Nesse doczinho a gente entrevistou o fotojornalista Lalo de Almeida, pra saber as opiniões dele sobre o futuro do jornal, sua carreira, grandes coberturas e uma história incrível sobre crianças que moravam na Praça da Sé. Sério, acho que é um dos mais legais até agora, feito totalmente com Iscos, estreando aquele Widescreen que postei um tempinho atrás. Vejam aí!
Há algum tempo eu já tinha uma idéia de filtros estranhos para fazer. Majoritariamente, todos dependem de luz incidindo sobre eles para funcionar e produzir efeitos interessantes. O problema era cortar redondinho, com a milimetragem exata e encaixar numa rosca de outro filtro, e por aí vai. Uma gambiarra atrás da outra.
Não sei se vocês já pararam pra reparar, dentro de um carro, quando chove, a gente sempre fica olhando pra rua e o que acontece lá fora, ignorando o vidro. Quando é de noite, a coisa fica uma beleza. Cada gotinha tem o reflexo de tudo que tá na rua. Todos os pedestres, carros, prédios e, mais importante nesse caso, faróis acesos. São muitos micropontos refletidos de fontes de luz direta. Pelos olhos da câmera, poderiam ser comparados a luzes de natal, em menor escala, mas mais numerosos.
Nesse fim de semana, não por um acaso do destino, estava a filmar com as anamórficas, na chuva, operando foco de uma 50mm numa grua, com aquele controlador de foco Okii. Ele funciona a partir do mecanismo de auto-foco da lente, então era uma Canon f/1.8, e conforme você gira o controle, o autofoco vai dando passos para perto ou para longe, mudando o foco da cena. A gente ensaiou por umas quatro horas, e era um plano complicadíssimo, com três momentos principais. Começava com um carro chegando da rua e parando com o farol apontado para a câmera, bem próximo. Depois, saíam pessoas do carro, e uma dessas pessoas ia tocar numa banda. A grua pegava esse movimento, e o camarada passava por baixo da grua. Depois da banda, tínhamos a multidão de pessoas assistindo e terminava num letreiro luminoso com o nome do bar: Alberta #3.
O primeiro take não deu certo. O segundo, tinha muitas gotinhas na lente, e o terceiro ficou maravilhoso. Todo mundo acertou tudo, e era nossa última tentativa. Ou dava certo, ou já era. Nesse, a lente estava enxuta. Assistindo o material depois, fiquei impressionado com a personalidade daquelas gotinhas na lente, refletindo a luz do farol que batia diretamente sobre tudo.
Aí resolvi juntar tudo. Queria fazer os filtros, tinha a teoria dos vidros de carro na chuva, e agora o resultado de gotículas na lente: era o visual desejado para sujar ainda mais as imagens de forma orgânica e relativamente aleatória. Aproveitando que o mattebox tem gavetinhas para filtros, peguei as medidas que precisava e fui numa loja de molduras aqui do lado. Em cinco minutos eu tava saindo com três pedacinhos de vidro cortados (140mm por 100mm) e quinze reais mais pobre. Sério, 15 reais por três filtros 4x5.65" tava bem barato. Tudo bem que eles não tinham nenhum efeito ainda, mas ô!
Cheguei em casa com os três, e fui testar no porta-filtro. Como eu imaginei, o vidro usado era fininho, e ficava com uma folga substancial. Cacei umas tirinhas de gaffer e fiz calços para os três. Agora tá rolando bonitinho. Hoje tô ensandecido aqui com umas aulas virtuais, mas amanhã já faço testes e posto por aqui, com essa experiência de desfoques luminosos propositais, estrategicamente posicionados usando um contagotas!

A foto é meramente ilustrativa!
De vez em quando, as condições não são muito favoráveis, mas você já cometeu o engano e começou a brincadeira. O importante agora é seguir adiante, e resolver os pepinos. Fiz mais ou menos isso quando comprei um Century Optics com encaixe de baioneta, para a Canon GL1, que é uma câmera mini-DV.

Encaixe de baioneta, totalmente inútil nas lentes comuns.
Meu pensamento foi: "Ah, fazer um anel convertendo essa baioneta pra filtro é tranquilo! Várias pessoas já devem ter feito!". Achei um exemplo no Google, de um Amit Bayo Ring, mas nenhum para comprar - só o oposto, transformando lentes baioneta em lentes de rosca. Deixei o Century de canto por um tempo, até que percebi que um anel de 52mm encaixava perfeitamente ao redor do bloco traseiro. Daí, foi só achar o diâmetro exato pra travar a baioneta, desmontar o encaixe, enfiar o anel lá dentro e colocar o encaixe de volta!
O tamanho era 67mm. Mas colocar o encaixe de volta se provou verdadeiramente desafiador, porque a trava da baioneta precisava ocupar um espaço que o anel agora ocupava. Era hora de brincar de açougueiro e fazer um serviço sujo - e ainda nem eram 8h da manhã. Nessa hora, lamentei ter só um alicate de pressão, e não um de corte, mas como já tinha começado a tragédia, não podia voltar atrás. Cavei um buraco no anel, grande o suficiente para caber a trava da baioneta, e recoloquei tudo no lugar. Fechou, e parecia que funcionava. Testei com uma lente, e de fato funcionava!

Depois de detonar o anel 52-67mm e fechar a lente de volta!
Bom, agora só tinha mais dois problemas. O primeiro, arrumar uma tampinha de rosca 52mm, pra proteger o bicho, e inventar um jeito de fazer um anel de filtro dianteiro de 72mm. A tampinha chegou pelo correio. O anel de filtro só me ocorreu anteontem, depois de re-organizar o lote de anéis adaptadores sobressalentes. Fui testando cada um, pra ver qual tinha o encaixe mais justo. O de 82mm passava completamente, mas a folga era muito grande. O de 77mm entrava a parte fêmea da rosca, mas a parte macho era muito estreita. "Ah, se eu tivesse um spacer de 77mm, só com a parte fêmea...".
Nessa hora, meu olhar se dirigiu pra um Polarizador quebrado - tentando fazer uma clamp, trinquei o vidro e fiquei só com a parte móvel da rosca. Depois de olhar um pouco pra cara dele, achei que dava pra serrar fora a parte móvel e ficar só com a ponta, que é basicamente um spacer de 77mm, que passava pela frente do Century.
Se a adaptação do encaixe parecia suja, essa aqui foi uma verdadeira carnificina de alumínio. Com uma serrinha de construção comum e um suporte muito porco, fui serrando sobre a parte giratória. Levei perto de uma hora, cansei as duas mãos e quase acertei meu dedo com a serra uma meia dúzia de vezes. Foi divertido. Por fim, ele soltou. A parte de trás ficou com tudo que era mais grosso, a parte da frente quase só com a rosca de 77mm. Tentei encaixar no Century e não deu certo. Ainda tinham umas pontinhas muito afiadas que impediam a passagem
Retomei meu espírito hack and slash e detonei as infelizes com aquele alicate sem corte, tomando todo cuidado do mundo pra não empenar o anel. Agora passava bonitinho, mas tava folgado. Passei duas camadas de fita isolante para servir de calço, além de proteção contra as farpas, e coloquei na frente um anel 77-72mm, afinal, a rosca mais comum pros close-ups anamórficos é de 72mm. Encaixei na frente da lente, e tudo funcionou. Consigo rosquear filtros, prender numa lente base e alinhar sem qualquer problema de coisas ficando folgadas, soltando ou caindo.
Isso tudo pra no fim tornar a menina mais amigável para a venda. Tô pensando em colocar no mesmo bloco ela, a Helios e a Pentacon com aberturas ovais, e ver se alguém se interessa. Já é tudo que você precisa pra todos os aspectos anamórficos! Desfoque oval, cinemascope e flares azuis!
Nesse mês, finalmente consegui escrever sobre um treco que já tava há algum tempo elaborando, que é a fotografia usando filtros infravermelhos. Não consegui a foto que queria para ilustrar o artigo, mas dá pra ter uma noção da coisa!
Ao longo desses três anos completos em AV, trabalhei em trocentos projetos, sendo que na maioria deles, fiz parte da equipe de foto. Não vi muitas câmeras diferentes de DSLRs, e vi ainda menos rigs e equipamentos de suporte para melhorar a qualidade de movimentos, transporte, proteção, passagens de foco, eliminação de flares, monitoração e por aí vai.
À exceção de UMA vez, todas as ocasiões onde usei um shoulder com a câmera em cima, foi o MESMO shoulder, que a gente usou no Paraguaio. E o mesmo follow focus, nem sempre presente. Follow focus é uma parada que simplifica muito marcações e passagens de foco durante os planos. Um bom follow focus faz uma grande diferença entre acertar e errar o plano, além de facilitar infinitamente a vida do assistente de câmera.
Um monitor para acompanhar a ação sem se acotovelar atrás da câmera, vi uma única vez também, num set que tinha uma graninha legal, de resto, era sempre um monte de gente tentando ver o quadro por cima do ombro do operador de câmera. O clima fica mais calmo e espaçado quando existem monitores no set, sério.
Então, nessa pegada de eBay e compra de equipamento usado no exterior, resolvi arriscar alto. Indo ao site da Redrock Micro, anotei todas as peças necessárias pra montar um shoulder excelente, um módulo bem pequeno com follow focus e uma estrutura para tripé, à lá cinema, onde a câmera é a menor parte da estrutura. Com essa lista completa, fui à caça e sem pressa. Toda vez que aparecia uma pecinha usada por um preço bacana, ia lá e dava um lance, ou comprava. Consegui montar o rig todo por menos de um terço do preço de um novo. E fui entregando tudo na casa da Kimi, explorando a menina, coitada.
Em algumas viagens, as peças foram vindo de lá pra cá, e com minha ida a NY, peguei o que tava faltando - em resumo, o mais pesado e trambolhoso. Achei que tinha bem mais coisa lá, mas no processo, descobri que faltava pegar uma sacola na casa dela aqui em SP. Fiz isso ontem, à meia noite e meia.
Acho que nem todo mundo é assim, mas é muito difícil de me controlar quando tenho um presente novo que envolve "montar coisas". Quando eu ganhava um lego, podia estar caindo de sono, só dormia depois de montar e brincar um tanto. Computador é a mesma coisa. Quando a última peça chega, não há quem me demova de montá-lo imediatamente. Pois bem, o rig foi assim também. Cheguei de volta em casa e espalhei tudo na mesa da sala.
Fui dormir duas horas mais tarde, com os dedos todos roxos de apertar e folgar parafusos. O processo foi meio confuso, afinal, eram muitas peças (são quarenta) e só tinha a imagem do site - em baixa resolução - pra me orientar. Dei por terminado quando fiz uma estrutura menor, para tripé, e um shoulder, mais leve. Deixei os dois em cima da mesa para retomar o trabalho quando acordasse, dali a seis horas.
Agora de manhã, fui mais concentrado em montar um bloco só, com todas as funções e fácil de fazer alterações. Deu certo, em parte. As alterações não são tão fáceis, mas é uma coisa só, com shoulder, mattebox, follow focus, EVF e monitor pendurados. Já tenho uma boa motivação pra começar a malhar. O brinquedo pesa MUITO - pelo menos, muito mais do que só a câmera, como estou acostumado!
Não sou eu quem vai estrear o conjunto, e sim o Lucas Theodoro, num clipe dirigido pelo Manfrim. Espero que eles se divirtam, e que a parafernália tenha o máximo de utilidade! Quando a LOMO chegar, já vou colocar ela aí, com follow focus e follow zoom, que é pra dar uma de Tarantino em Django, com aqueles zooms incríveis no meio dos planos!
Ok, escrever sobre o que torna o atual método de montagem ultrapassado foi interessante, vamos então para a maior muleta do cinema universitário! Resolver coisas na pós. No fim do primeiro semestre de curso, escrevi um post longo sobre o assunto, entrando em detalhes e já começando a arriscar a linha que quero seguir nesse aqui: como o conhecimento de pós-produção pode acelerar o rendimento no set e facilitar o trabalho de várias equipes, inclusive performance dos atores, qualidade do som, erros de continuidade, refletores em quadro, e por aí vai. Vale ressaltar que o primeiro texto foi escrito no primeiro ano, quando eu ainda não tava tão contaminado pelos vícios do CTR, e o segundo texto está aqui, no último ano, quando estou criando consciência desses vícios (e retomando parte da criatividade original para beneficiar os resultados) para não seguir os processos à risca.
Se você se deu ao trabalho de clicar no link e ler o post original, vai perceber que eu falo bastante de máscaras. Elas são o grande truque, onde você utiliza um trecho positivo de informação para substituir um trecho ruim.
Vou começar pela utilização mais comum, que também é citada no outro post: tirar microfone de quadro. Do fim desse primeiro semestre, até hoje, já vi muitos takes excelentes serem descartados porque uma pontinha de microfone entrou. Não é preciso muito raciocínio pra entender que com o microfone mais próximo, a qualidade da captação de som melhora. E daí que entrou? Se não passou na frente de ninguém, ou foi uma parte parada do plano, tirar o microfone fora é a coisa mais fácil do mundo. Já perdi a conta de quantos planos rodei com o microfonista totalmente em quadro, pra melhorar a qualidade de captação, e em seguida gravamos um plano vazio, sem ninguém, pra usar na pós e sumir com o/a camarada.
No Cândido Carmim, que fotografei com o Luke, a seqüência final se passava no breu quase total, com iluminação feita por uma lanterna e iPhones no rosto dos personagens. Um desses planos era mais aberto, e tinha uma fala bem importante. O que a gente fez foi indicar pra May e Stefan, que faziam o som, colocarem o boom NO MEIO do plano mesmo, pra cobrir aquela fala. Com a correção de cor, e um plate (nome oficial do plano vazio, só de cobertura) vagabundo, ele sumiu e ninguém nem lembra que ele tava lá. Antes disso, mostrando o material bruto em aula - tanto de foto, como som e montagem - os professores disseram que tinha sido um erro grave e que aquele plano NUNCA entraria no filme. Senhores, vamos nos atualizar, por gentileza!

Plano original, com o microfone em quadro.
Desafio alguém a enxergar o microfone.
No mesmo esquema de sumir com coisas, dá pra beneficiar os atores, colocando alguém que não deveria aparecer em quadro para facilitar a interpretação de quem está aparecendo de fato e, posteriormente (nada como um jogo de palavras), apagar o "intruso" com uma máscara. Dá pra mudar as cores de uma locação que não era exatamente o que se tinha pensado, mas foi tudo que conseguimos arranjar, dá pra colocar informação numa janela que antes era ruim, dá pra combinar a exposição de áreas com luminosidades muito diferentes, e por aí vai.

Hmm, tá meio colorido demais pro clima do filme.
Se as cortinas forem menos azuis, já melhora muito!
Nenhum desses ajustes é complexo quando levado em consideração desde a concepção do filme. Na verdade, a maioria deles não leva nem cinco minutos no After Effects. No tal do Luz Violácea, que falei no post de montagem, tive que inverter a ordem de dois planos em relação à sequência que eles foram elaborados, então a lanterna na cabeça da protagonista aparecia primeiro acesa, depois apagada, depois acesa de novo. Botei uns vinte minutinhos de trabalho porque ela se movia bastante e "acendi" a lanterna digitalmente, criando halos de luz imaginária e flares pra esse errinho de continuidade desaparecer do mapa. Mesmo que você preste atenção, e veja o plano PROCURANDO o ajuste, ele é totalmente imperceptível.

Plano original, lanterna apagada.
Plano final, lanterna acesa!
Essa pós em questão é a mais simples, de planos fixos, mas o processo ainda vale bastante para planos com pouco movimento/câmera na mão, ou até para coisas mais agitadas, desde que tenhamos alguma paciência com os keyframes (como o caso do Luz Violácea). Quando isso é pensado desde o começo do projeto, evitam-se takes desnecessários, cansaço dos atores e da equipe, e o processo de captação fica menos repetitivo e mais dinâmico. Nessa pegada de incorporar a pós às filmagens, já fizemos três filminhos de mais de quarenta planos em uma diária (ou menos!) cada, e os resultados são bem acima dos exercícios curriculares onde tá todo mundo surtando com sua função, e seguindo o sistema que enfiaram na nossa cabeça, gastando uma grana.
Como falei no começo dos posts da série, essas lentes não são mais fabricadas atualmente. A última leva, de stretch 1.33x para o mercado de vídeo digital foi encerrada em meados de 2006. Antes delas, a grande maioria vem do período 1960-1980, seja para projetores, ou câmeras 8mm ou 16mm. Por despertarem tanta curiosidade, e por suas complicações para trabalhar, todas acabam tendo uma rotatividade muito grande, mudando de mãos em intervalos curtos desde o começo da febre, em 2008. Sem falar nas que ficaram guardadas esse tempo todo, em condições adversas e sofreram por quase meio século com umidade, calor, mofo, e por aí vai.
Uma lente pode ter muitos problemas. Os mais comuns são os arranhões e fungos (decorrentes da umidade), mas também temos separação (onde o material que une dois blocos de vidro juntos começa a perder força e esses blocos vão se separando, é relativamente comum nos Iscos), marcas de limpeza, que são arranhões bem pequenos, mas em grande quantidade arruinam o contraste da lente, a pasta que garante a fluidez do foco pode endurecer ou solidificar, os anéis podem perder a rosca ou amassar, parafusos se perdem, coisas plásticas se quebram, óleo vaza, e a lista segue.
Até recentemente, não tinha feito manutenção em nenhuma das minhas lentes. Já tinha aberto algumas delas e limpado por dentro, mas polir, colimar e reaplicar o coating nunca estiveram em pauta. Até que comprei aquela LOMO e já que tinha que fazer modificações sérias, aproveitei pra fazer a manutenção completa. O escolhido foi Olexandr Kalynychenko, especialista em lentes de cinema russas, localizado na Ucrânia. Comecei minha conversa com ele antes mesmo de comprar a lente, e, conforme as coisas vão progredindo, continuamos nossa troca de email. O camarada é muito bom mesmo, e bem claro nas coisas que fala e propõe, sempre anexando fotos e explicando cada coisa, o custo do processo e se vale a pena ou não.
Por exemplo, tivemos uma nossa longa discussão sobre a melhor forma de fazer uma adaptação de suporte para tubos de 15mm (padrão para rigs leves), que se resolveu muito bem e ele acabou decidindo por fazer um suporte desses para ele mesmo e oferecer entre os serviços para futuros clientes. Ontem ele me mandou duas imagens da 37-140mm toda aberta, indicando uma pecinha de plástico rachada. Disse que a lente continuaria funcionando com ela rachada, mas, claro, poderia terminar de quebrar a qualquer momento. Ofereceu uma opção de fazer uma nova, e o custo. Preferi não arriscar a peça velha e pedi pra ele substituir mesmo. As fotos que ele mandou estão logo abaixo.


Se algum dia futuro eu tiver qualquer problema com LOMOs, ou for indicar pra alguém, Olex é minha escolha certa.
Continuando, nos posts de New York, falei que tinha despachado três lentes num dia só. Duas foram vendidas, e a terceira era o Iscorama M42, que, depois de uma indicação confiável no fórum do EOSHD, despachei para John Van Stelten, no Colorado. John é o responsável pela Focal Point Lens, e antes da ISCO fechar as portas, era a assistência técnica oficial da marca nos Estados Unidos.
A comunicação foi ele foi bem rápida, trocamos alguns emails e mostrei o problema da lente com algumas fotos - exemplo logo abaixo. Ele me disse qual a teoria dele sobre os danos, me passou instruções de como verificar se não era muito grave, e disse um valor estimado para o polimento da superfície externa e o recoating, mas que só poderia confirmar quando a lente chegasse de fato nas mãos dele. Não deu outra, e o problema era esse mesmo que ele imaginava. Felizmente não seria necessário polir a superfície interna do elemento. Na mensagem de análise do estado da lente ele fez alguns outros comentários sobre problemas encontrados - que eu já tinha consciência - e que não tinha como resolvê-los, como um arranhão mais grave no elemento traseiro e os stops de foco que não funcionam. Eles não prejudicam tanto quanto as marcas visíveis no elemento frontal.
Nos dois casos - da LOMO e do Isco - o conserto não foi uma mixaria, mas certamente foi mais barato do que eu esperava que fosse. Cheguei a considerar vender o Isco pra comprar um outro em bom estado, de tanto medo que eu tinha do custo de consertar! Então, minha dica, se você tem uma lente problemática, e ela custou caro, é que vale a pena procurar um conserto ao invés de perder as esperanças!
Pra ficar mais fácil, vou listar aqui alguns serviços de reparo bem conceituados, e contatos, pra quem precisar. Ressalto que só tive experiências pessoais com Olex e John, mas os outros são indicações de membros do fórum EOSHD, que já tiveram suas lentes consertadas!
ANAMÓRFICAS EM GERAL
Super 16, Inc (New York, EUA) - Bernie O'Doherty conserta e colima lentes anamórficas. De acordo com ele, "um deslize de 1/64 a 1/32 de grau no ajuste pode significar a diferença entre uma imagem perfeita e uma que precisa fechar a iris até f/4-5.6 para um resultado aceitável. E os clientes aceitam essa baixa qualidade de imagem, quando a discussão é sobre anamórficas. Claro, algumas lentes têm imperfeições de design que impossibilitam imagens perfeitas, mas a grande maioria das lentes, inclusive anamórficas são beneficiadas por um reparo bem feito". Tony Wilson/Alan Doyle, ou Redstan fala maravilhas de Bernie, e diz que ele conserta lentes desde os anos 70.
Contato: bernie@super16inc.com
ISCORAMAS
Focal Point Lens (Colorado, EUA) - John Van Stelten era o serviço oficial de reparos da Isco nos EUA até que a companhia foi comprada pela Schneider. John já trabalhou em muitos Iscoramas. Ele é um dos poucos técnicos de lentes que oferece serviços de polimento e recoating. Não é algo barato e pode ser arriscado, mas em muitos casos é capaz de eliminar qualquer vestígio de arranhão, desgastes no coating e fungos num elemento óptico. Ele também utiliza um autocolimador, que é essencial para recalibrar lentes depois que elas foram desmontadas.
Contato: john@focalpoinlens.com
LOMOS
Olex Camera Services (Ucrânia) - Olex é incrível, seus emails mostram que ele conhece muito das lentes e do que as pessoas precisam que seja feito com elas. Se você tem alguma dúvida, é só mandar um email. Infelizmente, ele não aceita PayPal, só Western Union, e isso complica um pouco o processo, mas vale a pena. O inglês dele é um pouco confuso, mas isso não atrapalha, só é curioso!
Contato: olex.camera@gmail.com
RafCamera (Bielorrúsia) - Rafael é um sujeito mais comercial. Quando as LOMOs estouraram no mercado das DSLRs e nas posteriores adaptações, ele foi o primeiro a segurar essa bomba e vender muitas lentes e acessórios. Atualmente ele vende alguns acessórios e fabrica uns outros tantos. É um usuário bem cotado no eBay, e pode te dar sugestões de onde encontrar coisas mais exóticas para suas lentes. Já comprei coisas com ele e consegui um desconto legal. Em termos de modificações e reparos, ele instala outros mounts em LOMOs.
Contato: support@westernbid.com
Focus Optics (Califórnia, EUA) - Nunca entrei em contato, mas tá anunciado que eles fazem manutenção em modelos BAS e NAS, ou seja, Round e Squarefronts, e as Kowas de unidade fechada (caríssimas)
Contato: stuart@focusoptics.com
Outros indicados, mas um pouco menos presentes no meio são Matthew Duclos (Duclos Lenses, EUA), que modificou uma LOMO Foton 37-140mm + Foton-A pra um sujeito com quem conversei, e Viktor (SPB Sale, Rússia), que é um sujeito mais voltado para modificações de mount e não reparos de forma geral. Tentei entrar em contato com ele, ao mesmo tempo que Olex, sobre a minha 37-140mm e não tive resposta. Por fim, no Reino Unido tem a True Lens Services, que também faz reparos gerais e modifica encaixes.
Chega de dicas por hoje, já dá pra consertar muita coisa com isso aí! E não adianta ter pressa nesses processos de reparo, porque tudo é muito frágil e os ajustes são muito pequenos. Além do quê, se o sujeito fazendo o reparo é bom mesmo, ele vai ter uma fila de espera, porque o trabalho é constante!










