Day-to-Day

IKEA e a Mobília.

July 14, 2014

Fim de semana agitado rende mais de um post! Era pra ter escrito ontem, mas acabei de arrumar tudo muito tarde e precisava dormir pra ir pra aula hoje.

Bom, o domingo começou de madrugada. Apaguei às 22h de sábado, derrotado pela montanha. Resultado, acordei antes das 4h da manhã de Domingo. Tinha combinado com o Fernão de ir na Ikea umas 10h30, então tirei umas horinhas pra resolver os benditos desenhos da aula de Design (que ainda tenho que terminar hoje), e umas paradinhas de Team Building. No fim das contas, todo mundo atrasou, e partimos (Fernão, Maísa e eu) para a Ikea perto de meio dia, com direito a gato-e-rato no metrô, onde eles desceram por uma escada e eu subi pela outra, e depois o contrário, tudo isso enquanto mandávamos mensagens pelo celular.

A viagem de Skytrain e ônibus levou uma hora, e no meio do caminho a gente ficou vários minutos perdidos procurando o ponto de ônibus certo. Ah, e tava fazendo UM CALOR que não é desse país, e a gente na rua, debaixo de um Sol de rachar. Aquelas camisas de $3 foram uma benção, porque já tava estreando uma delas.

A Ikea é tipo a Tok Stok, com algumas diferenças básicas. Tudo é de boa qualidade, e você consegue mobiliar uma casa inteira em poucos minutos. Ao invés de tudo ser ridiculamente caro, como é na Tok Stok, é ridiculamente barato.

Eu e a May já tínhamos escolhido nossos móveis a dedo pela internet, e fui lá porque tava indicando que a loja tinha todos os itens que queríamos. O delivery tava salgado a $99,e podia ser que melhorasse indo pegar na loja. A idéia original era dividir a entrega entre nós, pra ficar mais em conta pra todo mundo.

Depois de três horas passeando pra cima e pra baixo, anotando código e discutindo possíveis alterações por whatsapp com a May, resolvemos começar nossa jornada de saída do showroom. Nesse processo, encontramos com o Luka, um colega de curso, que tava lá pra comprar uma mesa, e resolveu entrar na festa do delivery.

Depois do showroom, quando achei que a loja tava acabando, começavam os setores de acessórios. Pratos, copos, toalhas, almofadas, tapete, vasos, plantas falsas, coisas de cozinha, decoração, o caralho a quatro. Muitos e muitos espaços disso.

Depooois disso tudo - eu passei quase correndo, porque não tinha nada que me interessava lá. Aí chegava a parte do self-service de verdade, onde você pega todos os códigos de produtos (com corredores e prateleiras indicados no showroom), e vai colocando as caixas no carrinho. Tudo bem se você for comprar pouca coisa, mas quase me quebrei todo nessa parte, levantando caixas pesadíssimas, apelando pra todo o meu senso de equilíbrio e colocando as paradas no carrinho.

Essa parte é um galpão. GIGANTE. Sério, acho que é o maior espaço que já estive dentro. Surreal, com prateleiras, caixas, corredores e estantes do chão ao teto, abarrotadas de móveis de todos os tipos.

Saí feito barata tonta procurando os lugares certos e carregando as caixas. No fim das contas, tinha achado tudo, menos a mesa, que o computador dizia "request personal assistance". Fiquei quase meia hora até conseguir achar um diabo de um funcionário. Por fim, o carinha imprimiu uma folha de papel com um código de barras e disse pra apresentar no caixa.

Depois disso, consegui a mesa - que pesava mais 30kg. Todo mundo já tava com suas mobílias e fomos investigar jeitos de transportar tudo pra nossas casas em downtown. O transporte da Ikea só ia chegar no dia seguinte, e custava $79. Resolvemos pegar dois táxis, e rachar os custos. Vim com o Luka, e cada um de nós gastou $25.


Carrinho de compras, com uns 80kg de madeira.

O taxista despejou a gente aqui no prédio - ele literalmente disse que não podia continuar a corrida, que precisava voltar pra Richmond. Tiramos tudo do carro, inclusive as coisas do Luka, que ia ficar em oooutro lugar. Ele me ajudou a carregar minhas coisas pra cima, e como eu precisava entregar o robô escorpião, peguei uma carona no táxi dele até perto da VFS.

De lá, AFINAL, fui almoçar - já eram 6pm e o calor continuava ridículo. Combinei com a Luísa de pegar as ferramentas dela pra montar os móveis, e fui encontrá-la na praia. Desci de bike e, literalmente, pedalei uma única vez, ao longo de oito quadras, porque era tudo descida.

A praia tava LOTADA. Nunca vi uma praia tão cheia antes - e olha que vi muita gente em Salvador. E era um clima muito festivo, uma coisa louca. Peguei as ferramentas com a Luísa, que tava lá aproveitando o Sol e desenhando (as coisas de Design também).

Cheguei em casa umas 7pm, e queria terminar de montar toda a mobília (duas cadeiras, dois pufes, um móvel de TV, uma estante e uma mesa expandível) até 22h, pra dormir cedo. Até parece que eu consegui, né?

Fui acabar quase meia noite, suando feito um condenado, porque o calor não deu trégua, e mesmo com a varanda aberta, o ar não tá circulando nos últimos dias. No processo de montar os móveis, prendi bem uns cem parafusos, coloquei suportes, apertei tábuas, levantei e me perdi no manual, foi um Lego, versão doméstica, com instruções tão complexas quanto qualquer cenário elaborado.

Meus dedos já estavam todos no bagaço, e eu já tava morrendo de cansaço. Só tive força pra tomar um banho, pra voltar a ser gente, cair na cama e dormir.

Hoje de manhã dei uma olhada na sala, e apesar de ter móveis, o apartamento agora parece maior do que vazio. Que tal? Agora já tenho mesa e cadeiras, que tornam o processo de trabalhar e escrever algo muito mais agradável!


A casa, mobiliada.

Day-to-Day

UP15 - Lightfield

July 14, 2014

Com todos os benefícios oferecidos pelo formato raw, não é difícil afirmar que, depois de feita a foto, praticamente tudo pode ser ajustado e modificado. Exceto o foco. Uma foto desfocada, ou com o foco no lugar errado está irremediavelmente perdida.

E como funciona o foco, numa câmera fotográfica? Resgatando alguns princípios de física, quando os raios luminosos entram pela lente em suas diversas direções, a curvatura do vidro faz com que eles se reencontrem do lado de dentro, sobre o sensor. A parte mais importante desse funcionamento é que assuntos posicionados a diferentes distâncias da câmera, resultam em imagens diferentemente afastadas uma da outra. Por isso que existe o mecanismo de foco. Uma vez que a imagem formada é menor que o objeto real, o ajuste na posição do foco – dos elementos internos da lente – é pequena, e consegue alterar a distância de formação da imagem sobre o sensor. Por esse motivo que temos partes em foco, e partes fora de foco. Existem diversos fatores que influenciam essa percepção, como a abertura da lente, distância focal e tamanho do sensor, mas eles não serão levados em conta dessa vez.

E porque o foco é inalterável? Porque há apenas uma lente, e um sensor quando a imagem é registrada. Existe uma técnica chamada focus-stacking, que combina múltiplas fotos, com diferentes posições focais e produz imagens de foco inicialmente impossível. O tema da coluna desse mês contorna essas limitações. Light field é uma tecnologia ainda pouco comum, onde o sensor da câmera é revestido de pequeníssimas lentes, resultando numa imagem que armazena informação suficiente para permitir drásticas alterações de foco sem qualquer perda de qualidade na imagem. Claro, essas microlentes trazem consequências e aumentam muito o custo de produção do equipamento.

Há uma lente principal, que define o quão aberto ou fechado será o enquadramento, mas essa lente já não possui anel de foco. A empresa Lytro é a pioneira em trazer esse tipo de câmera para o mercado digital popular, mas o equipamento ainda tem sérias limitações, como um design estranho, uma lente fixa, usos limitados e baixíssima resolução. Os arquivos resultantes devem ser processados por um programa especial, capaz de interpretar os dados relativos às diferentes posições focais registradas, e exibir apenas uma delas para o usuário. O foco da imagem é alterado com um simples clique sobre a área onde se deseja ter foco.

Apesar de seus primeiros conceitos terem surgido em 1902, é só agora que essa tecnologia começa de fato a se expandir e ser pesquisada mais a fundo, em termos práticos. Ao longo dos próximos anos devemos ver mais produtos e técnicas capazes de resultados similares ou superiores, criando um novo mercado – a princípio amador, devido à baixa resolução.

Ainda vai passar algum tempo até que surjam câmeras, a nível profissional, que apresentem soluções similares e permitam que nós, fotógrafos, tenhamos mais liberdade e agilidade na hora de produzir uma imagem. Uma câmera plenóptica (nome mais charmoso para light field) seria excelente opção para fotógrafos em situações onde grande velocidade e precisão são exigidas, ou atenção aos arredores – como zonas de conflito, grandes festas populares, entre outros exemplos –, pois permite que o fotógrafo se concentre em outros pontos além da recorrente neurose de “conseguir uma imagem em foco”, e muitas vezes ter que descartar o que seria a melhor imagem de uma série, se não fosse o foco, levemente fora de lugar.


Coluna Ultrapassagem, Publicada originalmente na Revista OLD #29, em Janeiro/2014

Day-to-Day

Grouse Grind.

July 13, 2014

Fiquei em dúvida entre tantas opções de títulos para esse post, que vou até colocar mais dois aqui, eliminados por serem muito longos: "Outros 7 Dias, que pareceram durar um mês", "O Dia Que Voltei Pra Casa Abraçado com uma Lata de Lixo".

Bom, exatamente mais uma semana passou, dessa vez sem feriados e sem aulas canceladas, então o ritmo foi pesado. Tivemos 13 aulas de 3h cada, entre Segunda e Sexta, o que dá uma média de quase 8h por dia na VFS, socando coisas pra dentro da cabeça. Modelamos um chapéu, animamos uma bolinha e um pêndulo em 3D, pintamos um INFERNO de um robô escorpião (que vai aparecer mais pra baixo nesse post), fizemos várias atividades em equipe, para as aulas de Team Building e vimos trocentos cartoons nas aulas de História da Animação e VFX. Ah, afinal, começamos a brincar com o Nuke! Em casa mesmo, acho que só parei pra dormir.

Quarta feira, não tínhamos a última aula - que foi passada pra Quinta - então combinei de encontrar o Rob. Rob é um camarada que conheci no fórum EOSHD, o das lentes anamórficas, e que, descobri no meio do caminho, curiosamente morava em Vancouver. Melhor ainda, ele trabalha num estúdio de pós-produção pequeno, chamado Lux. Nos encontramos por lá, ele me apresentou um povo, conheci um sul-africano que também fez VFS e que me deu uns conselhos de atitudes úteis ao longo do curso. Depois, partimos para North Vancouver, onde o Rob mora. No caminho, fomos conversando um bocado sobre câmeras e lentes, e sobre adaptação a Vancouver. Paramos brevemente na casa dele para comer algo - pizza! - e conheci o resto da família - ou quase, porque a menininha mais nova, de seis meses, tava dormindo - mas Hailey (de dois anos e meio) ficou interagindo com a gente enquanto conversávamos, e depois foi brincar com a mãe, interessada pelos esmaltes muito coloridos. Conheci também os dois gatos que ele tem lá (ambos muito amigáveis e fofinhos). Depois, saímos no sentido oeste, e ele foi me contando umas idéias de curta que ele tá trabalhando em cima, além de histórias do estúdio, e de como era o mercado de efeitos visuais até alguns anos atrás, e como tudo mudou há relativamente pouco tempo.

Paramos em Whytecliff para apreciar a vista - o Sol tinha acabado de se esconder atrás das montanhas - e tirar umas fotos. Sentamos num banquinho perto de uma parede de pedra que acabava no mar lá embaixo. Ficamos mais um tempão conversando, tirei várias dúvidas que estavam a me atormentar, sobre mercado, sobre o que é bom de colocar no demoreel, como não se comportar, onde procurar material além do oferecido pela escola, onde procurar emprego, assim que me formar, e UM MONTE de coisas técnicas. Felizmente meu conhecimento de câmera vai valer ouro na área que pretendo trabalhar. Infelizmente, ainda vai levar uns meses até ele começar a ser útil no curso.


Praia de Whytecliff

De lá, já tava ficando de noitinha, começamos a voltar mas subimos metade da Cypress mountain, para apreciar a vista lá de cima. Tava escuro demais e não consegui tirar fotos com o celular, mas dava pra ver até bem longe, tudo com as luzinhas de prédios e casas acesas de noite. A lua cheia no céu tava fazendo um mega reflexo prateado na baía lá embaixo, uma coisa linda. O Rob comentou que em Vancouver todo mundo tem câmera, qualquer lugar que você vai, tem uma pá de gente tirando foto, e que isso acabou fazendo com que ele fosse fotografando cada vez menos e procurando lugares menos conhecidos, para ter fotos mais autênticas.

Enfim, ele me deixou no Seabus, e peguei o caminho de casa, já quase às 11pm. Combinamos de nos encontrarmos mais vezes, pra testar câmeras e lentes com mais tempo - e mais luz também.

Quinta feira fiquei 13h na VFS, por conta de aulas, intervalos e reuniões para trabalhos variados. Acho que isso vai acontecer mais vezes nessa semana, e tende a se intensificar, conforme os assignments forem se complicando. Voltar pra casa de noite foi uma alegria, e a bike torna tudo melhor na vida.

Anteontem - Sexta -, já tava começando a surtar com o assignment de pintura - o tal do escorpião - porque tinha investido MUITAS horas nele, e ainda não tava feliz com o resultado. Resolvi arrematar o desgraçado. Concluí que não gosto de pintar coisas, mas fui fazendo tudo com cuidado, pra ficar pelo menos passável. Ó aí o resultado. Queria que tivesse ficado melhor, mas tô em paz com o jeito que está.


12+ horas pintando esse inferno

Ontem de manhã dei uma varrida em tudo, coloquei o lixo pra fora e depois saí pra encontrar o povo no Canada Place, pois estávamos determinados a subir a Grouse mountain (são três montanhas bem próximas da cidade: Grouse, Cypress e Seymour). Partindo do Canada Place, o plano era pegar o ônibus direto das 10h, mas o diabo do ônibus lotou. A opção era esperar até o das 10h30, ou ir de transporte público (Seabus seguido por um ônibus normal). Achamos que o das 10h30 ainda estaria lotado e resolvemos tomar o caminho do Seabus. Ah, sim, eramos cinco, todos da VFS: Rachel, Isaac e Aldo, de Sound Design, Ben, de programação (e quem tirou todas as fotos decentes desse post), e eu, do curso de VFX. Como pegamos o Seabus (chegamos lá faltando UM minuto para a partida, e corremos loucamente pra alcançar o barco), mandei mensagem pro Paul, dizendo pra ele correr e encontrar a gente no ponto de ônibus, que íamos subir a montanha.

O coitado chegou lá todo esbaforido, correndo, por causa da minha pressa, e ainda tivemos que esperar uns cinco minutos pelo ônibus. Esse foi lotado, quase no nível São Paulo, até o sopé da montanha, onde todo mundo desceu. Eu já tava meio preocupado porque tava SOL PRA CARALHO, e eu tava com uma roupa muito quente - por falta de opção, as outras estavam lavando - mas fomos adiante. A subida tava lotada. Vou resumir um pouco a experiência: subir a Grouse Grind é como subir uma escada. Com degraus altos, feitos de pedra e madeira. Em zigue zague. POR UMA HORA E MEIA, incluindo algumas pausas no caminho.


Só caras de alegria no caminho

Uma coisa é fato: quando você chega na marca de 1/4 do caminho concluído, já tá praticamente no topo. Não sei como é essa matemática canadense, mas até 1/4 foi foda. Depois daí... continuou foda mesmo, mas a gente tinha uma noção de tempo e espaço. Em vários momentos, todos achamos que não íamos chegar ao topo. Tem uns trechos que são DO MAL, sério. Sabe a subida da cachoeira da Fumaça? É um passeio no parque, quando comparado com isso aqui. É uma trilha mais longa, sim, mas em termos de inclinação, é um morrinho. A trilha aqui tem só 3km (uma distância que, no plano, é fácil cobrir em pouco mais de meia hora), mas com 850m de variação vertical. Ou seja, pra é quase 2:1, a cada dois metros na horizontal, você tá subindo um na vertical. Esse inferno tem mais de 2800 degraus, e é engraçado ver a cara de exaustão do povo subindo - isso quando você mesmo não tá preocupado em continuar vivo, e continuar subindo. Mas, sério, o que mais esperar de uma trilha que se chama "Moedor"?

Na 1h30 de jornada, não vi ninguém de calça - como eu - ou de manga comprida - como eu, ainda que enroladas. Mas chegamos todos ao topo, sem nenhum morto ou ferido. Ó aqui as nossas caras de comemoração:

Lá no topo dá pra ver até o infinito. Ok, acho que nem tanto, mas dá pra ver até depois do aeroporto. Bate a vista da Cypress, com o Rob, na Quarta feira. Sentamos no restaurante lá no alto, e acho que nunca tinha comido tanto, desde que saí de São Paulo. Tava todo mundo morrendo de fome e de sede. Depois do almoço tardio, o Ben foi caçar mais fotos, Rachel foi com ele, e nós tomamos o caminho pra baixo, pela gôndola. Em cinco minutos estávamos na base da montanha.


Indicações e localizações

Pegamos o ônibus de volta para o Seabus junto com nossos colegas mexicanos (agora não eram só Isaac e Aldo, um terceiro se juntou a nós no topo da montanha). Por motivos desconhecidos, o motorista não deixou ninguém pagar. Depois dessa lição de calor aprendida, descemos - eu e Paul - no Walmart, e fui comprar umas camisas sem manga, de pano mais fino, além de coisas que tavam faltando em casa (do tipo lata de lixo, pendurador de toalha, fita crepe, trena). Quando vi os preços das camisas, comprei logo 6. Depois ficamos um tempão rodando até achar todas as tranqueiras que precisava em casa.


$3 por uma camiseta

Por fim, na saída, compramos dois copos, oito colheres, um potão de sorvete e um potinho de nutella, pra matar a vontade de comer algo gelado, nesse que foi um dos dias mais quentes de nossa estada. Saímos do mercado, sentamos numa sombra de árvore no estacionamento mesmo, e nos empanturramos com nossos doces quitutescos. Essa gula toda custou $5.50 pra cada um.


Sobremesa dos campeões

Daí, fomos voltando para o Seabus conversando sobre a vida. O Paul ficou em casa, e fiquei OITO MINUTOS esperando um trem terminar de cruzar a pista pra poder chegar no Seabus. Claro, perdi o barco e tive que esperar mais quinze minutos. Esse tempo todo abraçado com minha nova lata de lixo, carregada com as compras! Aqui minhas pernas já tavam morrendo, e ainda tinha a viagem de barco, mais metrô e por fim, oito quadras a pé até chegar em casa. Saí largando tudo assim que entrei, e fui direto pro chuveiro, tomar banho, porque tava impossível. Depois, ainda fui tentar ver filme, mas dormi antes das 22h, e acordei hoje de madrugada.

Os planos agora são de ir na IKEA daqui a algumas horas com o Fernão, e possivelmente comprar o resto da mobília da casa por lá, pra gente rachar o frete e depois carregar uns pacotes pesados pela rua até aqui em casa. Durante a semana devo tirar algumas horas pra montá-los. Ou então só no fim de semana que vem. Mas já to dando graças aos céus porque vou ter uma mesa e cadeiras!

Day-to-Day

Classical Animation.

July 8, 2014

Hoje ficamos desenhando bolinhas indo de um lado para o outro. Como não tem nada mais hipnótico que um loop, cheguei em casa e fiz esse no Photoshop, porque tava muito inspirado!

Day-to-Day

UP14 - HFR

July 7, 2014

O ano vai chegando ao fim, e temos mais uma parte de “O Hobbit” entrando em cartaz nos cinemas. Assim como no ano passado, o filme chega com uma grande variedade de versões, mas a discussão aqui vai focar-se na mais diferente de todas: a tal da HFR (high-frame-rate). Alardeada pela produção do filme como uma grande revolução no cinema, a versão HFR tem o dobro de quadros por segundo que um filme normal.

O padrão cinematográfico, estabelecido ao longo de mais de cem anos de história, é de 24 quadros por segundo. Na TV são 30 quadros por segundo. Alguém muito importante na equipe de “O Hobbit” afirmou que 48 quadros por segundo seriam uma coisa fantástica pelos seguintes motivos: há mais foco, menos borrão de movimento, mais sensação de realidade e mais imersão no filme. Desses quatro motivos, três são plausíveis, mas o último é extremamente falso.

Durante a primeira metade do filme, a sensação é de assistir a um making of onde os equipamentos estavam escondidos e tudo se move de forma acelerada. Todas as ações parecem acontecer mais rápidas do que de fato ocorrem. Realmente, os detalhes aparecem muito mais em foco, e são tantos detalhes perceptíveis que até prejudicam o filme. É possível desconfiar dos objetos de cena, que parecem falsos (feitos de isopor e compensado), os mesmos objetos que são perfeitamente convincentes na versão tradicional (a 24 quadros por segundo) do mesmo filme!

Depois da primeira metade da projeção, consegui convencer minha mente que aquilo não era um making of. O próximo cenário escolhido pra processar as imagens foi na frente de uma loja de eletrodomésticos, com uma tela particularmente grande. Não sei se vocês já pararam pra observar como, de relance, as imagens dessas TVs de loja parecem incrivelmente mais detalhadas e bonitas que as do cinema, ou das nossas TVs de casa. De fato, as imagens daquelas TVs são bastante diferentes das originais, por conta de uma série de configurações especiais, aplicadas pelos fabricantes, para passar justamente essa sensação de “realidade”. Basicamente, o que se faz é aumentar o contraste, jogar uma tonalidade azulada na imagem como um todo, aplicar um filtro de nitidez e sintetizar novos frames (inexistentes no filme original), para dar mais “realidade” aos movimentos, a uma taxa de quadros mais elevada que os 24 ou 30 quadros originais.

O resultado é extremamente exagerado e tem uma textura de vídeo, como o jornal que vemos na hora do almoço, ou jantar. Não é mais ficção, é realidade. Fica com cara de algo que pode ser visto acontecendo na rua. Mas (infelizmente) não temos hobbits, magos, anões e orcs perambulando pelas ruas. Então aquela imagem projetada ali só pode ser falsa, e é aí que a imersão vai para o brejo, porque quando a coisa é visivelmente artificial, mas tenta convencer como real, tudo fica tosco. Numa analogia estranha, quando o sujeito é feio, mas age como se fosse bonito, não dá pra não achar engraçado ou ter pena. E nessa hora que a coisa fica tosca, nós, espectadores, somos jogados para fora do filme mais rápido que uma flecha de Legolas (a 24 quadros por segundo, por favor).

Em 2009, o filme “Quem Quer Ser Um Milionário” ganhava o Oscar de Melhor Direção De Fotografia. A parte curiosa é que todos os trechos do filme que evocam sentimentos e emoções intensas foram filmados a menos que 24 quadros por segundo (para ser exato, foram filmados a 12 quadros por segundo). É um visual ainda menos fluído que o tradicional, mas funciona justamente porque caminha em uma direção onírica, oposta à realidade. Quanto mais quadros por segundo mais nos aproximamos da realidade em que vivemos. Só que ninguém vai ao cinema para ver a realidade. A gente vai no cinema justamente pra ter uma folga da realidade, e acompanhar uma história bem contada, com personagens fantásticos.


Coluna Ultrapassagem, Publicada originalmente na Revista OLD #28, em Dezembro/2013

Day-to-Day

Sete Dias.

July 6, 2014

Uma semana de aula, com um feriado no meio (dia primeiro foi Canada Day), e só agora tive tempo pra contar historinhas, começando pela mudança, do apartamento do Wyll para o meu próprio!

Era pra ter sido no domingo (passado), mas não tinha ninguém da administração do prédio por aqui, então ficou pra segunda feira. Por sorte não tive a última aula, e deu pra voltar pra casa perto de 2:30pm. No domingo eu rodei o mundo inteiro pra providenciar as coisas que faltavam (roupa de cama, toalhas, pano de prato, papel higiênico, produtos de limpeza, uma poltrona, e TUDO mais que vocês imaginarem). Foi só aí que percebi que montar uma casa é FODA! E toda hora você descobre que tá faltando alguma coisa fundamental!

Eu e May queríamos uma poltrona colorida pra dar vida na casa, e então fomos procurar no site mais útil quando novo em Vancouver: craigslist. Tem TUDO. Coisas de segunda mão, coisas novas, muita coisa de graça - é só passar e pegar! E foi lá que achamos uma poltrona bonita. Nova, custava $180. Essa tava por $50. Falei com o pessoal que tava se desfazendo dela (estavam se mudando para Alberta), e combinei um horário (no mesmo domingo!) para resgatá-la. Precisava providenciar uma bike também, então saí com duas horas de antecedência, para passar em várias lojas de bicicletas novas, usadas, caras e baratas.

Assim que saí do metrô, tava começando a chover. A cadeira e UMA loja eram na direção oeste, e SEIS lojas de bike eram pra leste. Pensei em começar primeiro rumo leste, achar uma bike boa no processo e acelerar a volta me deslocando sobre duas rodas. ÓBVIO que não achei uma bike decente nessa lojas, né? Andei de loja em loja, e nenhuma tinha nada interessante. Algumas tinham bikes boas, mas caras, outras tinham bons preços, mas bikes muito pequenas pra mim. Resultado, tive que andar quase cinco quilômetros da loja mais extrema a leste até o loja do lado oeste. Se quando eu saí do metrô tava choviscando, agora já tava um toró desgraçado, e como eu tava com horário marcado com o povo da poltrona, não dava pra esperar a chuva passar. Depois de cinquenta minutos empenhado nessa volta, caminhei tanto que cheguei no fim da nuvem de chuva. E aí era Sol. Muito Sol.

Cheguei na última loja de bicicletas - que era a mais perto de casa, e por isso deixei por último, e também perto de onde eu ia pegar a poltrona - e lá estava ela, me esperando. Paguei menos da metade do preço de uma nova ($150, quando as novas custam quase sempre muito mais de $300). Fui de bike da loja até o pessoal da poltrona, e de lá peguei um táxi pra deixar tudo em casa. Na portaria do prédio encontrei coleguinhas de sound design, que estavam indo comprar tupperwares. Vancouver é uma cidade é pequena! Desde que comprei a bike, estou andando muito com ela pela cidade. Estar no trânsito é que me fez perceber como as ruas são vazias de carros. É muito tranquilo, e seguro, andar de bicicleta em Vancouver. Fiz o trajeto casa-escola em 10 minutos. A pé, levo meia hora. Durante a semana, só andei com ela. Ontem saí pra almoçar aqui perto e só então percebi que não passava pelo Lobby há sete dias.

No Sábado (passado) eu já tinha ido aqui na esquina de casa, pegar um colchão de casal, DE GRAÇA, de um casal de irlandeses que estava voltando pra sua terra natal, depois de 2 anos e meio no Canadá. COLCHÃO DE GRAÇA! E excelente, em termos de qualidade, conforto e conservação! O Wyll tem um box pra colocar embaixo dele, e deixar com cara de cama, mas, por enquanto, é só um colchão no canto da casa mesmo.

Nessa jornada de compras e missões de Domingo eu andei 17.5km a pé (como referido no post anterior!). Imagina como minhas pernas não tavam adorando isso no fim do dia. Deitei e morri, pra acordar quarenta minutos antes do despertador, na segunda, para o primeiro dia de aula.

Continuando de segunda feira, depois da aula. Cheguei no apartamento e a reforma tinha trocado o piso, de carpete pra madeira (YEEEAAH!!), repintado tudo, turbinado uns armários, trocado tudo no banheiro, cortinas da sala/quarto, e tudo mais. Claro, tava tudo cheio de sobras de obra, poeira pra todo lado, uns armários ainda tinham sujeira do dono anterior, a louça toda eu tinha pego de graça com um casal de brasileiros que tava voltando pro Brasil, então também precisava lavar.

Peguei uma vassoura emprestada com o Wyll e comecei a brincadeira. Fui de três da tarde a dez da noite até terminar de arrumar tudo, colocar as coisas nos armários, esvaziar a mala, guardar comidas, limpar o banheiro, tirar umas coisas perdidas do fundo dos armários, comer três vezes durante o processo, sair pra comprar detergente (de bike, claro!), porque não tinha ainda, carregar móveis prum lado, carregar móveis pro outro, varrer a casa toda de novo, levar o lixo pra garagem, levar mais lixo pra garagem, levar MAIS lixo pra garagem - numa dessas idas, achei duas almofadas da cor do piso, que já carreguei pra casa -, devolver as coisas do Wyll e, afinal, dormir, totalmente exausto, mas muito feliz por estar na minha casinha, em ordem, e ainda sem internet.

Vivi sem internet em casa de segunda até sexta, quando o técnico da Shaw veio aqui e instalou tudo. Eu tava na escola, então deixei uma chave com o Wyll e ele me fez a gentileza de acompanhar o técnico durante a instalação. Agora já estou internetado, e tudo é muito mais fácil, especialmente escrever nesse blog!


Apartamento, uma sala vazia sem mesa, mas com bike!

Agora, a parte interessante: a VFS é sensacional. É tipo a estrutura do CTR, com mais bom gosto e MUITO mais dinheiro. O prédio onde tenho aulas é um grande corredor circular, com salas de aula concentradas no centro e nas laterais. Tem mais uns quatro ou cinco prédios pra outros cursos, mas não tive a chance de conhecê-los ainda. A turma tem 28 pessoas, só dois canadenses, e só UM de Vancouver. Graças à última semana eu já conhecia muitos dos meus coleguinhas, porque fizemos várias coisas pela cidade, então a integração já tá meio caminho andado. Eles recomendam muito que a gente se una e forme um time, porque isso afeta bastante a performance geral da turma.

O ritmo é bem puxado. Conhecemos os supervisors do curso, e de cada área de especialização (Animation, Modeling e VFX). Todos muito gente boa, e com muita experiência de mercado. Conhecemos também a administradora geral do curso, e vimos muitos demo-reels (que são vídeos mostrando coisas feitas pelos alunos). Num dia normal, a gente tem três aulas de três horas. Começando às 9am, intervalo de uma hora para almoço ao meio dia, e retorno de aulas à 1pm. A última aula começa às 4pm. Nessa primeira semana tivemos aulas teóricas e práticas, mas tudo muito interessante e bem planejado. A escola é bem séria, não pode faltar mais do que 3 aulas a cada term (2 meses), e a média tem que ficar sempre acima de 65% pra passar, senão eles consideram que você não tá absorvendo o conteúdo, e tem que repetir a matéria, como dependência (enquanto cursa o term seguinte ao mesmo tempo). Por enquanto tô tranquilo, mas sei que logo mais vão começar a chover tarefas.

Temos duas aulas de História dos Efeitos Visuais e Animação por semana, e essas têm forte semelhança com as aulas de História do Audiovisual, na USP. Só que o professor é um brincalhão, que fica mostrando as coisas mais pitorescas antes e depois da aula, tanto que a galera fica assistindo, mesmo depois que acaba. Semana passada a gente viu um reel (em um projetor 16mm) daquelas homenagens feitas na cerimônia do Oscar, de 1986. Como a aula acabou bem depois do horário, deixamos um curta de Chaplin para uma futura ocasião. A segunda aula ele abriu com várias aberturas de cinemas da década de 1950 (sabe aquelas coisinhas de "seguro allianz" e similares? Era beeeem diferente, e hilário. Fechou então com "Dumb Ways to Die", e ainda cantou junto com o vídeo, encorajando uma galera a cantar também. Surreal e maravilhosamente upbeat.

Durante as aulas, vimos MUITA coisa foda sobre a Disney, as inovações que eles trouxeram, assim como os irmãos Fleischer (criadores de Popeye, Betty Boop e outros), inventores que nas décadas de 1920 e 1930 projetaram e aplicaram conceitos que continuam sendo usados até hoje, em todas as produções e softwares. Essas aulas, combinadas com o que vemos nas outras matérias, realmente fortalecem nosso background, porque a gente passa a entender COMO aquela função específica foi criada, como funcionaria (no mundo real, fora do computador) e REALMENTE abre os olhos para como as animações do passado eram incrivelmente absurdas de se desenhar (um ser humano ficava assistindo água cair nas folhas, por horas, tomando notas e rabiscando coisas, pra poder replicar a realidade nas animações, por exemplo! O mesmo vale pra fogo, vento, lava, coisas quebrando, anatomia e o escambau).

Tivemos uma introdução muito hardcore ao Maya (programa de modelagem, animação e o caralho, em 3D), e tô estudando um bocado por conta própria, pra não ficar pra trás. Depois que você começa a entender o que tá acontecendo na tela, até que tudo parece fazer sentido. Ele só não é muito amigável com desconhecidos. Tivemos também uma aula envolvendo os controles de animação do programa, durante a qual tivemos que fazer um exercício ao mesmo tempo que rolava o jogo do Brasil vs Colômbia. Mais da metade da sala tava assistindo a partida em seus monitores secundários, e o clima tava tenso porque temos três colombianas e dois brasileiros na turma. Felizmente, levamos a melhor.

Bom, chega de escrever. Vou voltar aqui pro Maya, que há muito a estudar!

Day-to-Day

UP13 - 3D

June 30, 2014

Dentre todas as vantagens que nossos olhos têm em relação a uma câmera, há uma bem óbvia e indiscutível: nossos olhos são DOIS, enquanto a pobre da câmera tem uma lente só. E veja só, você não percebe as coisas em dobro, apesar dos dois olhos! O cérebro recebe as imagens de ambos e processa tudo como “uma coisa só”.

Como há uma distância entre os olhos, cada um vê o que está na sua frente de forma levemente diferente do outro, apesar de o foco de ambos estar no mesmo ponto. O resultado dessa coisa toda de “dois para um” é que temos uma excelente noção de tridimensionalidade, espaço e distâncias. É fácil dizer, sem se mexer, se um objeto em cima da mesa está ao alcance da mão ou não; ou que objeto está mais próximo e qual está mais distante; é possível ter consciência da distância do carro da frente, no trânsito por exemplo, e a lista de exemplos segue.

Desde tempos remotos – leia-se: 1936 – a humanidade tenta replicar essa noção de espaço tridimensional, mas projetado sobre uma superficie bidimensional, seja uma foto ou uma tela. A técnica tem até um nome bonito: estereoscopia, cuja etimologia é a combinação de “estéreo”, dois, os olhos, e “scopia”, visão. Bem fácil de entender.

O cinema, atualmente é a maior plataforma para ter acesso a esse tipo de fotografia. Mas não se iluda: filmes em 3D são produzidos desde a década de 1950, e têm seus ciclos de altos e baixos, caindo no esquecimento e voltando à vida algum tempo depois. No começo, a estereoscopia era só mais uma forma de diferenciar o cinema da televisão mas, recentemente, cada vez mais, essa característica técnica tem sido utilizada como uma ferramenta narrativa, ajudando a contar uma história de uma forma tal que não poderia ser feita no tradicional 2D, e afastando o rótulo de que 3D é só “muito legal” ou “muito curioso”.

Um requisito mínimo é o uso de dois receptores de imagem: um para cada olho. O método mais simples consiste de duas câmeras presas a uma barra, levemente distantes entre si (sete centímetros é uma boa média), focadas e apontadas para um mesmo assunto. Disparadas simultaneamente, a câmera da direita produzirá uma imagem equivalente ao olho direito, e a câmera da esquerda, o mesmo, pro olho esquerdo. Existem outras formas de captação 3D, mas exigem equipamentos muito específicos e caros, então não entrarei em detalhes.

Depois de produzidas as imagens estereoscópias, certas pessoas conseguem simplesmente colocá-las lado a lado, cruzar os olhos e perceber a tridimensionalidade entre as duas sem a necessidade de apetrechos. A grande maioria de nós, porém, precisa da ajuda dos óculos especiais.

As duas imagens devem ser projetadas – ou impressas – uma por cima da outra e “algo” deve fazer com que cada olho só perceba sua imagem correspondente. É aqui que entram os óculos, filtrando o que cada olho deve ver, e excluindo a imagem relativa ao outro olho. A forma mais simples de fazer isso é através da oposição de cores. Lembra daqueles óculos de papelão, com gelatinas coloridas, onde um olho é vermelho e outro ciano?

Tingindo-se uma das imagens totalmente de ciano e a outra totalmente de vermelho, basta por os óculos no rosto e, devido à coloração das “lentes”, cada olho só percebe a imagem que lhe é designada. Voilá! Você está vendo 3D, numa superfície 2D! O maior defeito desse método é que você perde as cores originais da cena, resultando numa imagem em preto e branco.

A outra opção – que mantém as cores da fotografia – comum em cinemas, é através da polarização da luz.. As lente dos óculos são polarizadas em 45 graus, uma delas no sentido horário, a outra no sentido anti-horário, assim como a projeção do filme, que sobrepõe as imagens polarizadas. Dessa forma, um olho só vê o que foi polarizado no sentido horário, e o outro só vê o que está no sentido anti-horário. O mais curioso dessa alternativa é que se você tirar os óculos, grande parte da projeção não terá nenhum foco! Tem uma matéria recente – e hilária - sobre um camarada que assistiu o Wolverine em 3D, mas sem os óculos e não conseguiu enxergar – ou entender – quase nada do filme.

Estereoscopia é uma das coisas mais complicadas que já apareceram aqui na coluna, e, por ser um campo bastante incomum, é preciso experimentar MUITO antes de se chegar a qualquer resultado realmente impressionante. Mas a apresentação já está feita e está aberta a porta. Fica o desafio de utilizar a tridimensionalidade não apenas como efeito, e sim como ferramenta para contar sua história de forma única.


Coluna Ultrapassagem, Publicada originalmente na Revista OLD #27, em Novembro/2013