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Awakening.

July 17, 2010

Dois anos depois, com uma lembrança vaga presa nos lábios e na garganta, o sonho retoma movimento.

Primeiro, a espera. Como manda a tradição, ele tenso de ansiedade, estômago revirando. Ela, calma, sabe - e dita - as regras do jogo. Nos minutos iniciais, a expectativa. Uma conversa sem muito sentido.

- Sua mão é gelada! Que nem a minha!
- Sério? Uau! - de fato, a mão dela é gelada.
- Mas meus braços são quentes. A mesma coisa com os pés.
- Quer dizer então que sua perna é quente?
- É - ela faz um meneio de cabeça.

Tensão. Ele toca na perna dela, na altura do joelho. O escuro do cinema é testemunha. Ela empurra o rosto dele para longe, brincalhona. Seus olhos são perdição. O sorriso maroto, é quase um convite. A boca reluz no escuro, mas ele ainda não faz nada. Aperta os próprios lábios, em dúvida e desejo.

"Foda-se".

- Oi - ele chama, ela se vira em sua direção e é surpreendida por um beijo. Não exatamente "surpreendida", afinal, havia um acordo velado que estavam ali justamente para isso. É um beijo longo, com muitas lembranças e expectativas associadas. Não decepciona, muito pelo contrário.

Ela se reclina com a cabeça sobre o peito dele e o coração do rapaz parece que sobe para a garganta. Parece que é a milésima vez que estão juntos vendo aquele filme. É estranhamente agradável.

Day-to-Day

Memórias.

July 15, 2010

Memórias não me deixam dormir. Tem tanta coisa viva, ardendo em minha mente, que simplesmente não consigo desligar. Preciso escrevê-las, tirá-las do éter e convertê-las em palavras.

Preciso dormir. Nunca tive olheiras tão profundas!

Day-to-Day

Fugere Urbem.

July 15, 2010

Fugimos para a fazenda de Deígo, em Imbassaí. No carro, eu, Donk, Diego e Cogo. Conosco, muito mais equipamento do que comida, como manda a tradição. A breve viagem me lembrou o quão divertido é dirigir por aí, sem muita obrigação com horários ou direções.

Viemos conversando e ouvindo música até praticamente metade do caminho, depois todo mundo ficou meio quieto, imerso em pensamentos, até chegarmos na estrada de terra que desvia da estrada principal e chega na fazenda. Aí foi uma loucura só. Chuva + buracos + lama + escuridão total garantiram nossas emoções e palavrões. Cogo, no banco de trás com uma Sony D30 no colo foi o campeão de xingamentos. A cada buraco, era um. Não podemos culpá-lo, a câmera pesa quinze quilos.

Chegamos na fazenda pontualmente à meia noite. Descarregamos só o básico e ficou a dúvida se realmente conseguiríamos fazer alguma coisa. Já tava meio chuvoso, e de noite ainda tivemos mais chuva. Dentro do grande vão que é a casa (só tem portas para os quartos e o banheiro, e uma leve divisão para a cozinha), ficamos conversando, comendo, bebendo e dando risada até as 3h da manhã.

O dia amanheceu chuvoso e lamacento. As idéias principais de filmagem caíram por terra, e ficamos na varanda, nas cadeiras e rede, tomando água de côco e descansando. Em um dado momento, tivemos a brilhante idéia de... brincar com facões. Entramos todos no meio do mato, com dois facões e saímos abrindo trilhas. Yeah! Grande erro: não ter ido vestindo calças. Minhas pernas estão com o dobro do tamanho, só picadas de mosquitos. Muitos mosquitos.



Almoçamos uma deliciosa (e salgada) feijoada, e ficamos processando isso o resto do dia inteiro, o que não foi algo muito agradável para narinas de maneira geral. No finzinho da tarde, quando já tava literalmente ficando escuro, eu e Diego descemos até a barragem para catar madeiras e fazer uma fogueira. Podia não ter rolado filmagem, mas fogueira TINHA que ter!

Depois de carregar muitos quilos de galhos (todos molhados) até a casa, o cansaço se abateu sobre mim e apaguei por uma hora, na rede. Depois disso, resolvemos que era hora de acender a bagaça. Vamos lá! Quase um litro de querosene, e uma explosão flamejante depois, descobrimos que o método não ia funcionar. Fizemos tochas, e enfiamos pelo meio dos galhos. Não tava dando, pegamos tampas de panela e começamos a abanar.


Eu e Donk literalmente promovemos uma reorganização da fogueira, enquanto ela tentava pegar, e conseguimos fazer o fogo estabilizar e criar brasas. Nada que signos de fogo (como se eu acreditasse em horóscopo) e larga experiência em São João de verdade não resolvam. Nossa fogueirinha ardeu das 19h à quase meia noite, e, enquanto Diego e Cogo se batiam dentro de casa posicionando luzes pra filmar UMA cena, eu e Donk ficamos tostando à beira das chamas, conversando sobre a vida.

(O bom de Salvador é que dá pra conversar sobre a vida com um bocado de gente).

Por fim, fomos dormir não muito depois disso, pra acordar às 5h, arrumar tudo na casa, lavar os pratos e ensacar nossas tralhas, colocar no carro e partir, pra chegar em Salvador perto de 7h. Chegamos 6h40. Foi beeem rápido, só eu, como motorista, e Donk, no banco do carona, vimos a viagem passando. Os outros dois vieram derrubados atrás. Cogo ainda abraçado com a câmera. Ele ama essa porra.

Por fim, deixamos Cogo em casa, com o equipamento, Donk também, sem equipamento, e voltamos pra cá só eu e Diego, pra morrer vendo algum filme ruim. Plano muito bem elaborado, e realizado com primor. Assim acabou nossa temporada de fuga da cidade.

Tô devendo fotos, eu sei. É que acho que esse computador não aguenta abrir as imagens da 7D. Se der, passo na casa de Cogo e posto algumas por aqui. Se não, só em São Paulo mesmo. Triste.

UPDATE: Consegui mexer numas fotos aqui nesse PC carroça mesmo, e elas agora ilustram o post!

Day-to-Day

Amigo de Si Mesmo.

July 12, 2010

Em seu recém-lançado livro "Quem Pensas Tu que Eu Sou?", o psicanalista Abrão Slavutsky reflete sobre a necessidade de conquistar o reconhecimento alheio para que possamos desenvolver nossa autoestima. Mas como sermos percebidos generosamente pelo olhar dos outros? Os ensaios que compõem o livro percorrem vários caminhos para encontrar essa resposta, em capítulos com títulos instigantes como "Se o Cigarro de García Márquez Falasse", "Somos Todos Estranhos" ou "A Crueldade é Humana". Mas já no prólogo o autor oferece a primeira pílula de sabedoria. Ele reproduz uma questão levantada e respondida pelo filósofo Sêneca: “Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo”.

Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com soluções simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha. Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó de pirilimpimpim.

Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.

Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. Como ainda há quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutsky: “Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza”. É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.

Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto “ser amigo de si mesmo”.

Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha “sou rebelde porque o mundo quis assim”. Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância.

Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de 2.000 anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo.

Martha Medeiros

Day-to-Day

Golden Slumbers.

July 11, 2010

Sobre este que vos fala, algumas atualizações dignas de muita nota. Sobrevivi ao primeiro semestre, a todo vapor. Faltam algumas (quatro) notas, mas acho que não preciso me preocupar com nenhuma matéria. Até amanhã todas as notas tem que sair.

Pois pois, o ponto número um é: estou em Salvador. Até o dia 20 de Julho. Tô querendo filmar coisas, vamos à fazenda de Diego (de onde saiu essa foto-pérola do banner) amanhã de noite, e voltamos pra casa na quarta de manhã. Algo meio pós-apocalíptico pode rolar por aí.

Ponto número dois: a moda agora é tocar gaita. Comecei tem no máximo duas semanas, aprendendo técnica pelo youtube e outros sites mesmo, e pegando tablaturas espalhadas pela internet, desde "Oh Susana" "Kum Bah Yah" até "Yellow" e "The Godfather". Diversidade total. É engraçado, porque parece ser mais complicado do que de fato é, mas também não é tão simples assim!

Ponto número três: se não deu pra sacar ainda, a partir do post "Roberto Carlos", estou solteiro, depois de quase dois anos de namoro. É outra coisa estranha e quase engraçada. Tinha desacostumado dessa vida e sensação.

Ponto número quatro: É sempre bom enfatizar que, quando faz frio por aqui, a temperatura mínima é 21 graus. E a umidade do ar é altíssima sempre.

Pra variar, eu tinha mais um monte de coisa pra comentar, mas acabei esquecendo tudo em função do sono. Agora me deixem dormir. Eu vim pra descansar, e isso é o que menos tenho feito!