Agora a pegada foi em RAW. Como a revista aumentou de tamanho, a coluna dobrou. Temos muito mais informação nesse modo (se me permitem o trocadilho com RAW). Discuto as vantagens do formato, sua incrível utilidade para vídeo, e como funciona o sensor de uma câmera digital.
Hoje o dia tá cheio de coincidências fortuitas. Passei boa parte da manhã no quarto, terminando um jogo (já já escrevo sobre ele), e ia passar uma grande parte da tarde também no computador, adiantando trabalhos de fim de semestre - tempo livre faz isso com as pessoas. Nunca achei que fosse fazer os trabalhos antes de ter uma data de entrega!
Enfim, era perto de 13h30 quando completei a última missão e levantei pra sair e almoçar. Lila tava reunida com colegas por aqui e já tínhamos tentado pedir uma pizza, sem sucesso. Calcei os tênis, coloquei o cinto, peguei o ipod e telefone, já tava até com os fones pendurados no pescoço quando saí do quarto e Lila perguntou se eu ia almoçar. Tinha o tanto exato de estrogonofe pra me empanturrar com brócolis e arroz. O povo todo tinha acabado de almoçar e o que restou era exatamente o que eu queria. Ótimo. Resolvi ser legal, e já que não queria voltar imediatamente pro computador, fiquei pela cozinha mesmo, lavando a louça para expressar meu apreço.
Depois, voltei pra cá e escrevi sem parar um trabalho sobre a trilha musical de Far Cry 3 (falei desse jogo há exatamente dois meses aqui). Juro que queria entender mais de música pra fazer um trabalho melhor, mas, já foi bom de fazer e aprender, porque era sobre algo que me interessava. A proposta original era de fazer sobre a trilha musical de um filme.
Terminando o trabalho, percebi que o povo não tava mais aqui em casa. Fui caçar algo doce na cozinha e só achei um pacote de Negresco pela metade. Roubei um e fiquei com vontade de comer mais biscoitos. Na linha de pensamento "ainda nem saí de casa hoje!" criei coragem e fui ao mercado. Passei alguns minutos na prateleira, pensando se levava um pacote só, ou dois. Acabei levando três e, no caixa, fiquei me perguntando se não era muito biscoito. Deu R$5.
Na quadra seguinte, a vida resolveu me provar que não, não era muito biscoito, e eu tinha feito certo saindo de casa. Veio voando em minha direção, pela calçada, uma nota de R$5. Peguei, e olhei pra ver se era de alguém. Não tinha ninguém na rua. Nem indo nem vindo. Nem carro! Aceitei o presente e voltei pra casa, com vontade de contar essa história. Taí.
Será que tem mais coisa pra acontecer?
Estava eu, vagando pelo fórum do EOSHD quando me deparo com um tópico com link para download de um capítulo inteiro do livro Poetics of Cinema, do brilhante David Bordwell. Já tinha lido alguns textos dele em matérias do CTR, e são realmente bons. Baixei o texto e, como sou incapaz de longas leituras no pc, imprimi as 52 páginas para ler com tranquilidade, deitado.
O texto é excelente, contando melhor a história das lentes - muito melhor que meus posts iniciais dessa série -, e as dificuldades encontradas ao se trabalhar com elas - também as mesmas que enfrentei no começo - como foco duplo, pouca profundidade de campo, distorção desigual ao longo do frame, raros planos próximos. São tantas limitações, que é os estúdios tiveram que empurrar a inovação goela abaixo dos diretores, para atrair o público perdido. A justificativa é que, com a tela maior, você é envolvido pela imagem, aumentando a imersão.
Como o processo foi criado pela Fox, um de seus diretores de fotografia, Charles G. Clarke, escreveu um manual com várias dicas que "facilitam" o trabalho. Dá pra ler o manual aqui, e ter noção das insanidades sugeridas. Entre elas temos: menos cortes, closes de dois ou mais atores simultaneamente, menos movimento de câmera e atores estáticos para não saírem de foco!
Depois de todos os desafios, Bordwell foca em cineastas que fizeram bons usos do espaço conquistado nos enquadramentos, e quadros criativos que tiram o máximo proveito da nova proporção. Nessa parte, temos trocentos exemplos de frames de filmes famosos e explicações sobre os mesmos, seu significado, truques e mais. Aqui a coisa fica realmente interessante.
Enfim, não vou me alongar. O link do texto tá aqui embaixo, e recomendo a todos os interessados uma leitura atenciosa!
Poetics of Cinema - Chapter 10 - Cinemascope
Ou, se você for muito preguiçoso, esse texto de 52 páginas foi resumido nessa aula de 52 minutos, pelo próprio Bordwell. É legal, mas é muito rasinha em comparação com o original!
Uma coisa sensacional da web é a facilidade de encontrar informação. A coisa complica um pouco quando você precisa de informação aprofundada e confiável, concentrada num lugar só. Dá pra aprender quase qualquer coisa a partir de tutoriais, aulas, etc, online. A parte difícil é achar um curso seguro e coeso pro processo.
É aqui que entra o site do título do post. O fxphd é um site de cursos à distância, com duração de dez semanas, e uma pá de assuntos relacionados a audiovisual. De programas específicos (Nuke, Maya, Mari, PFTrack, etc) a conceitos mais amplos, porém técnicos (rotoscopia, direção de fotografia, compositing, matemática e física para efeitos visuais, enfim). A parada é cara, mas, como boa parte do que é pago na net, com algum esforço, você consegue achar de graça.
Na vibe de retomar o que eu gosto de AV, baixei trocentos cursos a partir dos fóruns do CGPersia (acho que uns 30) em assuntos diversos, relacionados aos meus interesses (foto e pós) e comecei a assistir. No funcionamento normal, você tem uma aula por semana, de aproximadamente meia hora. No meio método hardcore, tô assistindo de oito a dez aulas por dia, o que dá quase um curso completo por dia, fazendo anotações infinitas e vendo muita coisa que as nossas queridas aulas do CTR deixaram em branco.
Acho que o ritmo insano tá dando pra manter porque tô matando primeiro os cursos de foto, mas espero desacelerar quando começar os de 3D e pós. É algo muito mais amplo e criativo do que o Videocopilot, porque te explica as ferramentas de forma geral, e conceitos também. Claro, tem falhas que o Videocopilot cobre, como por exemplo: você sempre aprende a fazer o efeito seguindo um tutorial prático!
No fim das contas, vou combinar aulas de um e tutoriais de outro pra afiar as idéias e acelerar a execução das coisas. Enfim, só queria compartilhar a dica, caso alguém tenha interesse em aulinhas virtuais e autocontrole pra não se distrair por meia hora!
De uns tempos pra cá, andei percebendo que meu estilo de fotografia, e o equipamento que uso são muito particulares. Mais do que isso, percebendo que - lá vem bomba - eu não quero trabalhar com outro tipo de equipamento! Sério, eu odeio alugar, não dá pra ficar pedindo emprestado, e qualquer outra coisa que não seja uma DSLR exige uma equipe ridiculamente grande. Outro dos meus problemas. Se a equipe de foto tem cinco pessoas, já acho que tem gente demais.
E que solução? Também não é lá uma solução, só uma constatação: o que tem me dado uma renda decente não é fotografia. O mercado tá muito cheio, e eu realmente não tô com paciência pra ficar trabalhando pros outros, pra quem sabe, daqui a vinte anos, fazer alguma coisa que seja minha mesmo. Se eu vou fotografar um projeto, primeiro, tem que ser com amigos, e segundo, pode até não rolar grana, mas se tiver liberdade criativa, já tô interessado. O look padrão, cristalino, quase científico me cansou os olhos - por isso as anamórficas, por isso as lentes antigas e adaptações infinitas que, nem de longe, são uma definição de mercado.
Numa breve constatação, desde que comecei a usar essas lentes sofridas, só usei as Canon quando precisava de auto-foco, ou para alugar, ou pra fazer um job mais "padronizado". Desde Julho, acho que isso soma quatro ou cinco vezes, e olha que é um set bem bacana (16-35/2.8, 24-70/2.8, 70-200/2.8 IS, 50/1.2, 100/2.8 IS e 135/2). Isso sem falar nas falhas que elas têm para trabalhar com vídeo, como anel de foco que nunca pára e abertura controlada pela câmera. Juntando essa reflexão com a do parágrafo acima, fui investigar outras opções, mais baratas e compatíveis com minha linha de pensamento.
Achei vários artigos sobre uma modificação feita por um sujeito chamado Matthew Duclos, aplicada a lentes Contax Zeiss, para Yashica. Dá pra montar um set inteiro de fixas modificadas com o preço de uma única Canon.
Falei que o rolê não tá dando grana, e não tá mesmo. O trabalho é muito pesado - fisicamente - quando se é assistente, enquanto tenho tido resultados bem mais interessantes na área de animação, motion e efeitos visuais. Já falei disso: uma das coisas super importantes que a gente não tem nem menção nas aulas do CTR. Comecei então a caçar alternativas de pra onde ir. Vou pular um pouco dessa parte, mas adianto que existem planos sérios de partir, e estamos trabalhando em cima deles. Aí sim, estudar insanamente essa área que me interessa e não voltar mais.
Não vou vender a câmera, nem pretendo me desfazer das anamórficas. Não pretendo esquecer tudo que sei de fotografia, nem parar de estudar. Só tô criando coragem mesmo para ser um sujeito coeso e vender as Canons, comprar as Contax e uma Blackmagic Pocket, porque não dá pra recusar uma câmera que faz o que ela faz, pelo preço que tá anunciado. E aí, só trabalho com foto em projetos próprios, já puxando pro lado dos efeitos e animação!
Esse post ficou vago pra caralho, mas é isso aí. Tito-mercador vai atacar com tudo, muito em breve. Estejam preparados!
No fim da semana passsada, tava rolando uma promoção no Facebook do Lenine, chamada Lenine 30 por 1, onde os candidatos tinham que fazer um vídeo mostrando o que significavam os 30 anos de carreira do músico no seu ponto de vista. O prêmio era uma viagem pro Rio de Janeiro, com tudo pago, estadia em hotel, e ir para um show especial do disco Olho de Peixe, com Marcos Suzano e Lenine. A gente tinha pensado em fazer umas coisas, mas acabou que a idéia não criou corpo e a gente não achou tempo. Na noite do último dia, estávamos jantando, May, minha mãe e eu, quando May comentou da promoção. As duas então começaram a debater idéias e possibilidades, e lá pelas 20h20, fecharam o cerco em uma coisa.
Aí a gente foi filmar. Eu ia sair 20h40, então precisava ser rápido. A idéia era um plano só, fixo, bem simples, com uma mudança de luz e de perspectiva sonora. Coloquei uns refletores pra ficar bonito, contratamos minha mãe como assistente de elétrica pra operar o dimmer que fazia a mudança de luz, e rodamos. No terceiro take, demos por encerrado e comecei a desproduzir. Só tive tempo de desligar as luzes, quando o interfone tocou para eu descer e fazer uns outros testes (aqueles do Alberta #3, que comentei no post dos filtros). O prazo final era meia noite.
May ficou por aqui, resolvendo o ponto de entrada e saída, gravando a cobertura da música e juntando tudo no Premiere, pra ficar certinho, porque o tempo limite era de um minuto. Pra ter todos os versos que ela queria, e a entrada e saída do som não ficarem abruptas, precisávamos de 59 segundos. Quando cheguei de volta, 23h30, May me colocou pra corrigir a cor rapidinho, só pra ficar mais elegante, e enviou o vídeo.
A gente achou que o prazo final era meia noite, então estávamos correndo loucamente com tudo. Na hora de enviar, descobrimos que era meio dia do dia seguinte. Aí ficou mais tranquilo, mas já que estávamos tão no fim, ia ser naquela hora mesmo. O Youtube ignorante disse que o vídeo tinha 1:01, então demos um jeito de cortar fora esse um segundo falso e May postou o link na página do Facebook, seguindo as regras exigidas.
O resultado saiu dois dias depois. A gente ficou a tarde inteira atualizando a página pra ver se saía, e nada. Decidimos ver um filme e, com cinco minutos de filme rodando, o anúncio saiu. GANHAMOS! O vídeo tá logo aqui embaixo, pra vocês sacarem qual era nosso objetivo.
Fomos então pro Rio no dia 18, perto de meio dia. Chegando por lá, já tinha um motorista com nossos nomes na plaquinha pra levar a gente pro hotel. O camarada se chamava Jorge e era muito gente boa. Sobre o hotel, ficamos no Othon, então era um negócio MUITO chique. Fomos pro show bem cedo, às 17h - começava 21h30. Ficamos por lá vendo passagem de som, conversamos com Lenine e várias pessoas da equipe de produção - a esposa dele, Anna, disse que era óbvio que a gente tinha alguma coisa com audiovisual, porque o "vídeo tinha muito poder de síntese"! Gostei da expressão.
O show foi muito foda. Eu tava meio gripado (ainda tô) e acabei ficando totalmente sem voz. Aproveitamos que estávamos no Rio e pegamos um táxi até Niterói pra resgatar umas coisas que o Michael - aquele que vendeu o gravador pra May, nem sei se comentei isso aqui - tava se desfazendo. Chegamos por fim no Hotel perto de 1h da manhã e morremos. Pra vocês terem uma idéia da vista, tirei uma foto na varanda, com f/1.2 e ISO 5000.
No dia seguinte, logo cedo já fomos pro aeroporto, pra começar a volta pra casa. Por aqui, ficamos derrotados, pela viagem, pelo cansaço e pela gripe. Mas, mesmo assim, foi uma experiência incrível!
Esse post é um projeto/plano/pedido de ajuda! Tenho começado a sentir que o Panasonic não anda muito bem das pernas, portanto, comecei a elaborar um desenho de rehousing para o felizardo. O que diabos é um rehousing? Em suma, é você aproveitar uma parte original da lente - nesse caso, os elementos ópticos - e fazer um corpo totalmente novo. O corpo do Panasonic, na real, é a origem de seus maiores problemas. Claro, pro mercado de mini-dv e vídeo até 2006, ele é excelente, mas de lá pra cá muita coisa mudou, inclusive (especialmente) a sua utilização.
Que problemas são esses que acometem o corpo da lente? O primeiro fator é o plástico. 95% de sua constituição é um plástico fajuto e fácil de quebrar, rachar ou trincar. Além disso, os parafusos são muito pequenos (menores até do que deveriam) e fáceis de perder ou folgar a rosca. A rosca para prendê-lo à lente base também é escondida e precisa de um anel a mais para ser alcançada, aumentando a distância entre o elemento frontal da lente base e o elemento traseiro da anamórfica. Por ser uma focus through, seu desempenho em planos próximos ou lentes mais teladas é bem fraco, mas, como dá pra ver no vídeo abaixo, essa questão pode ser resolvida modificando a distância entre os dois elementos, numa espécie de "foco duplo" simplificado e muito mais eficaz. Por fim, como a frente da lente é quadrada, é praticamente impossível colocar um close up de forma segura, e ainda assim, ele precisa ser imenso.
Motivos mais que de sobra pra complicar a vida, não? Por isso mesmo passei uns dois dias debruçado sobre a lente tirando medidas dos elementos de vidro e do corpo plástico, e rabiscando muito num caderno, até encontrar um desenho satisfatório capaz de resolver todas essas questões. Ok, é um conceito, e a maior parte do caminho ainda precisa ser percorrida, por isso, estou aqui escrevendo esse post explicando as minhas intenções. Uma vez que - se? - o desenvolvimento chegar ao fim, todo o processo estará disponibilizado aqui, para qualquer pessoa consultar e fazer seu próprio rehousing sem uma necessidade de compra de um produto que, por ser relacionado a um mercado de nicho, tem seu preço exorbitantemente alto.
Quais as características ou vantagens do projeto que tenho em mente?
- Formato circular, totalmente de metal (alumínio, a princípio)
- Mecanismo de alinhamento interno, baseado em três parafusos de nylon ao invés de um só
- Rosca traseira de fácil acesso, 67mm
- Rosca dianteira de 114mm, com anéis adaptadores customizados para qualquer tamanho sem aumento da distância para o elemento frontal
- Muito simples de retirar o vidro para limpeza
- Foco ajustável, baseado num mecanismo de push-pull, para foco próximo ou passagens de foco.
Mais detalhes técnicos nos desenhos abaixo. Agora só preciso de dicas de um torneiro mecânico muito camarada (tanto em personalidade como em preço). Alguém tem indicações? Vou fazer uns outros adaptadores também, mas esse projetinho seria bem legal se desse certo.





