Day-to-Day

Semana Pesada.

September 27, 2014

Nessa semana praticamente ganhamos dois novos assignments a cada dia. Tivemos três dias com nove horas de aula cada, DUAS AULAS DE LIGHTING (AEEE!), review do storyboard, conclusão dos Personality Walks, muita modelagem, e mais.

No review do storyboard, o Mike falou que supercompliquei a tarefa, e precisava tirar uns planos, alterar outros, mas no geral a ordem era "simplificar com base no que já tem aí". Como agora só tenho a entrega final, daqui a quatro semanas, o tempo tá tranquilo pra fazer. Em modelagem, terminei o bendito prédio hoje de manhã, depois de muito apanhar e sofrer pra conseguir fazer umas cadeirinhas e a pilastra enfeitada nos detalhes do telhado. Tirei muitas horas de um dia pra fazer minhas árvores - que no fim nem aparecem no render abaixo, mas vão aparecer no render do quarteirão completo, no Domingo, e agora tenho mais uma semana pra texturizar essa bagaça toda. É corrido!

Em animação, as duas aulas da semana foram totalmente voltadas pra finalizar o Personality Walk, e acho que esse é o primeiro assignment que gostei bem mais do resultado 3D do que 2D. Na última aula, logo no comecinho, descobri que o arquivo que eu tava trabalhando em casa tinha sido corrompido, e tive que ficar "ensaiando" a aula inteira e anotando, pra aplicar as modificações e ajustes no arquivo que tava em casa. Um inferno, mas bastante produtivo e libertador, ter aquele tempo só pra brincar com o movimento do personagem. Deu pra exagerar bastante alguns movimentos, e colocar esse balanço de cabeça, que era inexistente na versão anterior.


No lado bom das coisas, tivemos duas aulas de lighting e ambas foram incríveis. Temos um SUPER assignment, que vai consumir um tempo infinito de render, pra entregar no fim do term. Durante o fim de semana vou trabalhar nele, porque temos que apresentar - na terça - quatro ou cinco frames de exemplo para o que pretendemos fazer ao longo dos dois planos completos.

Mais coisas legais, o Paul terminou o master assignment dele, desse trimestre, na Think Tank, e como dei uns pitacos e feedbacks ao longo do caminho, tô postando aqui. Ficou incrível, e tô usando como imagem da minha lock screen, quando não tô usando o computador. O link tem mais informações, passes e tudo.

Day-to-Day

Storyboard e Stanley Park (de novo).

September 20, 2014

A May tinha que gravar um monte de ambiências, efeitos sonoros e backgrounds para uma matéria, então ontem de noite a gente combinou de acordar hoje BEM CEDO e ir pro Stanley Park, aproveitar o silêncio pra captações mais interessantes. Saímos de casa faltando 15 minutos pras 6 da manhã, montados nas bikes e usando uma lanterna maluca como farol. No caminho até o parque, que tem uns 3km, a gente passou por UM carro, e DOIS pedestres. A cidade toda dormindo. No parque, encontramos mais alguns ciclistas alucinados correndo um monte e resolvemos entrar numa trilha pra gravar o som do parque ao nascer do dia - e sem trânsito!

Depois de uns dez minutos sentados gravando, vemos um ciclista se aproximando na trilha. Primeiro ele tá com uma lanterninha piscando, depois pára de piscar e começa a pedalar mais devagar. Chegando perto ele faz uma super cara de aliviado e dá bom dia pra gente. "Phew, guys! I though you were coyotes!". Claro, a May gravou isso. Da outra vez que tentamos gravar no parque, à noite, estávamos andando em círculos de bike, e vem uma voz do BREU: "Are you guys lost? Where do you wanna go?". Também gravada. Dei a sugestão pra May fazer um blog, tumblr, sei lá, com o tema de "dia a dia de gravações externas", compilando pessoas que falam com a gente quando a gente só quer o silêncio. Enfim, é mais engraçado de se ouvir do que de contar.

Depois dessa brincadeira na trilha, gravamos passos em muitos ritmos e seguimos para o Beaver Lake, porque os passarinhos estavam começando a acordar e fazer sons mais legais. Aí ficamos mais um tempão sentados, e passou mais um ciclista dando bom dia. A gente literalmente viu o dia nascer enquanto andava pelo parque. E olha, é bonito pra caralho. Em alguns - vários - momentos eu lamentei não estar com a câmera pra tirar fotos decentes da ocasião.

Voltamos pra casa perto das 8h, pedalando mais um monte no caminho de casa e subindo umas ladeiras cruéis. Aí pra alegrar a história, fomos tomar café numa lojinha aqui perto que vende um croissant maravilhoso, junto com chocolate quente. Agora acabou a parte mais emocionante do dia, e o resto do tempo vai ser dedicado a terminar de modelar meu prédio na Water Street. Descobri que o prazo de entrega não é Domingo que vem, como calculei, e sim Quarta feira!

Agora, mudando de assunto e tirando mais coisas de atraso, ontem fiquei trocentas horas trabalhando num storyboard pra matéria de Visual Storytelling. É uma matéria mais tranquila pra mim, nesse term, porque a gente fala de direção de olhar, eixo, decupagem, movimentos de câmera, essas coisas todas que a gente cansa de fazer no Audiovisual, até por brincadeira. Nessas horas eu lamento que não sei desenhar maravilhas, porque ia ficar bem mais bonitinho, mas acho que tá compreensível. Como único assignment a gente tem que fazer um storyboard de uma página e meia de roteiro do Alien Encounter of the VFS Kind, "obra" inspiradora do projeto de Design do term 1. É o momento em que as crianças estão na casa da árvore e vêem a nave/meteoro cair do céu, nas proximidades.

O Mike tinha falado que algo entre 33 e 36 planos era a média, e acabei não caindo muito longe disso. Tenho mais quadrinhos porque ele falou que storyboard pra animação é mais detalhado, em termos de movimento e direção das coisas, diferente dos de filmes live action, onde tudo pode ser representado com um monte de setas vermelhas e anotações nas laterais do frame. Tá aí o resultado da primeira versão, e Terça feira temos aula com ele, pra ouvir comentários a respeito do trabalho e ir ajustando pra ficar perfeito.







Continuando nos assuntos atrasados. Ao longo das primeiras semanas tivemos aulas exclusivamente voltadas à apresentação dos três streams que podemos seguir a partir do próximo term. Temos Modeling, Animation e VFX. Em Modeling, aprendemos como melhorar nossos modelos, lighting, render, truques para aumentar a qualidade do resultado sem atrapalhar o processo de desenvolvimento, como detalhar melhor nossos projetos, escultura, essas coisas. Animation é fácil de adivinhar. Tem aulas de atuação, anatomia, e muita animação. O Colin, que é o supervisor do curso de animação fala que se você tem um bom personagem, a historinha do demoreel se desenvolve naturalmente ao redor dele. Finalmente, na Segunda feira, tivemos a última apresentação, que era do stream de VFX, que é o que quero seguir. Envolve compositing, partículas, matchmoving, rotoscopia e essas coisas mais divertidas de fazer. É colocar a ilusão do lado da realidade e fazer tudo parecer uma coisa só.

As aulas de VFX estão ficando cada vez mais interessantes e elaboradas, e até o fim do term, cada um de nós tem que apresentar um vídeo com as "Passport Skills", que são exercícios de várias matérias feitos ao longo desses últimos quatro meses, e trabalhos anteriores que a gente considerar relevante para avaliar nossas capacidades. Junto com esse Passport, cada aluno apresenta três propostas resumidas de demo reel, que serão comentadas e avaliadas por uma banca de três professores, visando sugerir a mais adequada de acordo com o potencial de cada aluno. Só coisa fina. Tô perdidão com o meu ainda, mas devem começar a aparecer idéias aqui nesse blog sobre isso em breve também.

Agora chega de escrever, e vamos modelar prédio!

Day-to-Day

Intensificando Atividades.

September 18, 2014

O Term 1 era moleza comparado com o segundo. A gente continua usando os mesmo programas (amém!), mas os assignments ficaram bem mais elaborados e exigentes, e agora não é só "replicar", envolve um tanto de interpretação e criatividade no estilo de fazer cada coisa. Os exercícios agora são mais elaborados, atravessando mais de uma aula, ou com aulas exclusivamente designadas para nos ensinar soluções criativas para os problemas que vamos encontrar na execução das tarefas.

Nesse post vai ter um bocado de coisas de animação, que é uma aula que eu tava achando meio chatinha, mas ontem a gente filmou estilos de caminhada (personality walks), por nós mesmos, e agora estamos animando em cima disso. Só o fato de ser algo "próprio" já dá um super gás pra tocar a idéia adiante, e acho que é a animação que tô fazendo com mais cuidado de todas até agora!

Bom, pra chegar nesse Personality Walk, a gente teve passos (olha o trocadilhooo) anteriores, primeiro animando uma bolinha andando, em 2D. Aí, passamos pra 3D.


Depois, entraram mais elementos em jogo: tronco e braços. Em 2D é bem fácil de fazer isso, porque são só os tracinhos, e se der merda, você vai e apaga.

Em 3D, é um inferno. Cada braço tem quatro controles diferentes de giro (cada controle tem três ângulos), a coluna é composta por seis controles, cada um com seus três ângulos de rotação, os pés tem três eixos de movimento e três giros, joelhos, quadril, cintura e cabeça, tudo pra mexer individualmente ao longo de muitos frames e fazer uma caminhada "natural". A minha não ficou muito natural, meio exagerada demais, muita ginga, mas nada terrível.

Numa outra aula, de Surfacing dessa vez, a gente tava vendo como reproduzir pele, em 3D, reagindo de forma natural à luz. Foi aí que eu realmente percebi o quanto a gente estuda o mundo real pra poder recriar as coisas no computador. Uma tecla que eles não cansam de martelar é "se você acha que sabe como algo funciona, provavelmente tá errado. Sem referência, sua imaginação vai preencher as lacunas, e não vai ficar algo convincente". E é muito verdade. Nas aulas de animação a gente vê centro de gravidade, como a gente equilibra nosso peso enquanto anda, ritmo, peso, nessa aula de Surfacing a gente tava vendo o que compõe a pele, epiderme, hipoderme, espessura de cada uma, como a luz atravessa, cor, melanina, etc. Em rigging, a gente tá vendo como ossos, músculos e juntas funcionam e, pra completar o kit, a gente também tem Life Drawing uma vez por semana, que é a grande surpresa desse term (achei que ia detestar, porque não sei desenhar, e já tô achando divertidíssima) - no term passado, esse prêmio foi pra Team Building.

Voltando pra animação, pra coisa ficar bem feita, a gente filmou as caminhadas de frente e de lado, pra poder ver direitinho onde tá indo o centro de gravidade, que ombro tá pra frente, que braço e que perna tá fazendo o quê, essas coisas, pra depois jogar isso no computador e desenhar por cima das poses principais. Já fizemos a base em 3D hoje - mas só vou postar a animação quando estiver totalmente pronta - e vamos fazer a 2D na semana que vem, a partir desse cheat-sheet aí embaixo.


No processo de converter esses vídeos pra folha acima, aproveitei pra desenhar grosseiramente os frames intermediários e centralizar o movimento no After. Coisa rápida, só pra ver como a animação vai ficar em 2D, quando fizer direito.

Parando com a onda de animações, vamos pro outro mega assignment que temos até o momento, que é modelar um quarteirão inteiro da Water Street, em Gastown (a duas quadras da escola). Nosso grupo tem quatro pessoas, e temos sete prédios pra matar. Fiquei com o maior, enquanto o povo ficou com dois prédios, cada um. O meu é esse aqui ó. Tô indo pra lá quase todos os dias no intervalo de almoço, pra fazer desenhos e anotações sobre detalhes das vitrines, medidas (feitas com uma trena, no meio da rua), alturas (usando o bendito Teorema de Pitágoras). Eu até postaria as anotações, mas elas estão por demais caóticas.

Enfim, semana passada a gente entregou uma versão proxy da coisa, que é algo sem muitos detalhes, mas do quarteirão inteiro, juntando os prédios de todos nós. A imagem gigantesca fica aí embaixo. A entrega final é daqui a dez dias, e tenho uma lista considerável de detalhes pra corrigir ou modelar do zero, em meio aos outros assignments. Diferente do Term 1, a gente tá modelando a vizinhança no tempo livre, e nas aulas estamos modelando um personagem. É muita tarefa de casa, colegas.

Tem um monte de coisa ainda não contada, mas vou deixar pra outro post, senão vai a tarde inteira embora, e ainda tenho um monte de coisas pra fazer por aqui.

Day-to-Day

Dia Chuvoso.

September 3, 2014

Ontem foi o primeiro dia de aula da May, e meu último de férias. Choveu pra cacete do começo ao fim. Quando tava dando a hora do Sol se por, o aguaceiro deu uma trégua e apareceu esse sol. O celular não dava conta de capturar a beleza da coisa e tive que pegar a câmera de verdade. Mas perdi os melhores momentos, porque fiquei uns quinze minutos só assistindo as nuvens abrindo, e prestando atenção nas cores de tudo!



Em temas (bem) menos relevantes, peguei pra assistir o Need for Speed, que é baseado nos jogos da EA, e tem o Aaron Paul, de Breaking Bad. Tem suas semelhanças com filmes genéricos de corrida (leia-se: Velozes e Furiosos), mas consegue ser bem divertido, e lembra um bocado dos jogos, pelo menos, os últimos que eu joguei (Underground 1 e 2, Most Wanted e Carbon, não sei definir exatamente o quê. Ah, e eles se livraram de toda aquela maluquice de neon, nitro, e alucinações de enfeites para carros. São só os carros, e os pilotos mesmo. Tem seus momentos.

Além disso, na terra do ócio do break, zerei Last of Us de novo, dessa vez no famigerado Grounded Mode, um modo de dificuldade descrito como "mais realista", onde inimigos causam mais dano, são mais inteligentes e atentos, suprimentos são mais escassos, e não há o hud (ou seja, você nunca sabe como anda sua saúde, nem munição). Foi difícil, levei muito mais horas do que a última empreitada, no Hard, mas não impossível. Tem trechos enoooormes sem nenhum checkpoint. Perto do fim, teve uma sequência de mais de vinte minutos sem salvar. Morreu? Volta pro começo da ação. Jogo escroto da porra, mas sempre vale a diversão.

Hoje já tive aulinhas, mas nada muito absurdo. Vamos ver como vai ser esse Term 2, e aproveitar o ritmo menos tenso da primeira semana. A chuva deu uma trégua, e deve voltar daqui a umas duas semanas, pra ficar.

Day-to-Day

Para A May.

August 26, 2014

Esse é um post que tá entalado tem tempo, então pode virar uma bagunça pelo meio. Bom, vamos lá.

Não me vejo como "o cara que manja de fazer social". Todos os meus namoros, flertes e coisas começaram na internet, com pouco ou nenhum contato real até o dia do encontro de fato (e isso tem consequências aleatórias até hoje no meu dia-a-dia, mas não é o assunto em questão). Meu único relacionamento que não começou assim é também o que mais tá durando.

Minha primeira lembrança da May é, acho que na primeira semana de aulas do AV. Um dia aleatório, que a aula seria num auditório, mas tinha sido transferida pra outra sala. Fui pro lugar errado e ela, junto com mais uma galera, me viu pela janela, pegando o caminho errado. Aí ela apareceu por lá, pra me resgatar e explicar o lugar certo. Sabe amor à primeira vista? Então, não foi o caso. Ao longo dos próximos meses, a gente trabalhou em vários curtas juntos além das aulas, e era sempre uma pessoa divertida de estar por perto, conversar e fazer piada. Era também a menina que morava longe pacarai, que usava uma mochila vermelha e SEMPRE carregava um guarda-chuva, mesmo que tivesse um Sol de rachar - se alguma dessas informações não for precisa, é como minha mente recria esses primeiros meses de aproximação.

Fizemos audiovisual juntos. Eu fui pro "visual", ela foi pro "áudio" e não foi combinado. Era a aspiração de cada um e a gente sempre se apoiou um no outro pra fazer nosso trabalho melhor. Ouvir as histórias e críticas dela me fez atentar pra muita coisa do meu trabalho de foto, de forma a melhorar o trabalho de quem estivesse fazendo som- a rixa Foto VS Som é tradicional, e é bem comum o povo da foto passar por cima do som como se fosse algo natural. Ah, não era isso que eu ia falar, esse parágrafo todo era só pra falar que somos o casal "audiovisual".

Tem um monte de histórias dessa fase, mas acho que nenhuma delas é de extrema relevância pra esse post. O fato é que a gente começou a namorar mesmo em Agosto, segundo semestre do primeiro ano de AV. Pra ser preciso, tem quatro anos e nove dias que a gente tá junto. Queria escrever várias historinhas pra ilustrar o post, fazer vocês se identificarem com a gente, essas coisas, mas toda vez que eu começo um novo parágrafo, parece falso, então eu vou escrevendo, e foda-se. Ah, e toda vez que eu usar a palavra "estar", nem sempre eu me refiro a literalmente estar no mesmo lugar. A gente passou um tempão longe, mas estando junto. Vamos adiante.

Não dá pra falar também das coisas que a gente faz junto. Moramos juntos praticamente desde o começo, então a gente faz tudo junto. Muitas coisas são mais de um do que de outro, mas raramente é algo EXCLUSIVO meu, ou dela. A gente vai ao mercado junto, a gente cozinha junto - eu sou assistente, lava-louça e fazedor de sucos -, a gente vê filmes, séries, curtas e ouve música juntos, arruma a casa junto, põe o lixo pra fora, arruma banheiro, faz a cama, bagunça a cama, espana os móveis, faz lista de compras, aprimora a casa, e tudo mais que vocês pensarem, a gente faz junto. Não junto de dependente, mas junto de dupla. Se tiver que fazer sozinho, a gente faz e não acha ruim. Mas quando é junto, não é só obrigação. Tudo é divertido de se fazer quando a companhia é boa, não?

Estar com a May mudou minha vida. Como viemos de lugares, famílias e situações totalmente diferentes, coisas que pra mim são óbvias, pra ela não tem nenhum sentido, ou são uma grande estupidez. O contrário também é válido, e nessas horas é que a gente discute, e cresce mais.

Descobri qual é o problema desse post. Eu tô falando por nós dois. O que eu quero mesmo é falar PARA a May, e que quem quiser possa ler, então vamos mudar de formato.

Meu bem, não vou dizer que foi o simples fato de te conhecer que mudou minha vida. O que mudou minha vida foi termos passado os últimos quatro anos juntos, podendo contar um com o outro, podendo conversar sobre qualquer coisa a qualquer hora, dos assuntos mais pitorescos aos mais cotidianos - como "que mesa a gente quer comprar pro nosso apartamento?" e nunca sentir que o outro não tava dando importância para a questão.

Os últimos dois meses e meio, longe de você, pareceram moleza, mas agora que você tá aqui é que tô vendo como os PRÓXIMOS meses é que vão ser moleza! Não, eu não tava sozinho, nem de longe. A gente conversou de tudo, e não dá pra dizer que tomei nenhuma decisão sem antes passarmos por ela juntos. Sério, a gente escolheu cada móvel da casa online, argumentando prós e contras, pra depois ir comprar. Eu montei boa parte deles conversando com você no skype, no que eu acho que foi o dia mais calorento de toda a minha vida. Eu te mandei uma mensagem quando vi um esquilo atravessando a rua. Eu te mandei mensagem quando vi o preço da Nutella no mercado, eu te mandei mensagem quando me mudei, te mandei mensagem quando cheguei, mandei mensagem na aula, quando tava indo no cinema, de manhã, de tarde, de noite e de madrugada, e nunca fiquei sem resposta.

Eu sei que esses dois meses em São Paulo tavam foda, que era greve, era TCC, eram vários sonhos de vida entrando em conflito, a distância e os fusos horários atrapalhando a comunicação, aulas, internet ruim, compromissos e mais UMA CHUVA DE COISAS PRA RESOLVER, mas você conseguiu, e agora tá aqui. É engraçado pensar nisso - que a gente conversou hoje no mercado. Se não fosse por você, eu provavelmente não estaria em Vancouver agora. Se não fosse por mim, você provavelmente também não estaria em Vancouver agora. Foi graças a uma mega retroalimentação de sonhos e planos mirabolantes em dupla que conseguimos chegar até aqui. E vai ser contando um com o outro que a gente vai conseguir continuar por aqui, e correr atrás das coisas que a gente sonha.

Nesses pouco mais de dez dias que passaram desde sua chegada meu dia-a-dia já ganhou um brilho que nunca teria sem a sua presença - passear de bike pela cidade, se atirar no trânsito, ver pôr-do-sol rosa, comprar bicicleta, andar até acabar as pernas, fazer almoço em casa, tocar violão de noite - só olhar pra você, ou fazer carinho nas suas costas já é mais que suficiente pra me fazer sorrir e ficar em paz.

E quando a gente encontrar desafios, sei que vamos enfrentá-los juntos, seja pra vencer, seja pra perder. O resultado vai ser sempre igual para os dois. Eu nunca vou perder se você ganhar, e nunca vou ganhar se você perder. Quero que você saiba (e se prepare! haha) que se eu for pedir ajuda pra alguém, vai ser pra você. O contrário também é válido e se precisar de ajuda, é só me gritar que eu mergulho de cabeça pra te apoiar.

Toda vez que eu tô sentado nessa mesa e olho pra você na minha frente, não tem como não pensar que a gente tá nesse país sozinho, por nossa conta, e que nossas decisões dizem respeito apenas a nós mesmos. Não tem "fugir pra casa", "fugir pro pai ou pra mãe". Nossa casa é essa, casa pra mim é onde a gente (eu e você) é responsável por tudo que acontece, que entra e que sai. A gente não tem que pedir autorização de nada pra ninguém e é uma sensação de independência tão surreal que sou muito feliz de ter você pra dividir a responsabilidade. Tomar todas as decisões é fácil. O desafio é achar alguém que a gente confie tanto a ponto de mudar de decisão e saber explicar porque mudou. Você é essa pessoa pra mim. Acho que começar uma família é por aí.

E te amo por topar começar uma família comigo quando eu perguntei, sem saber direito onde, como e quando:
"Quer casar comigo?"
Você disse que sim.

Day-to-Day

Vendedores, Bikes, Ônibus e Eletrônicos.

August 24, 2014

Sexta foi um dia muito louco. Na quinta a gente foi na BestBuy comprar umas caixinhas de som, e já fizemos um mega projeto de multi-conexões entre a turntable, tv, computadores e celulares, tudo com um turbo sonoro proporcionado por um treco chamado "soundbar" que eu nunca tinha visto na vida, mas que tem bluetooth e torna a vida toda uma grande praticidade. Desde então, a gente tá constantemente ouvindo música e mandando alguma coisa de som pra tal barra, só pra aproveitar a possibilidade.

Bom, isso era só um parênteses pra falar de sexta, e agora vai. Logo que a May chegou aqui, a gente foi num brasileiro, via facebook, que tava se desfazendo de sua bike, e comprou a desgramada por $150. Barato, por uma bike com freios e pneus novos, e em bom estado de funcionamento. A May não tinha se adaptado muito na primeira andada, então fiquei usando essa bicicleta ao longo da semana, pra testar. Na quarta, estourei a corrente na hora que tava começando a andar pra sair de um sinal, na rua, indo pra aula. Tive que ir o resto do caminho a pé, carregando a bike e voltar empurrando pra casa, mais tarde. Nada pior que andar por ruas lotadas empurrando uma bike, sério.

Então, na sexta, como tínhamos tempo, resolvemos ir na mesma loja onde o Nicko tinha comprado a bike dele, porque queríamos consertar a corrente, trocar o guidão por um mais alto, ver uma cesta, trocar o banco, o escambau. Um tune-up total na pobre bike. Chegando lá, o vendedor já deu uma bronca na gente, porque a bike era claramente maior que o tamanho adequado pra May. Nem arrumando tudo aquilo, a bike ficaria boa. Tinha que vender essa e comprar uma nova, numa loja de bikes, pra ser do tamanho certo, e ter garantia de que tá tudo funcionando.

Depois do pânico de ter que procurar uma nova bike, criamos coragem pra passar em casa, deixar essa problemática descansando na varanda e partir pra Ride On Again, onde comprei a minha bicicleta também, pra procurar uma menorzinha pra May. Juntamos todas as moedas da casa pra poder pegar o ônibus. Não dava o total que precisávamos. Entramos numa loja de conveniência e compramos uma água e um chocolate, pagando com $50, só pra conseguir mais moedas. O plano deu errado, e não ganhamos quase nenhuma moeda de troco, mas a mulher da loja disse que era tranquilo pagar com cédulas, que o motorista não podia recusar nem expulsar a gente do ônibus.

Fomos então pro ponto e ficamos esperando o bendito. Depois de vários minutos e muitas piadas terríveis, o ônibus apareceu e embarcamos. Falando com o motorista, tomamos uma mega bronca, de que era nossa responsabilidade ter as moedas pra pagar, que a máquina não aceitava notas, etc. No fim, ele perguntou pra onde a gente tava indo, e deixou a gente andar de graça. Aí um cara virou pro Nicko e pediu pra tirar uma selfie "com ele e sua barba". Acho que foi a coisa mais inusitada do dia. Depois disso, a viagem seguiu sem maiores surpresas e chegamos na Ride On Again rapidinho.

Lá, a May foi muito bem atendida e acabou comprando uma bike nova bonitíssima, capacete, tranca e todos os aparatos pra poder andar pelas ruas. No caminho de volta já aprendemos como pegar ônibus carregando a bicicleta (tem uma paradinha na frente do ônibus, onde você põe a bike, pura tecnologia), que foi mais uma das lições do dia. No finzinho da tarde, resolvemos sair de bike, pra praticar um tanto - a bike do Nicko é fixa, e freia conforme ele pedala mais devagar, e ele SEMPRE tem que pedalar, inclusive nas ladeiras mais absurdas. A May também tava querendo ganhar mais confiança pra andar pelas ruas, mas não tava se sentindo muito bem e acabou ficando em casa.

Fomos eu e o Nicko, pela orla até o Stanley Park. Tentei achar o caminho pra dar a volta no parque todo, mas acabamos saindo antes do meio do trajeto, por motivos de "nos perdemos". Na volta pra casa passamos por umas ladeiras escrotíssimas e chegamos colocando os pulmões pra fora pela boca. Combinamos de ir de novo hoje cedo, e aí sim fomos os três, e consegui achar o caminho pra dar a volta completa no parque. No fim, andamos perto de uma hora e meia, e rodamos quinze quilômetros sem muita exaustão (exceto pro Nicko, que pedala freneticamente o tempo todo). Comemos até um crepe salgado com limonada na volta pra casa, pra abastecer o estômago com comidinhas.

Voltamos pra casa e aí nos separamos de novo. A May tava com fome (não se interessou muito pelo crepe) e ia no mercado caçar alimentos. Eu e o Nicko criamos coragem pra andar mais uma hora e meia, incluindo metrô, até a Main Street para comprar componentes eletrônicos e trabalhar numa idéia de seta para as bikes, tipo uma de carro mesmo, que você aciona no guidão, e uma luz pisca atrás, indicando o lado para o qual você pretende virar. Visitamos duas lojas diferentes, na mesma quadra, uma a menos de 30m de distância da outra, e com atendimentos tão radicalmente diferentes, que mal pareciam vender a mesma coisa. Entre nossos itens da lista, tinha uma bateria USB. O cara da primeira loja nem entendeu o que diabos era uma bateria USB e tentou vender carregadores de celular para carro pro Nicko, entre outras tralhas. O da segunda loja tinha a bateria, mas como era recém chegada, ele se recusou a vender até terminar sua bateria de testes, garantindo a qualidade do produto. Fiquei impressionado e admirado com essa atitude.

Quando já estávamos voltando pro metrô, lembramos que uma peça tava faltando e tivemos que voltar pra loja, que agora tava lotada, e levou vários minutos até sermos atendidos de novo... No fim, saímos abastecidos e nos arrastamos no caminho de volta pra casa. Por aqui, a May tinha feito um almoço delicioso de carne de panela e batatas que a gente se afundou. Depois, ficamos duas horas e meia ouvindo Dave Van Ronk e soldando pecinhas uma na outra, até o circuito todo funcionar perfeitamente de primeira tentativa.



Agora só falta fazer o resto todo das setas, e tá pronto (até parece que é moleza assim). Vai dar um trabalho do caralho, mas se conseguirmos concluir tudo, vai ser incrivelmente bonitinho, prático, seguro e resistente. Quantas qualidades, hein?

Bom, chega disso, vou colocar aqui um vídeo do treco funcionando, só pra não ficar um post desimagético.

Day-to-Day

Medidas de (in)Segurança.

August 23, 2014

Ontem a gente resolveu fazer o tradicional Salmão do Nicko de um jeito diferente, sem o papel alumínio que normalmente envolve os componentes da receita. O peixe tava grudando muito no papel e rolava um mega desperdício. O resultado da experiência não foi lá muito positivo, e tivemos algumas rajadas discretas de fumaça saindo do forno, que levaram a um surto por parte do alarme de incêndio. O surto do dito cujo nos levou às tais medidas do título, adequadamente ilustradas na imagem abaixo.

Quero deixar registrado que NÃO vamos manter o alarme tampado, porque sabemos do perigo que isso constitui, mas também é importante ressaltar que o tupperware + fita crepe funcionaram perfeitamente em sua função de isolamento, e já sabemos como fazer frituras e outras coisas fumacentas sem chamar os bombeiros!