Day-to-Day Tudo AV

Nascimento de Uma Ação.

April 17, 2010

Esse é o título do nosso 3-9 planos. Já mencionei as filmagens, no post que falava das últimas semanas, ficou faltando só explicar o que é exatamente o trabalho.

A proposta é contar uma história em três planos, e depois em nove planos sendo, no primeiro caso, um plano próximo, um médio e um geral. No caso da versão de nove planos, três de cada tipo, sendo que o primeiro e o último devem ser os mesmos do de três. Então, se a gente começa o de três com um geral e termina com um plano próximo, o de nove tem que começar no mesmíssimo geral, e terminar no mesmíssimo próximo.

Pensamos logo em refinar o exercício, trabalhando com luzes, som em separado, e filmar tudo em estúdio. O professor não se opôs, apenas restringiu que não poderíamos usar o estúdio que tínhamos pensado originalmente. Não demorou muito e outro professor se meteu na questão, barrando nossa utilização de luzes e som. A revolta no grupo foi completa e decidimos que iríamos fazer o exercício duas vezes. Uma da forma que pensamos, a outra nas regras propostas. Justo, não? Só que muito trabalhoso. Nosso set durou quase cinco horas, pra resultar em não mais que doze minutos gravados em imagem e dois de resultado final na nossa versão.

Lembrete importante, na hora de assistir, quando apertarem o Play, os botõezinhos do menu inferior do vídeo irão mudar. Onde tem o 360p, selecionem a opção 1080p, que é para altíssima definição, carreguem o vídeo e assistam em tela cheia, para aproveitar todos os detalhes. Tá, não são tantos assim, mas fica infinitamente mais bonito.

Desde o começo, da elaboração da idéia, Mari sugeriu algo metalinguístico e a sugestão foi imediatamente acatada, uma vez que o tema era "Um dia na ECA". Apelando para a metalinguagem, ou seja, simulando um set de filmagens, poderíamos tratar de qualquer tema, da forma que quiséssemos. A megalomania logo tomou conta e resolvemos filmar o assassinato.

Precisávamos de uma mesa velha, uma cadeira vagabunda e um cenário que lembrasse um galpão. Cadeira providenciada no prédio de Jornalismo, entramos na cara de pau e carregamos a dita cuja. Galpão arranjado no Estúdio C. Faltava a mesa. Rodamos todos os prédios da ECA e a Antiga Reitoria. No fim das contas, achamos uns pedaços pregados de madeira bem acabados que serviram perfeitamente para nossos propósitos.

Levamos algum tempo arrumando as luzes e contra-luzes em posição, testando microfone, emprestando equipamento pra outros grupos e posicionando o cenário, além de dar uma repassada no roteiro. Colocamos o tripé e conseguimos, logo no primeiro plano, uma imagem maravilhosa, num take perfeito. Algo totalmente fora do sério, mantendo o clima noir que desejávamos para a seqüência. Nada que um pouco de correções de cor para sombras azuis não pudesse aprimorar.

Como tive que devolver o equipamento de som na Reitoria algumas horas antes, apelamos para nossa câmera secundária se dedicar exclusivamente à gravação do som, em fita, para ser sincronizado depois. Grande trabalho, levou algumas horinhas aqui no PC. A montagem foi relativamente simples, e tem o efeito de tiro mais bem feito que já apliquei. O foco deixa tudo mais bonito, a qualidade da imagem em High Definition também ajuda bastante na capacidade de impressionar. Para o visual cinematográfico, contamos com uma lente Canon 50mm, com 1.4 de abertura. Todos amam profundidade de campo e coisas desfocadas.

No começo do projeto, Jota sugeriu usarmos Gymnopédie como trilha sonora principal. Eu nem sabia que diabos era isso, o povo explicou que é a trilha de Limite (1931, direção de Mário Peixoto) e que combinava com o clima. Decente, baixei as músicas e joguei na faixa de som. Encaixou com primor. Nota especial para a música dos créditos, que faz tudo parecer mais emocionante e dissimulado. Foi outro achado à parte nas bibliotecas de som desse computador.

Finalmente, a versão editada seguindo as restrições impostas por nosso querido professor. Comparem, se puderem.

Day-to-Day Tudo AV

Animação III - MacGyver.

April 16, 2010

Dispenso comentários. Trabalhar com massinha é complicado demais. Fios atravessando o set, bonecos inicialmente muito bem feitos, mas péssimos para movimentos. Nem o esqueleto de arame salvou nossas vidas. No fim, um apocalipse ao melhor estilo Chernobyl.

Day-to-Day Tudo AV

Pré-Caneca.

April 16, 2010

SEMANA 1 - 05 a 12 de Abril

Estive ausente por uns tempos, não é mesmo? Essa semana foi algo fora do sério, e faltou tempo principalmente para dormir, acreditem. Filmamos na Terça, na Quinta e na Sexta, além de entregar uns dois trabalhos e completar um terceiro.

Em ordem cronológica fica mais fácil, então vamos passar aos detalhes. Não sei se já falei por aqui, mas estou participando do Caneca (O Canal da ECA), programa que será transmitido ao vivo dentro da USP no dia 15, durante a Quinta & Breja, a partir das 21h. Dentro do programa principal existe uma série de quadros, preparados separadamente, para serem exibidos durante a transmissão.

Bixos de Elite! Idéia do André, com desenvolvimento de roteiro por um grupo bem grande, amplamente aprovado na reunião do Caneca. A base era parodiar Tropa de Elite, mas para situações recorrentes na nossa querida Escola de Comunicação e Artes. Fizemos uma seleção de cenas, reescrevemos o texto e adaptamos coisas.

Devido - como quase sempre - à uma produção enrolada, as gravações foram feitas com apenas uma semana de antecedência em relação à exibição. Segunda nós pré-produzimos o show: pedimos para todo mundo trazer camisa, arrumei os equipamentos numa mala, confirmamos com os atores (quase todo mundo do AVX, com participação de Vítor Coroa como Capitão Nascimento) e reservamos o auditório das tomadas internas. O dia abriu nubladíssimo na terça e por isso começamos com as "externas-não-tão-externas-assim", já que nenhuma era diretamente sob o céu. Eu e Mari na direção, Victor no som (são muitos Vítor/Victor, sério. Só nesse projeto eram três), uma galera no making-of, finalizando por Plínio e Vítor-Capitão na cena. Claquete, rodando.

No fim do dia, às 18h, contabilizamos mais ou menos seis horas de set, quarenta minutos gravados. Tudo isso para um resultado de mais ou menos quatro minutos. Fiquei responsável pela montagem e tratamento de imagem. Victor (o da Mari), pelo som, tanto na captação como na edição, e começamos a correr contra o tempo. Depois de capturar todo o material para o PC e fazer uma limpeza básica, dos takes que ficavam e os que saíam, comecei a fazer um trabalho sobre Griffith, renomado diretor da década de 1910. Tinha que ver dois filmes (ambos sem cor e sem som): Intolerância (180 minutos) e Broken Blossoms (87 minutos), para depois escrever sobre a estrutura e técnicas do diretor, em meio à teoria do melodrama, adaptado do teatro. Vi os filmes em velocidade 4x, escrevi tudo, fiz um milhão de pesquisas em livros, xerox, wikipédia e consegui terminar para dormir às 2h.



Na quarta, depois de entregar o trabalho da madrugada, percebo o desespero no rosto da jovem Bárbara. Oh céus. Mais um projeto do Caneca, e eu nem sou desse grupo! ECA Eye for the POLI Guy. Satirizando o programa Queer Eye for the Straight Guy, onde um grupo de gays (sem ofensas, sério) dá dicas de estilo, cultura, decoração e comportamento para um sujeito hétero, no nosso programa, um grupo de Ecanos daria vários toques para um garoto estudante da Escola Politécnica (praticamente todas as Engenharias).

As gravações já tinham dado errado uma vez, e a segunda (e última) tentativa era no dia seguinte. Missão: decupar o roteiro. Das 18h30 às 21h, na Sala de Produção. Conseguimos. Mais uma vez, procedimento de arrumar equipamento, itens de set (carreguei uma arara de roupas no ônibus, de casa para a USP e de volta). Retiramos mais uma tonelada de equipamento na Reitoria, para melhorar nossas possibilidades de resultado. Luzes, microfones, tripés, fones de ouvido e cabos. Fiquei até perto de meia noite dando uma refinada nos cortes do Bixos de Elite, afinal a exibição do programa era dia 15!

Se no Bixos de Elite as coisas correram bem, aqui foi conturbado do começo ao fim. Terminamos quando já eram mais de 22h. Elton, Renato e Stefan (os atores) foram realmente brilhantes, mas havia sérias dúvidas sobre a qualidade do resultado que sairia dali. A decupagem do roteiro não foi seguida e tudo parecia apontar para o caos. Falei para a Bá (short for Bárbara) que se ela arrumasse o material em ordem e já limasse tudo que podia ser jogado fora, a gente se reunia na semana seguinte, para editar tudo - ou boa parte do material - numa tarde.

Sexta feira - quem disse que existe coisa tal como "descanso"? De manhã, aula de animação, com massinha. Ô coisa dos infernos. O resultado ficou bem deficiente, mas era só uma experiência mesmo. No meio da aula, correrias pra devolver equipamentos emprestados da Reitoria para as filmagens do Caneca.

Já que estávamos em fase de produção do 3-9 (trabalho de Expressão I, a ser explicado em outro post), escolhemos rodá-lo nessa data, e ficar livres de compromissos na Segunda e na Terça. Como tive que devolver o equipamento de som na Reitoria, de manhã, a saída foi gravá-lo separadamente em outra câmera, dedicada exclusivamente para essa função. Ah, claro, esse foi mais um dia de carregar toneladas de coisas no ônibus.

Mariani já tinha reservado nosso precioso Estúdio C, no prédio do CTR (Cinema, TV e Rádio), então assim que acabou a aula de Animação, corremos todos do grupo para lá, abandonamos o material e fomos almoçar no querido e delicioso bandejão. Voltamos, roubamos uma cadeira do prédio de Jornalismo, uma mesa velha da Sala de Produção, posicionamos as luzes, câmeras, foco e toda a parafernália para rodar. Debatemos mais um pouco sobre o roteiro metalinguístico e começamos a brincadeira.

Aqui temos um "porém". Ao saber de nossos planos ambiciosos, com Luz e Som, nosso querido professor Joel proibiu a utilização desses equipamentos na realização do exercício. Nosso visual era basicamente sustentado nesses elementos, combinados com um enquadramento de suspense. O que fazer? Gravar duas versões de cada plano! A nossa, com luz, som, foco, full HD e tudo mais que dá pra sonhar, e uma versão pra ele, sem nada disso, só narrando a história.

A expectativa era de estarmos livres às 17h30. Não rolou. Terminamos às 19h, já com o CTR fechando e alarmes disparando nas nossas costas. Atenção especial para o momento Matrix-duplo, em que nossa querida lente decidiu pular do tripé, a quase dois metros do chão, e eu e Jota voamos para capturá-la. Tenso pra caralho.

Cheguei em casa correndo, com um monte de malas nas costas, joguei tudo espalhado no colchão (que a essa altura já tava abarrotado de todas as coisas que eu levei para as filmagens da semana toda), fiz backup pro PC das fotos da animação de massinha, pra não arriscar nada e abri outra mala, vazia, no chão.

Let's go to Rio! Eu e Vick fizemos um ano e oito meses de namoro no Sábado, então nada melhor que comemorar isso juntos! Joguei um par de roupas na mochila, entupi a mala com o máximo das coisas de Vick que ficaram por aqui, e rumei para o metrô. Depois de chegar até a rodoviária, na estação Portuguesa-Tietê, comprei a passagem. Meu ônibus saiu às 22h e às 4h da manhã, estava no Rio. Viagem tranquila. Peguei um táxi, em menos de quinze minutos, já estava entrando na casa nova de Vick. Dormimos até meio dia. Tempo meio nublado, ficamos em casa e resolvemos assistir "Beatles Num Céu de Diamantes" à noite. Uma das melhores decisões do mês.

O espetáculo é lindo, todos os arranjos são bem simples (vozes, violoncelo, piano e percussão básica), mas uma verdadeira obra de arte para admiradores dos queridos besouros. Cantamos todas as músicas junto com o elenco. Lindo demais. Já falei isso, né?

Chegamos em casa cedo, mas caindo de sono. Nada que doze horas dormindo não pudessem resolver. No Domingo fomos ao Forte de Copacabana, tiramos fotos, tentamos comer docinhos, mas a fila era muito grande. Revoltados, voltamos para casa, passando antes numa sorveteria de iogurte. Bizarro? Nem um pouco. Mais uma das maravilhas da viagem. Preciso de mais Yoggi!

À noite, fizemos a bela poesia do post anterior, liberando toda a nossa (falta de) criatividade poética enquanto víamos Faustão e devorávamos pães de queijo com vinho. Alto nível. Meia noite entrei de volta no ônibus, pronto (mas não preparado) para começar a segunda semana mais louca das últimas duas.

SEMANA 2 - 13 a 16 de Abril

Logo na segunda, a Bárbara me manda um e-mail dizendo que terminou de arrumar as cenas e deletar o lixo. Marcamos nossa reunião para o final da tarde. Ela tava filmando o 3-9 dela. Devido à uma grande Reunião do Departamento, estávamos liberados de nossas aulas nos dois primeiros dias da semana.

Fui à USP pela manhã, para emprestar luzes para as pessoas rodarem seus trabalhos. Voltei cedo pra casa e comecei a montar o Bixos de Elite. Todas as quatro ceninhas foram montadas com sucesso. O Victor-Som me passou os arquivos de áudio bons para sincronizar com a imagem e facilitar nosso trabalho do dia seguinte, de finalizar o vídeo. Fiquei fazendo isso até a chegada da Bá, perto das 18h30.

Começamos o ECA Eye. Até 21h30. Quase tudo montado, umas músicas já encaixadas, tudo estruturado, idéias de finalização para o dia seguinte. Ela foi embora e eu fiquei com Lila me dando opiniões sobre como continuar a edição. Arrematei mais umas cenas e sincronizei o resto do áudio do Bixos de Elite. Nada melhor que dormir à 1h da manhã!

Na Terça de manhã: USP, de tarde: Bixos de Elite, esquemas e correções de imagem. Victor e Mari vieram pra cá, pra a gente arrumar o som, mas graças a uma deficiência de programas adequados, não conseguimos fazer nada. Comemos pizza, eles partiram e eu fiquei acertando mais coisinhas no After até mais ou menos meia noite e meia. Neste ponto concluí que tinha muitas roupas pra lavar e o quarto tava um caos completo. Uns muitos roteiros estavam acumulados sobre a mesa, em meio a outros papéis de aula, de planos e tudo mais. Dormi.

Quarta passou voando, conseguimos finalizar o som do Bixos de Elite, apresentei o ECA Eye para nossas queridas produtoras e diretoras, e o mesmo foi aprovado. Decente. Eram 2h30 quando terminei de montar as coisas todas no After, sons e transições. Deixei renderizando. Tempo estimado: 2h. Fui dormir e botei o alarme pra tocar às 4h. Tocou, acordei, arrumei ultimos detalhes, só pra garantir e salvei tudo no pendrive pra passar pro Cauê, responsável pela organização de todos os quadros do Caneca.

Quinta. Dia do Caneca. Não vou comentar nesse post, porque não vale a pena. Tô cansado e quero entrar em detalhes sobre tudo que aconteceu. Só pra satisfazer a curiosidade de vocês, aí vão os dois quadros tão mencionados nesse post! Detalhe: Bixos abriu o Caneca, como primeiro VT exibido, e ECA Eye fechou o programa.

Bixos de Elite

ECA Eye For The POLI Guy

Day-to-Day

Síntese do Mistério, Segundo T. e V.

April 11, 2010

Cheiras este livro em uma biblioteca de volumes antigos. Eu envolvo estas palavras que reverberam entre silêncios, instantes de imobilidade que armazenam a poesia sob brilho. Dançam as sensações ante qualquer acaso, causando o casamento de ações. Tu, que cheiraste do conhecimento o saber, embriagas-te paulatinamente, insaciavelmente e choras o indizível que os autores vestiram com as palavras, aromas, cores, sons que constroem a imaginação. Fluidez tamanha entre estantes, paredes que sempre estarão esperando para serem, enfim, mais. Tu, humano - onde uma mudança há de ocorrer - tu vais conhecer teus vários. Serás, afinal, e porém sempre, belo para mim.

Specials

Sem Cabimento.

April 2, 2010

Não vejo tv. Prefiro saber que não sei o que se passa no mundo. Não, não é isso. Não assisto porque não tenho vontade. O meu tempo de viver, escolho passar longe da tv.

Quando digo isso para alguém, sempre ouço: "mas é importante saber o que se passa no mundo". E quem me diz isso, realmente acredita que "sabe" o que "se passa no mundo". Não sabe que não sabe.

O mundo é tão grande... A tv é uma caixa tão pequena.

por Fátima Sta. Rosa.

Essa, senhores e senhores, é minha genial mãe.

Specials

El Matador - Diários de Produção I

April 1, 2010

Depois de discutir (em trinta segundos) a idéia de um diário de produção com Mari, concordamos que seria algo útil e interessante, tanto para nós como para quem quer que esteja interessado na nossa saga tortuosa, partindo de uma idéia até o resultado final, um vídeo com algo em torno de três minutos.

El Matador começou a partir de uma piada. Isso mesmo, uma piada. Nosso argumento (idéia original/central do roteiro) é:

- Yo soy paraguayo e vim para matar-te!
- Para quê?!
- Para-guayo.

O plano - sugerido pela Mari - era apresentar essa piadinha como um trabalho da matéria Expressão Por Imagens e Sons I, num exercício chamado 3-9 Planos, onde devemos filmar uma ação em três planos estáticos, e depois a mesma ação, em nove planos, sendo o primeiro e o último sempre iguais. Existem outras regras, mas, enfim, elas não importam agora. O fator mais importante é que, depois de criar mil idéias, descobrimos que não tínhamos o direito de escolher nossos grupos. Então, é claro, ficamos em grupos diferentes. Aí fodeu tudo. A gente quebrou todas as regras do exercício e começou a planejar o Paraguayo (apelido do projeto, e nome do personagem, claro) da forma mais megalomaníaca possível.

Logo de cara, ambientamos o cara num perfil meio Western clássico, meio Mariachi (Robert Rodriguez e sua trilogia "El Mariachi", "Desperado" e "Once Upon A Time In Mexico"). Dividimos as tarefas. Eu ficaria incumbido de criar a marca da coisa, e Mari ia rascunhar o roteiro e alguns conceitos úteis. A marca vocês já viram, o roteiro, bem, estamos na dúvida entre divulgar ou não. É meio... apelativo. Só pra ficar mais claro, nossas referências principais são Robert Rodriguez, Guy Ritchie, Clint Eastwood, Quentin Tarantino, Era Uma Vez no Oeste e Justified. Espero não ter esquecido nada nem ninguém.

Como sempre, a base é não gastar dinheiro e produzir a maior qualidade possível nessa restrição. Logo nos primeiros minutos do projeto, conseguimos o apoio do Victor (namorado da Mari), que deu várias referências para pesquisa, dicas e sugestões capazes de impressionar o público.

Quais são nossas vantagens em relação aos clássicos (e multimilionários)? Tudo nosso é digital. A gente tem equipe e equipamentos de excelente qualidade (alguém aí falou em Canon 7D? Efeitos visuais digitais?). Somos todos grandes fãs de filmes de ação e o desafio/proposta é justamente chegar num nível impressionante. Apelaremos para fumaça, tiros, sangue, explosões, fogo, trilhas sonoras latinas, roupas e chapéus de cowboy, um saloon e mais uma infinidade de improbabilidades.

Algumas tardes depois, passamos o dia decupando o começo do roteiro, definindo os planos - ângulos de câmera, movimentações, o que aparece em cada quadro -, formas de fazê-los, discutindo o cenário e rabiscando algumas coisas de análise técnica (em resumo: coisas que precisamos conseguir, que têm papel fundamental no filme). Chegamos à conclusão que planos detalhe (mostrar as coisas bem de perto) são excelentes para pré-apresentar um cenário. Faremos isso na cena que o Paraguayo entra no saloon.

Em algum dos inúmeros e-mails que estamos trocando, Mari sugeriu uma estratégia de publicidade para quando já estivermos na pós-produção - só editando e finalizando o flime - que consiste basicamente em espalhar cartazes de "Procurado" pela ECA. "Ok - pensei - vou rascunhar alguma coisa agora", e comecei com uma base bem simplória, primeiro em inglês, depois em português, por fim, não terminei com nenhum dos dois. Conforme os elementos foram se encaixando, mais e mais detalhes eram incorporados quase automáticamente. Eles pulavam diante dos olhos dizendo "me coloca ali naquele canto!". Por fim, acabou ficando um cartaz bem elaborado, com direito a pesquisas sobre o Paraguai, alguns rascunhos de gramática espanhola (com ajuda do Google) e espaço para uma foto. Claro, esse espaço no meio ainda vai ser tomado por uma foto estilosa de "quem-quer-que-seja-nosso-ator-Paraguayo".

Mari: "Ah, e pensei em uma maneira de divulgar o Paraguayo... e se a gente espalhasse cartazes de WANTED com a foto dele por aí?!"

Tito: "Cartazes no estilo esse que vai em anexo? Tudo é sujeito a mudanças, sem comentar que não temos a foto ainda. Essa idéia dos cartazes é fantástica. Botei tudo em espanhol por motivos óbvios. O dinheiro (guarani) é a moeda do Paraguay (que por sinal devemos providenciar algum, nem que seja para a cena da maleta - ele não é vendido, não trabalha em troca de dólar. Orgulho nacional) e as outras referências são todas reais (Amambaya, fronteira, enfim)."

Decidimos então que, aproveitando a folga extrema que a USP nos dá na Semana Santa, iríamos a Ibiúna, visitar o Saloon onde vamos rodar tudo. Eu e Victor fomos de ônibus, a partir da Barra Funda. Chegamos faltando DOIS MINUTOS para o ônibus sair (sério), e a viagem passou por um trânsito bem pesado. Fomos conversando sobre diversas coisas, relacionadas ao Paraguayo ou não, e comentando planos de filmagens. Ao chegar, Mari nos resgatou na rodoviária e tomamos o rumo do sítio. Esqueci de comentar: a gente tem um confessionário pra usar em alguma cena ainda não definida!

Não vou me dar muito ao trabalho de descrever o local. A foto fala por si só sobre o clima da locação.

É genial. A gente rabiscou umas plantas, coisas que precisamos providenciar, movimentação da mobília, posicionamento dos atores/personagens, seus comportamentos e ações, detalhamos o tiroteio, e testamos algumas posições de câmera. Depois exploramos mais um bocado do sítio, confirmamos que as estradas nas proximidades são perfeitas para nossa seqüência de introdução. Fomos dormir relativamente cedo, e acabei acordando muito cedo, pra variar. Decupei o resto do roteiro, anotando um milhão de sugestões e idéias de como rodar cada cena enquanto os outros dois dormiam.

Ah, desde que começou o projeto, praticamente só tenho escutado trilhas sonoras do Rodriguez e música latina. Estamos à caça de um músico para compor nossas faixas de som. Falta pensar em muita coisa, para falar a verdade, mas acompanhem nosso andamento por aqui, e podemos ter uma grande surpresa ao final da viagem! Mais novidades chegando em breve!

Day-to-Day

Let's Hit The Road!

March 30, 2010

Como falei antes, estamos (eu, Mari e Victor) na pré-produção de El Matador, o mais estrondoso filme jamais feito sobre um paraguaio. Neste exato momento, devo estar chegando no ônibus que nos levará para Ibiúna, a fim de investigar e detalhar nossa locação. Na bagagem, um par de câmeras e um par de roupas, que devem ser mais que suficientes para passar o dia. De noite já estou de volta por aqui, com alguma novidade - e fotos.

Ando considerando fazer uma espécie de diário de produção aqui no blog - queria ter feito isso com Cuidado: Frágil -, narrando atualizações do andamento, idéias, problemas, soluções, atores, cartazes, patrocínio e tudo mais que a gente resolver correr atrás. Enfim, até de noite eu me resolvo sobre isso.