Day-to-Day

Fuck AV.

October 16, 2012

Esse post é meio que uma continuação revoltada do post anterior, porque eu não quis misturar os assuntos. É também uma conclusão recente e que ainda tá ecoando na cabeça.

Entrei em AV em 2010, e desde 2006, acho que os dois últimos anos foram os anos que eu menos filmei coisas minhas. Fui me prendendo a regras, e detalhes, minúcias, uma perfeição impossível, filmes onde tudo tem uma justificativa. Aí, nos últimos meses, me dei conta disso. Tenho trabalhado um bocado, mas sempre em projetos de outras pessoas. Poucos são os casos onde eu coloco as loucuras que quero tentar.

Não que eu não goste de trabalhar em projetos de terceiros. Muito pelo contrário. Eu gosto. Fico feliz quando alguém me chama pra fazer qualquer coisa. Só fico indignado com o fato de ter pouquíssimos projetos meus caminhando.

Porra, a faculdade é onde a gente aprende a FAZER FILMES! Como diabos a gente filma tão pouco? E não é por falta de idéia. Nem de tempo. É talvez uma falta de organização e uma grande falta de coragem, iniciativa. Tenho a impressão de que as pessoas preferem não fazer nada do que fazer um filme ruim, como se fosse perda de tempo. Perda de tempo tocar adiante um projeto de cinco minutos porque "falta um produtor de elenco" pra arrumar dois atores, e "alguém disposto a organizar a ordem do dia". Nossos filmes não vão sair perfeitos. Não ainda. É como se a gente não quisesse encarar esse fato. Sim, a gente quer que eles sejam bons, mas os filmes bons não vão vir antes dos ruins.

Devo admitir que não me surpreende termos TCCs fracos. A gente faz dois filmes curriculares antes dele, e nenhum dos professores incentiva a fazer mais do que isso. Na verdade, muitos até reclamam que a gente tá perdendo aula pra filmar alguma coisa. Já perdi muita aula pra filmar, e aposto que ainda vou perder muita - pai, mãe, não me matem! hahaaha - porque o que aprendi em aula não chega aos pés do que aprendi no set.

E aí que eu tô quase parando de trabalhar e partindo pra fazer cinema de autor, pra ver se a cabeça sossega, ou tentando equilibrar melhor a balança antes que passe da hora.

Day-to-Day

Por que AV?

October 15, 2012

A pergunta que você mais ouve, quando passa no vestibular e começa a cursar audiovisual é: "e por que audiovisual?". Professores perguntam, seus colegas perguntam, seus familiares, amigos, etc, etc. As respostas são as mais diversas. A minha sempre veio acompanhada de uma história, mas nunca foi uma justificativa de fato. A historinha, pra quem nunca ouviu, é mais ou menos essa aí embaixo.

Ah, eu fazia computação, na UFBA, mas, no fim do primeiro ano, comecei a fazer umas coisas com vídeo e percebi que dava mais certo pra isso do que pra computação. Aí, larguei e vim pra São Paulo prestar USP, porque não ia ficar em Salvador, e universidade tem que ser pública.

Passei esse fim de semana na casa da May, e lá eu não consigo trabalhar. Nem que eu queira. Me faltam as ferramentas - amém! - então, aproveito para incorporar essa impossibilidade à saída de casa, e fico a pensar na vida e aproveitar coisas que acabo não percebendo em São Paulo. Dessa vez, o que me ocorreu foi a resposta pra essa pergunta título.

Sempre tive facilidade em me entreter com as coisas. Mas quando a brincadeira fica repetitiva, cansava e deixava de lado. Pode-se dizer que Computação foi assim - meus queridos do DACOMP, me perdoem se lerem isso! Tinham as aulas, que até eram boas, e o tempo livre. Como minha casa é do outro lado da cidade, no primeiro semestre eu morava na UFBA. Fazia projetos, organizava o DA, estudava com a galera, organizava campeonato de esportes, eleição de chapa, e por aí vai. Mas aí eu consegui fazer um pouco de tudo que encontrei por lá. Empresa júnior, desenvolvimento web, programação em código, tudo eu já tinha testado e obtido relativo sucesso - tinha dado certo.

Nessa mesma época, começava a ascenção da famigerada Paperball Productions - nascida no terceiro ano do ensino médio, entre os bróderes e a galera que frequentava a minha casa. Durante o meu segundo semestre de Computação, a gente começou a filmar coisas com mais freqüência, e eu fui percebendo como isso era divertido.

Depois de algumas empreitadas que deram certo em seus objetivos, mas não renderam qualquer lucro, percebi que se eu queria fazer essa coisa de vídeo de verdade, era melhor me mandar. Junta isso àquela vontade de sair de casa e conhecer lugares diferentes, e ficar longe dos pais, enfim, São Paulo entrou no mapa. Toda a família de meu pai fez USP, então USP seria.

E aí eu vim, e estudei pra cacete, que nem um condenado. Mentira. Estudei um bocado, mas nunca abri mão de nada pra estudar. E mesmo sozinho, continuava brincando de vídeo. Filmava minhas coisas por conta própria, e meus tópicos de distração durante um ano e meio de cursinho foram: efeitos especiais e fotografia digital. O grande ponto é que esses dois assuntos são infinitos! E eu me divertia muito com eles na época.

De 2010 pra cá, acho que já passei em pelo menos uma centena de sets, e a cada nova experiência, tenho mais certeza que fiz a escolha certa. Eu faço AV porque é divertido. É divertido pra caralho. Envolve interagir com um monte de gente que faz um monte de coisa que você não entende e nem quer entender, mas todo mundo anda junto por um objetivo comum e se diverte no processo. Me perdoem aqueles que passaram "para contar histórias" ou "para expressar o que passa na minha cabeça", mas eu passei para me divertir. E é isso que tenho feito, e pretendo continuar fazendo, porque quando eu parar de me divertir com AV, eu vou largar e inventar algo novo pra fazer.

Day-to-Day Anamorphic

[Anamórficos VIII] Adaptações.

October 11, 2012

Vocês já devem ter enchido o saco de me ouvir falando (ler?) que anamórficas precisam de dióptros para uma melhor performance. Um dos casos mais marcantes é o Panasonic AG-LA7200. O elemento frontal é imenso, e só é coberto por dióptros de 105mm. Com uma lente base mais fechada (em torno de 60mm numa Full Frame), um ângulo menor de sua área é utilizado, então filtros de 86mm também resolvem o problema. Mas, como fazer pra encaixar esses filtros de rosca na superfície plástica plana da lente?

Claro, a gente sempre pode apelar pra fita crepe, e eventualmente os filtros caem no chão. Ou velcro, que é feio que só o diabo e não tão prático de lidar nesse caso (imagina só: todas aquelas pontinhas afiadas perto do vidro da sua lente cara). Conversando com o Nicko, ele me sugeriu fazer peças de alumínio, que é resistente que só o diabo, e um material possível de se trabalhar nas condições certas.

A parte fundamental nesse processo é projetar as peças direito. Pra isso, é preciso tirar medidas com décimos de milímetros de precisão. Peguei ferramentas com o Scavone - nosso querido professor de imagem, e gênio nas horas vagas - sendo elas um paquímetro, e um micrômetro. É, um troço muito preciso. Munido dessas duas, saí tirando medidas da LOMO e do Panasonic pra fazer as peças.

Pro Panasonic, só preciso mesmo de uma chapa com uma rosca de 105mm que possa ser alterada para 86mm sem complicações. Esse foi bem fácil, e vamos parafusar na frente plástica da lente, tornando o trabalho mais prático.

Pra LOMO, comecei pelo mais complexo: uma clamp original. Não existem clamps adequadas a seu elemento anamórfico, então fiz a minha do zero. A primeira versão levou umas 3h pra ser modelada. Aí não fiquei satisfeito, tinha vários problemas, e fiz uma nova em 10 minutos, muito melhor, tanto em projeto, como em precisão.

Aproveitando o embalo da LOMO, fiz um encaixe para tripé, que já vai em uns buracos de parafuso que ela tem, e uma alavanca para o foco - falando nisso, tenho que remarcar o foco dela, porque alguém montou ela errado, e tá tudo fora de lugar... Além desses, tô planejando um anel adaptador com furos calculados para rosquear dióptros de 86mm nela também. É o Toyotismo meus caros, quanto mais customizado, mais interessante.


Esses modelos todos eu tô fazendo pelo Google SketchUp, que é o programa 3d mais fácil do mundo de trabalhar. Sério. A partir daí, eles são convertidos no formato de arquivo adequado e vão para uma máquina CNC, que replica o modelo digital em alumínio, à perfeição.

Assim que tudo estiver funcionando direito, e os modelos estiverem confirmadamente corretos - AKA quando as peças forem feitas mesmo e a gente juntar com as lentes - posto os arquivos aqui (open source, né?) pra quem tiver acesso a máquinas CNC fazer os seus também! Brincar de anamórfico já tá muito caro pra ter que comprar mais e mais peças.

Day-to-Day

[TCC] Isabel.

October 11, 2012

Já faz tanto tempo que esse filme rodou, que não tenho condições de lembrar detalhes do processo - e eu que tinha efeitos visuais pra fazer depois que a montagem estivesse pronta, até já os fiz!. Só achei que seria um desperdício não postar essas fotos em aqui!









Day-to-Day Anamorphic Tudo AV

[Anamórficos VII] Play Time!

October 11, 2012

Com a chegada do Iscorama M42 e de algum tempo livre entre jobs intermináveis, consegui chances de testar as lentes em campo. Filmamos os dois últimos documentários da OLD com elas. O do Juvenal Pereira já tá online e vocês podem assistir logo abaixo.

Como foi a primeira experiência, encontrei alguns problemas mal-calculados - rodamos com uma 38mm combinada com o LA7200 e uma 135mm com o Kowa - descobri então que a imagem do Panasonic tinha ficado meio sem definição, porque a iris estava muito aberta, e descobri também que o Kowa tem uma distorção insana em closes e lentes mais abertas. Não testei mais a fundo, mas notei isso quando combinei ele com a 58mm e ficou parecendo uma olho de peixe no centro, e uma grande angular invertida nas bordas (curvatura para dentro, e não para fora, como o tradicional). Bizarro, de fato. Então, taquei o sharpness lá em cima no After e seguimos adiante.

Além disso, como filmamos com dois stretches diferentes (1.33x no Panasonic e 2x no Kowa), alguma coisa das laterais do Kowa seria perdida, pois o quadro final seria Cinemascope (2.4:1). Isso também foi meio no chute, e dediquei algumas horas nessa semana trabalhando numa solução: cropmarks anamórficas para o MagicLantern, englobando TODAS as combinações possíveis de stretches. Como sou um camarada do open source, o link pra download tá aqui.

DOWNLOAD - Cropmarks Anamórficas para ML

Os nomes dos arquivos são um pouco confusos a princípio, mas depois eles fazem sentido. O primeiro número é a proporção de tela do vídeo final - determinada por um valor de esticamento. 1,33x, 1.5x ou 2x. O segundo número é o fator de esticamento da lente em uso. No caso, se eu estiver filmando com um Isco (1.5x) e um Kowa (2x), e o formato final de tela for Cinemascope (1.33x), com o Isco eu uso a cropmark chamada 1.33x-1.5x, pro Kowa, 1.33x-2x. Fez sentido? Existem até cropmarks para simular esses aspectos de tela em lentes comuns, esféricas. São os de nome terminado em "norm".

E é claro que antes de postar isso aqui pra todo mundo, eu tinha que testar e ver se dava certo, né? Foi isso que fiz com o documentário da OLD que deve sair no começo da semana que vem, com o Alexandre Schneider. Filmamos com o Isco, combinado com uma 200mm, e o Panasonic, combinado com a mesma 38mm do Juvenal, mas dessa vez ao ar livre, e com a iris muito mais fechada. A proporção de tela final desse vai ser de 2.66:1, que é o formato nativo do Iscorama, portanto, na câmera com o Panasonic, fechei o quadro usando as cropmarks.

Além desses dois usos mais públicos, passei o fim de semana brincando com o Isco no set do TCC Diários do Apocalipse. Algumas fotos - repetidas e novas - vocês podem ver abaixo. O triste é que o bichinho tá quase cego de tanto arranhão no elemento frontal. Parece muito que é uma lente com catarata - o que é um problema para externas diurnas, mas totalmente trabalhável para internas, ou noturnas, ou estúdio. Depois falo mais sobre ele.









De forma geral, o post é só pra provar que elas podem - e vão - ser utilizadas no mundo, e não só em testes! Tô com um projeto pessoal - totalmente pessoal mesmo, à lá Insight - pra usar as de stretch 2x. Além disso, com algumas dicas do Nicko e ferramentas do Scavone, comecei a modelar pecinhas que vão tornar as lentes mais trabalháveis, mas disso eu falo logo mais.

Além de tudo, agora tenho uma coluna na OLD, para falar de tudo quanto é experimentação que passar no caminho. A desse mês é sobre as anamórficas, claro, mas pro mês que vem, teremos algo diferente na jogada.

Day-to-Day

Pentax Osawa MC 1:4.5 70-180mm Macro

October 9, 2012

Comprei um adaptador Pentax-EF, porque encontrei por aqui umas lentes da câmera que meu pai usava quando tinha minha idade, e achei que valia o investimento de US$10 para adicionar duas lentes ao conjunto. A 50mm f/1.4 tava ótima, linda e arrumada. A 70-180mm tava toda bichada. Fungo, poeira, o escambau. Me veio então o pensamento: "por que não desmontar ela, e limpar cada elemento separadamente, pra tirar a sujeira?". Fui então caçar o conjunto de mini-chaves de fenda/philips. Desmontando a lente, ela se separou em uns 10 pedaços, entre eles alguns só de vidro, trocentos parafusos minúsculos, anéis, marcações, etc. O mecanismo das lâminas de abertura é uma coisa linda. Limpei tudo bonitinho, mas, a princípio, não consegui entender o mecanismo de foco. E um dos pedaços fazia um barulho engraçado, como se algo tivesse solto dentro.

Na hora de montar de novo, percebi que a peça solta era... a helicoidal do foco! Por isso ele não fazia sentido, e precisava ser encaixado de volta. Depois de muita luta para conseguir colocar ele no lugar e fechar a lente, percebi que o anel de foco não funcionava. Não girava nada. "Merda, devo ter encaixado alguma coisa errada". E penei mais um tanto pra conseguir abrir a desgraçada de novo. Aí percebi que o encaixe da helicoidal tinha que ser um poooouco mais folgado. Mas não muito. Fiz o mais justo possível, pro segundo elemento ficar bem próximo do primeiro quando no infinito. Fechei de novo e fui testar. Meu infinito era a 2m. Em 180mm. E o modo MACRO era inacessível - faltava espaço físico pra deslocar as coisas lá dentro - "Lente dos diabos! Vamos abrir essa bagaça de novo!". E abri.

Vários minutos depois, e muita força na vista pra parafusos microscópicos, fechei a lente. Agora o infinito tá quase certo. Tá um pouquinho mais curto do que deveria. E todas as outras marcações também (a de 3m significa 2.5m, e por aí vai). Desisti, por ora, não abri a lente mais uma vez. Vou esperar o adaptador chegar e, enquanto isso, ficar matutando um jeito mais prático do que abrir e fechar a lente (tirando o elemento frontal) trocentas vezes até arrumar esse pequeno desvio. Mas já me sinto muito feliz com ela limpa, e conhececendo mais da mecânica interna! Foco é um conceito pequeno-burguês!