

11 – Parque do Ibirapuera

Vick gosta de ir contra ordens expressas de sua mãe. Antes de sua prova da UNIRIO, resolveu aprender a andar de patins no parque do Ibirapuera. Fomos todos.

“Não ande no asfalto!”
“Não ande no concreto!”
“Não ande no meu pé! ARRGH!”

Policial se aproxima.
“Olha pessoal, desculpa interromper, mas é que ali, onde aquele pessoal tá andando de bicicleta, o chão é bem mais liso e é mais fácil pra ela aprender.”
“Obrigado!” – agradecemos e partimos para a nova locação. Ficamos por lá umas boas horas.

12 – Violindo

“Obaaa, comprei um violino! Como é que monta esta desgraça?!”
Luthiers são uma classe unida, redirecionadora. Fácil de perceber após alguns telefonemas informativos, que nos instruíam para novos telefonemas informativos. Até agora, sem sucesso na montagem do instrumento.

13 – Chove, Chuva, Chove sem parar… (Correndo na Chuva)

Numa tarde multitarefas, fomos em dupla, respectivamente a um brechó, papelaria, padaria, livraria, mercado e bancos. A chuva começou a cair pouco depois da padaria, e ficou realmente pesada depois do mercado. Voltamos pra casa rezando para os livros não encharcarem enquanto corríamos em meio a poças, rios, torrentes e carros. Chegamos a salvo, mas não se pode dizer o mesmo de nossas pobres indumentárias. Os livros estavam seguros, incrivelmente secos. O saco de pão, por sua vez, não teve a mesma sorte e chegou quase todo rasgado, necessitando de cuidados médicos.

Descobrimos também um eficiente sistema de delivery de Lixo, via transporte fluvial, descendo a Rua Augusta a velocidades estonteantes.

Diego diz: Essa é a chuva mais forte que eu já vi na VIDA!
Tito diz: Essa é uma das chuvas mais fortes que eu já vi por aqui.

14 – Edição de Fotos

Como num mágico laboratório, as fotos entravam em nossa visão de uma forma, sendo bastante vitalizadas em alguns poucos minutos, em meio a gritarias, brigas, “nãos” e “desfaz!” sucessivos. Inspirações fortes a partir de Smallville, aproveitando cores fortes e brilhantes (Tito diz: E irritantemente vivas) para acentuar os contrastes entre cenário e sujeito.

15 – Habib’s e Reuniões

Não, a reunião não foi no Habib’s. Poderia ter sido, mas não seriam as mesmas pessoas reunidas. Vick e Diego foram comprar bibsfihas (que nomezinho estranho…) enquanto Tito ficou em casa, para mais uma de suas intermináveis reuniões com Tio Geja, sobre uma viagem que está sendo arquitetada.

Retornaram da rua vinte esfihas, depois de um perigoso encontro com Maria (a maluca que cuspia). Sobraram na caixa apenas duas esfihas. Com azeite fica uma delícia! Com suco-de-laranja-que-não-é-de-laranja também fica uma refeição mais completa e saborosa. Todos concordam nesse ponto: sucos de caixa, supostamente de laranja, podem ser de QUALQUER coisa, EXCETO laranja.

Em meio a uma discussão, Diego afirma sobre Victoria:
- Você é ridícula!
- Seja mais respeitoso – ela replica de pronto.
- A SENHORITA É RIDÍCULA! – diz ele, de supetão.

De agora em diante, críticas apenas com respeito.

The End

Smoking Area.

Naldinho e a Tecnologia.

Naldinho – ou Arnaldo, para os menos íntimos – sempre foi um cara cético em relação à ciência. O problema todo começou quando, aos seis anos, ele ouviu a avó – religiosa fervorosa – comentar que essa tal de tecnologia era coisa do diabo, e que na sua criação o homem se virava perfeitamente bem sem aqueles aparatos todos que agora dominam o cotidiano.

Durante o colegial, as aulas de Física e Química só fizeram acentuar essa descrença. Foi entendendo como as coisas funcionavam que Naldinho ficava cada dia (ou aula) mais abismado com o fato de o mundo até hoje não ter explodido na nossa cara e exterminado a todos. No dia que aprendeu que era uma explosão no motor que fazia o carro andar, o rapaz voltou pra casa andando, e essa passou a ser sua rotina. Ia para as aulas e voltava sempre a pé. Quando questionado sobre o comportamento estranho, justificava:

- Você quer mesmo que eu confie num carro? Uma caixa de ferro onde ficamos presos, com algumas aberturas tampadas por material transparente, travas que nos impedem de sair ou entrar, esquemas estranhos de luzes amarelas e vermelhas que piscam, isso tudo sobre aros de borracha preenchidos com ar a altas pressões, que se desloca através de explosões de um material altamente inflamável, que por sinal fica armazenado em grandes quantidades no próprio veículo, podendo mandar tudo pelos ares a qualquer momento? Não mesmo!

Todos contra-argumentavam com a questão da segurança, da praticidade, do desenvolvimento, mas ele era irredutível. Esse é só um exemplo breve de como Naldinho encarava as coisas. Seu dia-a-dia era repleto de desconstruções das mais diversas inovações, ressaltando seus perigos e imprevisibilidade, sempre se mantendo afastado dos mais descolados e “mestres de feiras de ciências”. Agora vejam bem: só porque Naldinho é cético, não significa que não se beneficie de algumas coisas dessas novidades, mas só o essencial mesmo, afinal “ninguém mais tá na idade da pedra“, como ele mesmo diz.

Atualmente, já crescido, o Arnaldo é casado com a Pâmela, que morre de vontade de ter filhos. Filhos que ele nega veementemente. “Nem pensar que eu vou colocar meus filhos num mundo onde existe coisa tal como Bomba de Hidrogênio!” – Bomba de Hidrogênio era a máxima do Naldinho. Qualquer coisa podia ser justificada com o absurdo que era a concepção de tal artefato, visivelmente sem utilidade social, ou qualquer utilidade sequer que não fosse relacionada a exterminar grandes numeros da própria população humana que a desenvolveu.

No bar, outro dia, ele chegou com uma nova, enquanto recebia sua garrafa de cerveja gelada. Cerveja, por sinal, é uma das coisas que o Naldinho mais gosta. “Essa é das antigas, que nem o vinho, é tradição da humanidade. Das antigas mesmo“. Então, enquanto pegava a cerveja, tava ouvindo o Betão contar do assalto ao banco do lado da casa dele, interrompe a história e pergunta pro garçom se aquela cerveja tava na geladeira ou num balde de gelo.

- Puta que o pariu, Arnaldo. Qual a diferença, cara?
- É que, hoje cedo, parei pra pensar e concluí que geladeira é uma coisa estranha pra caralho.

Já tinha tempo que o sujeito não aparecia com uma nova. A turma já se atiçou logo pra ouvir e dar risada. Ele nem ligava mais pros risos, tinha desistido de converter as pessoas, só esperava que a velha guarda o entendesse, e não tentasse desconvencê-lo – coisa que já tinha se estabelecido há bastante tempo também: ninguém mais tenta demover o Naldinho de suas concepções.

A galera fez silêncio, aguardando a resposta do garçom e de olhos fixos no Arnaldo, que ainda segurava sua cerveja.

- Tava no freezer, senhor. Tá quente? Quer que eu traga outra?
- Não, tá gelada, mas me traz uma quente então. E um balde de gelo, daqueles que esses moleques mais novos gostam, com várias cervejas dentro. É isso, me vê um daqueles.
- É pra já, chefia!
- o atendente adentra o balcão e passa para os fundos do bar.

- Explica essa história aí, Arnaldo. Como é a parada da geladeira?
- Espera, Rubens. Espera o camarada trazer minha cerveja!

O garçom trouxe o balde cheio, com várias cervejas espetadas no gelo, botou na frente do Naldinho e já ficou por ali mesmo, pra ouvir a história que permeava um pedido tão incomum. O cético, por sua vez, tirou o trambolho de cima da mesa e colocou ao lado de sua cadeira. Isso ficou subentendido por todos como “essas são as minhas, as de vocês, podem pegar da geladeira mesmo”.

- Geladeira é o seguinte… Que nem um carro, é uma caixa de metal, só que com uma porta bem grande na frente, que é pra disfarçar o fundo, uma série de canos onde o ar é comprimido e expande, fazendo com que o lado de fora esquente e o de dentro esfrie. Ah, e tudo isso movido pela energia que é gerada muito longe daqui, numa hidrelétrica provavelmente, que eu NEM PENSO EM COMENTAR OU ANALISAR.

Sem muito retorno das pessoas, que continuam em silêncio, Naldinho percebe que não foi enfático o suficiente em relação ao refrigerador.

- Gente, gente, pensem no conceito da geladeira. Além do que eu já falei. Pra que serve uma geladeira? Pra guardar comida, e ela durar mais do que naturalmente duraria. Que tipo de comida? - ele espera uma resposta que não vem.

- Frutas, verduras, que são reservas de energia dos vegetais, para sua própria sobrevivência e multiplicação. Leite, que por sinal é a bebida de bebês de vaca, e não de gente grande! Água, que constitui a maior parte do nosso organismo, então, por conveniência, a gente GUARDA um tanto em casa, pra reabastecer as reservas quando der na telha. E o pior de todos: carne.

- A gente guarda bicho morto na cozinha, e ainda no frio, que é pra apodrecer mais devagar. Vocês não estão percebendo que tem algo muito errado aí? Bicho morto apodrecendo, gente! O que você acha que é aquele filé, ou aquela picanha embalada a vácuo lá no fundo da sua geladeira? Vácuo é ainda pior, que além de morto, ainda fica lá, numa embalagem totalmente sem ar! Como é que tira o ar de uma coisa, meu Deus?

Ninguém interrompe, o sujeito continua.

- Não percebem como essa onda de tecnologia tá acabando com a humanidade? A gente não tem mais que caçar, alguém caça por nós, e a gente guarda a carniça na geladeira! A gente não tem mais que plantar – que por sinal já é um conceito estranho -, nem colher! Alguém já fez isso por nós, e a gente guarda as frutinhas ali, reluzindo debaixo daquela luz amarela que acende toda vez que a porta é aberta. A gente não tem nem mais que se estabelecer perto de fontes de água, porque até isso já deram um jeito de colocar dentro de nossas casas! O ser humano tá virando bichinho de estimação de si mesmo!

- Qualquer dia, alguém no rádio vai dizer “Senta!” e todo mundo vai sentar e ficar sacudindo a bunda, esperando o próximo comando!

Ele conclui, triunfante, tomando um longo gole direto do gargalo da sua cerveja quente. Alguns fazem meneios com a cabeça, considerando o que ouviram, ou simplesmente fingindo que entenderam – eu sou um dos que se enquadra na segunda opção. O silêncio durou alguns segundos, até que alguém em outra mesa gritou pelo garçom – que tinha ficado ali por perto, ouvindo tudo. A velha guarda foi se reanimando aos poucos, tomando sua bebida ou atacando a porção de pititinga quase intacta no meio da mesa. Depois desse discurso, não sobrou muito assunto para conversas naquela noite.

Tenho que marcar uma reunião com a turma, a gente tem que prezar pelo futuro do amigo. Depois dessa da geladeira, acho que o Naldinho tá saindo do campo da tecnologia e se enveredando pela Biologia. Qualquer dia ele vai concluir que viver não faz o menor sentido, pela lógica. Que é quase mágica. Já tô torcendo pra que ele continue vindo ao bar toda semana antes de concluir isso, pra a gente continuar ouvindo essas abstrações que só ele é capaz de fazer.

Batismo de Tinta.

2009 foi um ano caótico, com direito a muitas idas e vindas entre Sudeste e Nordeste. Também foi um ano de estudo, porra, foi muito estudo, mais ainda do que as idas e vindas entre Sudeste e Nordeste.

Depois de tanto estudo e tantas “idas e vindas” (tô ficando cansado de repetir isso), finalmente se alcança o que se almeja: uma vaga na USP. AÊ! Aê! aê! A Muito pulo, muita gritaria, palavrões a dar e vender, comemorações célebres, telefonemas de todas as partes.

Massa, agora, quando é a matrícula? Segunda, massa. De manhã, massa! Como vai pra USP?

“Ôô, Lucas, que ônibus eu pego pra USP?”
“Ah, tem vários! Aqui na frente você pode pegar o 7181, um laranja, ou então o azul, que diz Cidade Universitária”
“Massa, obrigadão.”

Documentos em mãos, logo cedo já estou no ponto de ônibus. A memória é ótima pra pregar peças na gente, não é mesmo? De algum lugar obscuro da minha mente, tive CERTEZA que Lucas falou pra NÃO pegar o azul. Passaram três, seguidos. SEGUIDOS. Fiquei lá, plantado, passaram outros vários ônibus. Quando eu já tava desanimando (desacostumado dessa vida imprevisível de pegar ônibus), eis que surge ele, brilhando com todo o seu laranja berrante, vindo da Paulista e descendo (subindo?) a Augusta. 7181.

Entrei, paguei, sentei. Cochilei. Acordei quando o envelope de documentos escorregou da minha mão, caindo direto no pé do sujeito que tava sentado ao lado. Lutei pra ficar acordado. Fui dormir muito tarde e acordei muito cedo. Chegamos aos portões da Universidade de São Paulo. Uaaaau, é aqui que eu vou estudar! Muito ânimo e euforia espantam o sono.

Vou observando todas as paisagens, rótulas, carros, pessoas, cachorros, plantas, arbustos, árvores, placas, pontos, bicicletas e escolas lá dentro. Quase um animalzinho preso numa jaula, atônito, movendo a cabeça de um lado pro outro e absorvendo cada detalhe do mundo que passa do lado de fora das grades enquanto ele se move.

“Dúvida mortal… Pra que lado fica a ECA aqui dentro? Putaquepariu, devia ter perguntado isso pra Lucas também.”

Num dado momento de sagacidade, tive certeza que a ECA era do lado da Poli. Depois de o ônibus ter parado em uns três pontos diferentes na Poli, concluí que isso era um sinal e desci. Caminhei cegamente numa direção, com toda a certeza do mundo, sabem? Cheguei num portão de saída da USP. Confusão. “E agora? Ahá, guardinhas de azul!”. Fui até eles, me reorientei. Bem, parece que eu andei tudo na direção errada.

Voltei o diabo do caminho TODO, e mais um pedaço que andei de ônibus quando já deveria ter saltado. Achei a ECA. Já mais orientado, achei o local de matrícula. Eu estava de branco (grande erro), fui andando, todo contente e serelepe em meio àqueles banhos de tinta, com cabelo comprido, camisa branca RELUZINDO e sorriso maroto no rosto.

Duas garotas se aproximaram, perguntando se eu era bixo. “Sou!”, respondi com todo o orgulho que pude. Logo de cara tomei uma ducha de tinta azul na cabeça, e várias mãos de verde na camisa. Imediatamente surgiram vários outros veteranos. Um sujeito com uma tesoura pergunta meio sério, meio brincando “E esse cabelo, pode cortar?”. “Vim aqui pra isso, né?” respondo, e o sujeito começa a libertar sua criatividade. “Posso fazer um Van Gogh?”. Risos. “Não, obrigado”. “Só um pedacinho da orelha! Por favoooor!”.

Vou andando em meio a pinceladas e mãozadas de tinta até a banca de senhas. Pego a minha e começo a encontrar meus futuros colegas de aulas. Nesse meio intervalo entre pegar a senha e fazer a matrícula, fui assolado por uma tempestade de tinta vermelha, além de ganhar uma máscara, facilmente confundível com Zorro, mas que na verdade representa o Robin. Ah, a camisa, não sei o nome, e Vick já dormiu, então não dá pra perguntar, enfim, ficou um negócio que é aberto atrás e fechado na frente, típico de mulheres. Tão típico ao ponto de um veterano virar pra mim e falar “Tito, toda vez que eu te vejo de costas, acho que é uma menina, aí olho pra sua cabeça e vejo que o cabelo tá muito destruído, que nenhuma menina permitiria isso. Aí que eu lembro: porra, é o Tito!”

Só consegui tirar fotos em casa, depois de cruzar a cidade de volta no PRIMEIRO ônibus que apareceu depois que eu saí do fuzuê. A única foto do trote que eu apareço… tcharam! Estou de costas. Ridículo. Quem sabe numa outra vida eu sirvo pra modelo de fotos trotescas.

Agora, só alegria de novo, porque tenho que aproveitar as férias. Aulas começam dia 22 e o pique tá no máximo!

Obrigado por me acompanharem nessa jornada (isso vale tanto para a jornada que foi o email, como a jornada que foi um ano e meio de cursinho e um ano e meio de São Paulo, até a conquista suada da vaga) e por todas as mensagens e conversas encorajadoras (isso não faltou, obrigado mesmo, pessoal).

Particularmente, quero agradecer a meu pai, que em algum momento de 2008, afirmou categoricamente “Se é isso que você quer fazer, faça numa faculdade DECENTE!”. Pronto, agora sim, obrigado pelo empurrão inicial e pelo grandioso apoio nesse caminho, pai!

Chega de mensagem!
Beijos para todos e todas.

Tito Ferradans – ALUNO USP.

Girassol.

Ontem fizemos um ano e meio de namoro e Vick me deu um girassol. Hoje, enquanto ela estava na aula, concluí que o girassol era um bom modelo fotográfico e fiz algumas imagens.

Por enquanto, Vick está estabelecida aqui em casa, e adoro a presença dela todos os dias. Amor deixa a gente besta como quê.

USP + UFF 2010

Passei, PORRA!

Só isso mesmo.

« Older entries