
Belo Horizonte, 25 de Março de 2009
Cara Carolina (gosto da sonoridade disso),
Cobrir minhas despesas não é necessário! A simples resposta de uma carta que eu não esperava já pagou essa suposta dívida. É tão raro trocar correspondências hoje em dia que, não posso negar, me parece uma coisa interessante. Quer tentar?
Atenciosamente,
Rafa.
Salvador, 29 de Março de 2009
Olá, Rafa.
Também gostei dessa sonoridade. Nunca tinha reparado nela. Acho que não posso dizer que recebo muitas cartas... É, de fato, cartas têm um charme peculiar, um toque de paciência, uma espera silenciosa e solitária. Tudo bem, aceito o convite das mensagens. Pode ser divertido!
Será que tenho intimidade suficiente para perguntar o que você faz da vida? Ops, acho que já perguntei!
Atenciosamente,
Carol.
Toda vez que respondia às cartas de Carol, Rafael percebia que era divertido fazer parte daquilo. Não era simplesmente jogar conversa fora ou uma atividade corriqueira. As cartas assumiam cada vez mais o clima descrito pela garota. Ele nunca sabia se, ou quando, uma resposta ia chegar, ou se o envelope chegaria a seu destino em segurança.
Na correria de sua vida profissional, esse momento da escrita lhe permitia relaxar e dar vazão a sentimentos e sensações que há muito tempo tinham se escondido sob as pranchetas e roteiros da agência. "É... Acho que as cartas têm mesmo seu charme..."
Belo Horizonte, 05 de Abril de 2009
Cara Carol,
Cara, Caramba, Cara Caraô! - ok, piada infeliz, eu sei. Estou ouvindo Chiclete com Banana enquanto escrevo, e a música simplesmente começou a tocar. Axé da sua terra. Tentarei compensar! Hahaha. Aproveitando o assunto, que tipo de música você ouve?
Bem, acho que tem intimidade para perguntar sim. Humildemente respondo que trabalho numa agência de publicidade e honestamente admito que é muito mais cansativo e estressante do que eu jamais imaginei enquanto estava na faculdade! E a senhorita, a quê dedica seus dias?
Abraço,
Rafa.
