Day-to-Day

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December 9, 2010

Melhor tipografia que eu já vi, bate fácil aquela de Lions Roar. Tá, não bate tão fácil, mas bate.

Dormi incrivelmente mal, achando que o render na USP ia dar errado e eu ia ter que me estressar pra conseguir terminar a tempo. Atormentei-me a toa, cheguei aqui cedo e tava tudo pronto! Só fechei detalhezinhos e acho que ainda hoje posto na net, apesar de ter que ficar meio escondido, pois levantaria a ira alheia. Ah, e aquele lance do Vimeo deu certo. Já re-upei tudo e em breve começo a substituir os links!

Day-to-Day

Representação da Cidade.

December 6, 2010

FILMES ESCOLHIDOS: Noite Vazia (1964) e As Melhores Coisas do Mundo (2010)

"A cidade moderna é delimitadora de uma fronteira a partir da qual reconhecemos o rural, separamos o centro da periferia, o público do privado, a cena da obscena. Nela reconhecemos o cidadão, aquele que tem história e faz história, ou seja, quem realmente importa se tomarmos a perspectiva da modernidade excludente. Fora do centro, importa narrar a fim de mostrar o exotismo do excluído." (COUTINHO, Angélica, pag. 390).

A cidade é representada de diversas maneiras no cinema brasileiro. Neste texto, farei uma comparação de elementos estilísticos e narrativos entre os filmes Noite Vazia (Walter Hugo Khouri) e As Melhores Coisas do Mundo (Laís Bodanzky). Apesar das grandes diferenças, é possível traçar diversos paralelos entre eles, e sua representação da cidade, sendo esta um conjunto de espaços e personagens.

"Nesse seu primeiro filme realmente urbano, Khouri demonstra sensibilidade em relação ao ambiente da cidade. As personagens existem nas ruas de S. Paulo: o vazio com que se depara o homem de negócios depois de fechar o escritório leva-o a preferir, à companhia da esposa, a daquelas meninas que ainda não são prostitutas e esperam encontrar na Galeria Califórnia um alívio para o orçamento mensal. (...) Também é verdadeiro o papel do dinheiro em Noite Vazia. Para afirmar-se, Mario Benvenuti precisa tanto do exibicionismo sexual quanto do monetário. Tem dinheiro, compra seu amigo e sua amante, que, para ele, se tornam objetos. É com um maço de notas jogado na cama, entre Norma Benguel e Gabriele Tinti, que ele pretende destruir a harmonia momentânea dos dois namorados." (BERNARDET, 1967, p. 98)

No filme de Khouri, temos uma trama que envolve dois rapazes e duas garotas, em um apartamento, tentando se divertir através da noite. Luís tem esposa e filho, mas mesmo assim, precisa de afirmação para si mesmo. Convida Nelson - que está abatido pelo recente término de um relacionamento - e ambos rodam por São Paulo, nas mais diversas casas noturnas, à procura de "alguém diferente". Por fim, encontram Norma Benguel e Odete Lara e vão, os quatro, para um apartamento de Luís, onde passam a noite, regada a sexo, tentando se divertir.

Em contrapartida, o filme de Laís Bodanzky apresenta Mano, um adolescente em fase de descoberta da sexualidade e todos os mitos que circundam essa iniciação. Fora isso, ele enfrenta problemas na família, mudanças no colégio e em seu relacionamento com os amigos.

"Mas são principalmente as mulheres os objetos do inventário: Odete Lara é a 368º na vida de Mario Benvenuti", com essa afirmativa, Bernardet coloca a cidade como uma grande lista de itens à disponibilidade dos personagens, e isso pode ser confirmado simplesmente observando o comportamento de Mario Benvenuti para com as prostitutas. Em As Melhores Coisas do Mundo, somos apresentados aos personagens num bordel, onde eles pretendem perder a virgindade. Mano escolhe não transar com a garota de programa, e esperar pela oportunidade certa. Quando eles saem, Deco - um dos amigos - é acusado de ter pago com vales falsificados, e a solução para ele é sair correndo, ignorando o trabalho daquelas mulheres, de forma similar à mencionada por Odete Lara, quando ela diz que os homens mais novos tentam sempre dar golpe e não pagar pela noite, achando que estão fazendo um favor para as garotas.

Mais adiante no filme, Deco, mostra a Mano um arquivo de computador que lista todas as meninas com quem ele já teve algum tipo de relacionamento, de forma muito similar à contagem de Mario. A grande diferença é que uma dessas garotas da lista é uma amiga de ambos - Carol -, e Mano não concorda com essa forma-objeto de ver as pessoas, então ele começa a tentar fazer com que Carol perceba que André tem outras intenções.

Essa forma de ver as coisas e pessoas - como objetos - pode ser diretamente conectada à solidão das personagens de ambos os filmes. Mario Benvenuti precisa do dinheiro e do sexo para se afirmar, Gabriele Tinti está sempre alheio ao que acontece e aos seus sentimentos, Odete Lara e Norma Benguel se relacionam cada vez com homens diferentes, o que prova claramente sua solidão - enfatizada no momento em que Benguel diz que "gosta muito quando um cliente liga para marcar uma segunda noite". Mano não tem namorada e passa por diversos problemas dentro de sua família (o pai se tornou homossexual e agora vive com um namorado, a mãe não sabe como lidar com a solidão, o irmão, que fica arrasado e suicida com o fim de um relacionamento), e ao longo do filme, perde a relação com a única pessoa com quem podia contar - Carol. Essa solidão do garoto é evidenciada nas três seqüências em que o mundo se move muito rápido e ele não sai do lugar (uma num ponto de ônibus, outra na escada, em frente ao prédio de seu ex-professor de violão, e a terceira dentro do próprio colégio, que apesar de imenso, para Mano está deserto).

"Reencontramos o pequeno grupo de indivíduos isolados, dividido em personagens definitivamente pervertidas, enrigecidas no vício, corruptas, e em personagens que ainda não foram totalmente conquistadas pela corrupção, cuja pureza, sensibilidade, espontaneidade, representam uma possibilidade de salvação. (...) A água purificadora aparece sob a forma da chuva que, na sacada, cai sobre o corpo nu das personagens no momento da verdade." (BERNARDET, 1967, p. 97)

É no momento que a chuva cai que confirmamos quem ainda tem salvação, e quem já extrapolou na corrupção. Enquanto Norma Benguel tem memórias de bolinhos sendo fritos e um garoto que olha curioso para ela, quase paralelamente, Odete Lara acorda e comenta com Mario que teve um pesadelo terrível. Ao fim, na despedida entre Nelson e Luís, Nelson fala não ter certeza se quer participar da próxima noite - com a Renata e sua irmã -, mas Luís insiste, e ele parece topar, deixando em aberto se ele tem salvação ou não.

Em Brasil em tempo de cinema, Bernardet diz que "Walter Hugo Khouri indica claramente no fim de Noite Vazia que nada foi solucionado, e que é muito provável que tudo continue como antes". Esse posicionamento do cineasta é diametralmente diferente daquele proposto por Laís Bodanzky. Khouri acredita que a cidade oprime as pessoas, e que é necessário muito esforço para escapar das garras dos pervertidos. Bodanzky, em seu filme, apresenta diversas situações em que os personagens se colocam contra a corrente, e conseguem provocar mudanças no ambiente que os cerca - como quando Mano reúne todos os discriminados do colégio para criar a chapa Mundo Livre, ou fazendo o abaixo-assinado pelo retorno do professor que se envolvera com a aluna, no qual obtém sucesso. A chapa não é vitoriosa, demonstrando que as mudanças não são tão fáceis assim, mas são possíveis.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BERNARDET, Jean-Claude. Brasil em tempo de cinema. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.

COUTINHO, Angélica. Do Não Lugar ao Lugar Comum: A Cidade no Cinema Brasileiro Contemporâneo. In: in CATANI, Alfredo Mendes [et al] (orgs.). Estudos Socine de Cinema: ano IV. São Paulo, Editora Panorama, 2003.

Day-to-Day

Vimeo.

December 6, 2010

Achei minha conta, tá desatualizaaaaada... Pretendo fazer o upgrade pra PLUS, e upar a bagaça toda. Minha listinha tem 45 vídeos. Alguns deles não passam de alguns segundos mas, cada um por seus motivos, merece ser upado. Vou ver a velocidade/estabilidade de conexão hoje na USP e, se der certo, já começo amanhã.

Quando tudo estiver no ar, vou substituindo os links por aqui. Aguardem, que não deve demorar.

Day-to-Day

[JOB] Profissão Repórter 2.

December 5, 2010

Vou fazer um comentário superficial, que já é melhor do que comentário nenhum. Esse trabalhinho foi há duas semanas, e o post tá aqui com as fotos, pra ser escrito, e até hoje enrolei. Agora que tenho que escolher entre terminar de escrever isso ou terminar um trabalho, óbvio que vim pra cá!

Quem me chamou para a equipe foi o André (AV2005), responsável maior pelo trabalho (e assistente de direção, ao longo do processo). Acho que teve alguma coisa a ver com o primeiro Profissão Repórter... Especialmente porque a gente teve que refilmar umas coisas... É, definitivamente teve relação com isso.

André, simulando altura da atriz.

Mas o trabalho não era só refilmar coisas do outro, que não deram certo. Isso era minoria. Tinha todo um novo roteiro, além disso. Novamente a direção era do Gustavo (AV2006), esse ser acelerado da foto abaixo (escolhi essa foto movimentada justamente porque passa o espírito do Fattori). O elenco também tinha os dois elementos do primeiro trabalho, e mais quatro outros atores, inclusive a Andrea Tedesco, do Dois Dedos de Prosa e Poesia - acabei de perceber que não tem fotos dela no post...

Gu, correndo de um lado pro outro, como um bom diretor.

O som novamente ficou a cargo do Pato, e a fotografia nas mãos da Didi (AV2006, mesma fotógrafa do primeiro Profissão Repórter), só que dessa vez, ao invés de usarmos uma HVX200 que foi para o Deserto-De-Não-Sei-Onde, usamos uma 7D. A arte (essas coisas incríveis que vocês vão ver nas fotos de estúdio) era responsabilidade da senhorita Ludmila (AV2008), que agora tinha a Mari Chiaverini (AV2008) como assistente. Sério, sempre fico admirado com as coisas que ela consegue fazer.


A primeira diária foi no Centro Cultural São Paulo, como comentei no outro post, e por isso as imagens ficaram incrivelmente belas. No segundo dia, rodamos na biblioteca da Aplicação, dentro da USP mesmo, uma lugar similar a Avalon, e no CTR. Não é qualquer um que consegue encontrá-la! Por fim, a última diária foi numa quarta feira, dentro do estúdio B velho.




Giovanna Tukamoto e Renato Baragão, no Centro Cultural São Paulo.

Nessa primeira diária, minha função principal era conseguir fazer com que as extensões chegassem até as tomadas 220V, que ficavam escondidas nos banheiros, e posicionar a luz de forma adequada. Quando nos afastamos muito dos banheiros, mudava de cargo, fazia coisas de foco, passava o material dos cartões para o computador, trocava lente, etc... Nosso cronograma era peculiar. Entramos antes de a biblioteca abrir, e tínhamos até o horário de abertura para filmar todas as cenas com fala. Depois que abrisse, só coisas sem fala, ou com poucas palavras, para não atrapalhar a leitura das pessoas que estivessem por ali. Os responsáveis pelo espaço foram super gente boa, e ajudaram a gente um bocado.



Segunda diária: Giovanna claquetando, e uma cena na sala do Joel.

Na segunda diária, depois de fritar um transformador, puxamos uma extensão do terceiro andar até o térreo, pelo vão central do prédio da Aplicação. o CTR tinha ainda mais problemas com tomadas 220V que o CCSP e a Aplicação. Quase tivemos que puxar um fio pela janela, e depois cruzar o andar inteiro com extensões.

Felizmente, o André tinha chaves de grande parte das salas, e conseguimos achar uma tomada no Laboratório Fotográfico, para filmar na sala do Joel, com muuuitas coisas trazidas da sala do Edu Vicente. Também teve uma externa nesse meio tempo, na qual eu estava sem função, então fui checar emails. Aí que descobri que tínhamos vencido o Festival do Minuto, e saí gritando pela Lud.

A terceira e última diária era no estúdio, mas com horário apertado, pois tínhamos que devolver todo o equipamento alugado na Quanta. Tivemos que refazer um bocado do setup de luz, pois a posição das coisas teve que mudar em função de uma parede em que a tinta não pegava. Acho que passei mais horas desse dia no alto de uma escada do que no chão firme. É sempre legal mexer com refletores decentes.




No fim da última diária, todo mundo queria as cadeiras-lápis, mas ninguém tinha como levá-las pra casa. A Didi criou coragem e chamou um táxi pra ela, arrebatando as duas para seu quarto. De novo, o trabalho tem pagamento, mas ainda deve demorar mais uns dias pra sair.

Day-to-Day

Malditos Eletrônicos.

December 5, 2010

Ontem foi um dia incrível de tão ruim, e concluí que portabilidade é TUDO que uma pessoa pode querer na vida. Não, não é a mesma 'portabilidade' de celular. O grande problema é que em algum momento da semana que vem, terei que levar meu computador para ser inspecionado.

Ah, lavei um monte de roupa e coloquei pra secar na varanda. Choveu, eu não percebi. Agora as roupas estão mais molhadas que quando na máquina.

Day-to-Day Tudo AV

Festival do Minuto - Receita!

December 1, 2010

Quem disse que não é uma boa idéia fazer carreira no Festival do Minuto? Depois de EXATAMENTE um mês de trabalho árduo, misturando Photoshop, Google Images e After Effects, finalmente está terminada e inscrita nossa animação com o tema Receita!

Roteiro da Lud, Animação por minha conta, Som na responsabilidade da May, com participação do Cauê na trilha sonora (gravada sem cortes, no take 4). Apanhei muito do After para conseguir o efeito espacial que queria (profundidade de campo, yeah!), e brinquei muito de recortar coisas no Photoshop antes de chegar perto de terminar. Estamos em processo de mudança para o Vimeo (como prometi, alguns posts atrás), então aproveitem pra ver em Full HD!

Ah, educadamente peço para vocês votarem aqui antes de verem o vídeo em alta definição! É, eu sei, tem aquela coisa do cadastro, e tal, mas se vocês já votaram no Missão Possível, por que não votar nesse também?

Fiquem ligados por aqui, que até dia 21 entra mais um curta, muuuuito mais elegante que esses do Festival do Minuto!

Day-to-Day

Analisando o Western.

November 29, 2010

FILMES ESCOLHIDOS: No Tempo das Diligências (1939) e Era Uma Vez no Oeste (1968).

"Existe, é claro, um número de enredos que sempre aparecem, filme após filme. Temos aquele em que um oficial da cavalaria, preconceituosos e geralmente disciplinado, é advertido para não começar uma 'guerra final conta os índios'. Ou, então, aquele em que um pistoleiro aposentado (ou um ex-xerife) é persuadido relutantemente, a aceitar a responsabilidade de 'limpar' a cidade. Mas usar tais estruturas como base para a definição de gênero acabaria levando não a um único gênero chamado western, mas a um número quase infinito de subgêneros" (BUSCOMBE, 2004, p. 306)

Buscombe também diz "acreditamos que o gênero deva ser concebido como um grupo de obras literárias baseado, teoricamente, tanto nas formas externas (métrica ou estrutura específicas) como internas (atitude, tom objetivo - de modo mais direto, conteúdo e público)." O western é um gênero que tem suas convenções muitíssimo bem definidas, e seu universo de elementos é incrivelmente amplo. Como Buscombe afirma no extrato acima, existem algumas tramas bastante recorrentes, mas além delas uma série de traços é sempre presente, ainda que com variações sutis. No Tempo das Diligências e Era Uma Vez no Oeste se encaixam no gênero, e dá pra perceber isso só lendo os títulos.

A presença da natureza é marcante em todo western. Em No Tempo das Diligências, as cidades do Oeste são tão isoladas - sem ferrovias ou estradas que as conectem -, que são necessárias longas jornadas pelo deserto para ir de um lugar a outro, essa questão apresenta também o tema da Viagem, que será tratado mais adiante.